Mercado

Abiove eleva projeção de exportações de farelo de soja em 2026

Abiove ajusta para cima a exportação de farelo de soja em 2026, com novo recorde previsto e impacto direto sobre indústria e produtor.

22 de agosto de 2026 4 min de leitura
Abiove eleva projeção de exportações de farelo de soja em 2026

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou a projeção de exportações de farelo de soja do Brasil para 25,3 milhões de toneladas em 2026, alta de 1,6% sobre a estimativa anterior e nível recorde. A revisão reflete a demanda externa firme, sobretudo da Europa e da Ásia, e consolida o país como segundo maior exportador mundial, atrás apenas da Argentina.[4][2]

O que aconteceu

A nova projeção da Abiove indica embarques de 25,3 milhões de toneladas de farelo em 2026, um aumento de 400 mil toneladas em relação ao número divulgado no balanço anterior da entidade. A atualização veio junto com o relatório mensal de oferta e demanda do complexo soja, que também ajustou produção, esmagamento e estoques finais.[4][2]

A associação revisou levemente para baixo a produção de soja em grão, mas manteve a expectativa de recorde no esmagamento, o que sustenta maior oferta de farelo para exportação. A combinação de mais processamento interno e demanda aquecida lá fora abre espaço para o Brasil ganhar participação em mercados tradicionalmente atendidos pela Argentina, que enfrenta limitações de safra e logística.[1][9]

Por que importa para o agro

Para a indústria de esmagamento, o aumento da exportação de farelo sinaliza melhor utilização da capacidade instalada e possibilidade de margens mais atrativas, especialmente em momentos de preços internacionais firmes. Com mais farelo destinado ao mercado externo, o setor pode capturar valor adicional ao simples embarque de grão, reforçando o papel do Brasil como fornecedor de produtos processados.[1][9]

Para o produtor, o avanço do farelo no mercado internacional tende a sustentar a demanda por soja em grão no longo prazo. Em cenários de preços pressionados na Bolsa de Chicago, o aumento do processamento doméstico e das exportações de derivados ajuda a amortecer quedas internas, ainda que no curto prazo o efeito sobre o prêmio e o basis varie conforme região e logística.[2][8]

Dados e contexto

Segundo a Abiove, o balanço do complexo soja para 2026 indica:

  • Exportação de farelo de soja: 25,3 milhões t (+1,6% sobre a previsão anterior e cerca de +8,7% em relação a 2025).[2][4]
  • Produção de farelo: entre 48,1 e 48,7 milhões t, acompanhando o aumento do esmagamento.[5][15]
  • Processamento de soja: até 63,3 milhões t, novo recorde, com alta de aproximadamente 0,5% a 7,3%, conforme o cenário considerado.[14][15]
  • Exportação de soja em grão: cerca de 111 milhões t, também em patamar histórico.[3][8][9]
O movimento ocorre em um contexto de forte protagonismo do Brasil no mercado global de soja. Dados da Conab e do USDA indicam o país como maior exportador de grão e segundo de farelo, com a Argentina liderando esse último segmento graças ao parque industrial de Rosário. A revisão da Abiove, porém, reforça a tendência de industrialização doméstica da soja brasileira, alinhada à expansão do consumo de ração na Ásia e na Europa.[9][12]

Em termos de receita, a Abiove projeta que o complexo soja (grão, farelo e óleo) pode alcançar cerca de US$ 55 bilhões em exportações em 2026, impulsionado por maiores volumes e preços ainda em patamar historicamente elevado.[9] Isso mantém o complexo como principal gerador de divisas do agronegócio brasileiro, à frente de milho, carnes e café, segundo séries históricas do Ministério da Agricultura (MAPA) e da Secretaria de Comércio Exterior.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem monitorar três fatores principais: a competitividade argentina no farelo, o ritmo de consumo de ração em mercados importadores e o comportamento do câmbio no Brasil. Quebras de safra na América do Sul ou mudanças na demanda da União Europeia e da Ásia podem alterar rapidamente o fluxo de embarques. Para quem atua na cadeia, contratos antecipados, diversificação de mercados e atenção à logística portuária serão decisivos para capturar as oportunidades abertas por essa nova projeção da Abiove.[1][2][9]

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo