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ADM amplia processamento de oleaginosas na América do Norte de olho em biocombustíveis

ADM investe em quatro plantas na América do Norte, adiciona 700 mil t/ano de capacidade e reforça demanda por soja e canola, puxada por combustíveis renováveis.

31 de julho de 2026 5 min de leitura
ADM amplia processamento de oleaginosas na América do Norte de olho em biocombustíveis

A Archer Daniels Midland (ADM) anunciou novos investimentos para ampliar o processamento de oleaginosas em quatro unidades na América do Norte, somando cerca de 700 mil toneladas métricas por ano em capacidade adicional até 2029.[1] O movimento responde ao avanço da demanda por óleos vegetais e combustíveis renováveis, reforçando o papel estratégico da soja e de outras oleaginosas na matriz energética e alimentar global.[1]

O que aconteceu

A ADM vai realizar melhorias em plantas de processamento de oleaginosas em Frankfort (Indiana), Deerfield (Missouri), Lincoln (Nebraska) e Spiritwood (Dakota do Norte).[1] O foco está em otimização de processos, aumento de armazenamento e modernização de equipamentos para elevar o rendimento industrial nessas unidades.[1]

Os projetos devem adicionar cerca de 700 mil toneladas métricas por ano à capacidade de moagem na América do Norte, o que representa demanda adicional superior a 25 milhões de bushels de grãos de produtores locais.[1] A companhia indica que a maior parte das obras será concluída entre o fim de 2028 e o início de 2029, com Spiritwood finalizada por volta de meados de 2028.[1]

A planta de Spiritwood é operada pela joint venture Green Bison, formada pela ADM e pela Marathon Petroleum, voltada ao atendimento da cadeia de biocombustíveis.[1] A empresa também avalia projetos semelhantes em outras unidades na região, priorizando adaptações em estruturas existentes para preservar flexibilidade operacional e reduzir custos.[1]

Por que importa para o agro

A ampliação da capacidade de esmagamento na América do Norte tende a reforçar a competição global por soja e canola, com impacto sobre fluxos de comércio e formação de preço de grãos e derivados. A demanda adicional de mais de 25 milhões de bushels significa maior capacidade de absorção de safra pelos EUA, principal concorrente do Brasil em exportações de soja.[1]

Para o produtor brasileiro, o movimento da ADM confirma a tendência de integração entre agro e energia, especialmente via biodiesel e combustíveis renováveis avançados. Com mais capacidade instalada em mercados maduros, a indústria tende a valorizar oleaginosas com boa oferta, estabilidade logística e regularidade de fornecimento, o que mantém o Brasil como fornecedor-chave de grãos e óleo para o sistema global.[7][10]

Dados e contexto

A estratégia da ADM na América do Norte está alinhada a um redesenho global da capacidade de processamento de oleaginosas:

  • A ampliação de 700 mil t/ano nos EUA soma-se a investimentos recentes da companhia em Campo Grande (MS), Porto Franco (MA) e Uberlândia (MG), que adicionaram cerca de 400 mil t/ano à capacidade de esmagamento de soja no Brasil.[5][6]
  • No Paraguai, a ADM inaugurou fábrica em Villeta com capacidade diária de 3,5 mil toneladas, elevando em mais de 20% sua capacidade de moagem de oleaginosas na América do Sul.[12]
  • Segundo a Abiove, a capacidade de processamento de oleaginosas no Brasil cresceu 4,1% entre 2020 e 2022, em um mercado liderado por empresas como ADM, Bunge e Cargill.[17][10]
IndicadorDado aproximado
Capacidade adicional ADM – América do Norte**+700 mil t/ano** até 2029[1]

| Demanda extra por grãos nos EUA | >25 milhões de bushels[1] | | Expansão ADM – plantas no Brasil | +400 mil t/ano de soja[5][6] | | Nova planta ADM – Paraguai | 3.500 t/dia de soja[12] |

O avanço dos biocombustíveis é um dos principais motores desses investimentos, tanto para biodiesel tradicional quanto para combustíveis renováveis de próxima geração. A ADM já atua em parceria com empresas de energia e vem firmando acordos para desenvolver sementes de baixo carbono e matérias-primas mais alinhadas às exigências de descarbonização.[2][7]

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar a velocidade de expansão dessa capacidade e a evolução das políticas de combustíveis renováveis nos EUA e em outros mercados. Preços de soja, canola e óleos vegetais, margens de esmagamento, demanda por farelo e possíveis ajustes em fluxos de exportação do Brasil serão pontos-chave para identificar oportunidades de venda, contratos de longo prazo e decisões de investimento em armazenagem e processamento.

Fontes

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