Manejo

Soja na suplementação não deforma casco, mas exige manejo correto

Especialista esclarece mito sobre soja causar problemas de casco e aponta que o verdadeiro risco está na acidose ruminal por dieta mal formulada.

05 de setembro de 2026 4 min de leitura
Soja na suplementação não deforma casco, mas exige manejo correto

A soja na dieta de bovinos não é responsável direta por problemas de casco, como crescimento excessivo ou deformação das unhas. O que está por trás desses casos é, na maioria das vezes, acidose ruminal e laminite provocadas por falhas na formulação e no manejo da Ração Total Misturada (TMR), especialmente em sistemas de terminação com alto uso de concentrado.[1][12]

O que aconteceu

Matéria do Canal Rural trouxe a dúvida de produtores que relacionam o uso de farelo ou grão de soja na suplementação a problemas de casco no gado. Um especialista em nutrição de bovinos esclareceu que essa associação é um mito: não há relação química ou biológica direta entre soja e deformação das unhas.

Segundo o técnico, os casos observados no campo são, na verdade, quadros de laminite. A inflamação dos tecidos do casco decorre de toxinas geradas por acidose ruminal subaguda ou crônica, resultado de dietas mal equilibradas, com excesso de concentrado e fibra insuficiente.[1]

Ele destacou que o risco aumenta em dietas de confinamento com alto teor de amido e proteína, quando não se respeita a relação volumoso/concentrado nem o período de adaptação aos grãos. Nessas condições, o pH ruminal cai de forma prolongada, afetando a circulação periférica e comprometendo a sanidade dos cascos.[1][8]

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Por que importa para o agro

O esclarecimento evita que produtores culpem a soja e abandonem um insumo estratégico na engorda, perdendo acesso a uma fonte proteica eficiente. O problema não está no ingrediente, mas na forma de uso: proporção na dieta, tamanho da partícula, oferta de fibra efetiva e uso de aditivos tampões.[1][6]

Para confinadores e sistemas intensivos, isso impacta diretamente custo e desempenho. Ajustar formulação e manejo de cocho reduz casos de laminite, melhora ganho de peso e taxa de conversão, além de diminuir descartes por problemas locomotores. A soja pode expressar seu potencial nutricional sem comprometer o casco quando inserida em dietas balanceadas.[1][12]

Dados e contexto

Pesquisas e recomendações técnicas apontam limites claros para inclusão de oleaginosas e subprodutos da soja na dieta de bovinos:

Recomendações técnicasValor orientativo
Extrato etéreo total na dieta de confinamento**≈ 7% da MS**[11][12]
Extrato etéreo vindo de oleaginosas (soja, etc.)**máx. 3% da MS**[11][12]
Participação de grão de soja cru na dieta**< 15% da MS**[11][12]
Casca de soja na dieta (bovinos de corte)até **20–25%**, com fibra efetiva adequada[6][15]

Quando a inclusão de concentrado supera a capacidade de ingestão de fibra bruta, o pH ruminal pode cair abaixo de 6,0, favorecendo acidose ruminal subaguda. Embrapa e Conab alertam em publicações técnicas que dietas muito ricas em amido, sem ajustes de fibra e tampão, aumentam ocorrências de timpanismo, acidose e laminite, impactando produção e bem-estar.[7][8][12]

O uso de aditivos como bicarbonato de sódio e óxido de magnésio é prática comum para tamponar o pH em dietas de acabamento. Ao lado disso, recomenda-se fornecimento gradual do suplemento, leitura diária de cocho e divisão da oferta de concentrado em ao menos dois tratos ao dia, medida que ajuda a estabilizar o ambiente ruminal.[7][8][9]

O que observar daqui pra frente

Produtor deve focar em três pontos: ajuste fino da relação volumoso/concentrado, controle do nível de extrato etéreo vindo de oleaginosas e uso de fibra efetiva para estimular mastigação e produção de saliva. Consultar zootecnista ou veterinário na montagem da dieta, respeitar fases de adaptação e monitorar cascos e locomoção do lote reduz perdas produtivas e evita que mitos sobre a soja atrasem ganhos em sistemas intensivos.[1][6][11]

Fontes

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