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ABM lança guia para prefeituras se prepararem para efeitos do El Niño

Publicação orienta municípios na prevenção a enchentes, deslizamentos e ondas de calor, com impacto direto sobre o agro e a infraestrutura rural.

26 de julho de 2026 5 min de leitura
ABM lança guia para prefeituras se prepararem para efeitos do El Niño

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia prático para apoiar prefeituras na prevenção e gestão dos impactos do El Niño em 2026–2027, com foco em enchentes, deslizamentos, ondas de calor e incêndios florestais. O material orienta gestores locais a estruturar planos de defesa civil, mapear áreas de risco e organizar resposta rápida a eventos extremos, tema central para regiões agrícolas que dependem de infraestrutura urbana e rural funcionando.

O que aconteceu

O guia da ABM reúne recomendações técnicas para que municípios elaborem ou atualizem seus planos de contingência diante do aquecimento anômalo do Pacífico, que intensifica chuvas em parte do país e aumenta o risco de secas e calor extremo em outras áreas.[3] O documento detalha ações por fase: preparação, resposta e recuperação, com foco em reduzir perdas humanas, materiais e econômicas.

Entre as medidas sugeridas estão o mapeamento de áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos, definição de rotas de evacuação, organização de abrigos temporários e protocolos claros de comunicação com a população em caso de emergência.[3] Há orientação específica para proteção de grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com deficiência, e integração com serviços de abastecimento de água, saúde e assistência social.

O guia também alinha as prefeituras às diretrizes da União, que cobrou de estados e municípios a apresentação de planos de prevenção ao El Niño em até 30 dias, especialmente para combate a incêndios florestais e ondas de calor.[7] A ABM busca padronizar procedimentos e reforçar a capacidade dos municípios de acessar recursos federais e atuar de forma coordenada com defesas civis estaduais.

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Por que importa para o agro

Para o agronegócio, a preparação municipal contra efeitos do El Niño é direta na logística, na infraestrutura rural e na segurança de trabalhadores. Estradas vicinais, pontes, armazéns e estruturas de irrigação dependem de planos eficientes de drenagem, manejo de encostas e resposta rápida a enchentes e deslizamentos. Sem isso, o escoamento da produção e o acesso a insumos podem ser interrompidos em períodos críticos de plantio e colheita.

Além disso, ondas de calor e maior frequência de incêndios florestais exigem protocolos claros de proteção a equipes de campo e de manejo de pastagens e áreas florestais. Embrapa recomenda, em anos de El Niño, reforçar drenagem, conservação de solo e planejamento de colheita, medidas que se articulam com ações municipais de defesa civil e gestão de risco climático.[1][5] Municípios mais preparados tendem a reduzir prejuízos e garantir continuidade operacional das cadeias agropecuárias.

Dados e contexto

El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, que altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil.[1] Em anos de El Niño, são comuns:

  • Chuvas intensas e enchentes em áreas do Sul e Sudeste
  • Secas e calor extremo em partes do Norte e Nordeste
  • Maior risco de incêndios florestais e impactos na saúde pública[4][7]
Embrapa destaca, para a agropecuária, estratégias como:[1][5]
Ação recomendadaObjetivo
Respeitar o ZARCReduzir risco climático no plantio
Melhorar drenagem e conservar soloEvitar erosão e perdas por enxurradas
Plantio escalonadoDiluir risco em diferentes janelas
Intensificar monitoramento fitossanitárioControlar pragas e doenças favorecidas pelo clima

A nota técnica da Confederação Nacional de Municípios reforça que prefeituras devem atualizar o Plancon (Plano de Contingência), definir abrigos, rotas de evacuação, pontos alternativos de captação de água e protocolos para calor extremo, fumaça e exposição a incêndios.[3] Fiocruz e UFSM recomendam que a gestão do risco climático seja preventiva, territorializada e baseada em evidências.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores rurais e cooperativas devem acompanhar como prefeituras implementam o guia da ABM e atualizam seus planos de contingência, principalmente em regiões com histórico de enchentes, deslizamentos e queimadas. Parcerias entre secretarias de agricultura, defesa civil e entidades técnicas como Embrapa podem alinhar manejo de solo, drenagem de áreas produtivas e rotas alternativas de escoamento. A atenção às previsões climáticas oficiais, ao ZARC e aos protocolos municipais de emergência será decisiva para reduzir perdas e aproveitar oportunidades de produção em um cenário de clima mais extremo.

Fontes

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