Sustentabilidade

Advogado critica operação do ICMBio no Pará após apreensão de gado

Defesa de produtor acusa ICMBio de truculência na Operação Pasto Nullus, que apreendeu gado em área da Terra do Meio, no Pará, e acende alerta no agro.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Advogado critica operação do ICMBio no Pará após apreensão de gado

A Operação Pasto Nullus, do ICMBio, apreendeu parte do rebanho do produtor rural Pedro Coco na região da Terra do Meio, no Pará, e motivou fortes críticas da defesa do pecuarista.[4] O advogado Diogo Franco classificou a abordagem como "absolutamente truculenta", enquanto o ICMBio afirma que os ocupantes foram previamente notificados sobre a retirada do gado da área.[4]

O que aconteceu

A ação envolveu agentes do ICMBio em área sob proteção ambiental na Terra do Meio, região marcada por histórico de conflitos fundiários e pressões sobre áreas de conservação no Pará.[4] Durante a operação, parte do rebanho de Pedro Coco foi apreendida sob alegação de ocupação e uso irregular da área para atividade pecuária.[4]

Segundo o advogado Diogo Franco, que representa o produtor, os fiscais teriam atuado de forma violenta no momento da apreensão dos animais, o que motivou a denúncia pública da defesa.[3][4] Ele contesta a condução da operação e afirma que o produtor busca esclarecer a situação fundiária e ambiental da área.

O ICMBio, por outro lado, sustenta que os ocupantes já haviam sido formalmente notificados para retirar o gado da região antes da operação de campo.[4] O órgão defende que a ação faz parte de um esforço de fiscalização para coibir a expansão da pecuária em áreas protegidas na Amazônia.

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Por que importa para o agro

O caso acende alerta para produtores que atuam em áreas com insegurança fundiária na Amazônia, especialmente onde há sobreposição entre propriedades privadas, posses e unidades de conservação. Operações como a Pasto Nullus mostram que o risco de autuações, apreensão de gado e embargos continua elevado em áreas sensíveis.

Para o mercado, episódios de conflito em operações ambientais reforçam a pressão sobre a cadeia da carne bovina por rastreabilidade e comprovação de origem legal do rebanho, ponto cada vez mais cobrado por frigoríficos, exportadores e compradores internacionais. A forma de atuação do Estado, contudo, segue no centro do debate entre segurança jurídica e rigor na proteção ambiental.

Dados e contexto

A região da Terra do Meio concentra diversas unidades de conservação federais e estaduais, com forte presença do ICMBio em ações de comando e controle.[4] A expansão da pecuária extensiva na Amazônia é apontada por órgãos ambientais como um dos vetores de desmatamento e de ocupação irregular de terras públicas.

Segundo dados do MapBiomas, a área de pastagens no Brasil supera 160 milhões de hectares, grande parte na região do Cerrado e da Amazônia. Já o IBGE aponta que o rebanho bovino brasileiro passou de 234 milhões de cabeças em 2022, com o Pará entre os principais estados produtores de gado de corte.

Nos últimos anos, operações conjuntas envolvendo ICMBio, Ibama, Polícia Federal e forças de segurança estaduais se tornaram mais frequentes em áreas conflagradas da Amazônia, com foco em grilagem, garimpo e uso irregular de áreas protegidas. Para o produtor, isso aumenta a necessidade de documentação fundiária, licenciamento ambiental e comprovação de que o gado não está em áreas embargadas ou unidades de conservação.

A discussão sobre a forma de atuação dos fiscais surge em meio a um ambiente de maior escrutínio internacional sobre a pecuária amazônica. Importadores da União Europeia, por exemplo, avançam em regras de desmatamento zero, exigindo cadeias livres de conversão recente de florestas.

O que observar daqui pra frente

Produtores que atuam em regiões de fronteira agrícola na Amazônia precisam monitorar de perto o andamento de operações como a Pasto Nullus, revisar a regularização fundiária e ambiental de suas áreas e reforçar o registro e a movimentação oficial do rebanho. A tendência é de intensificação das ações de fiscalização, maior cobrança por rastreabilidade e, ao mesmo tempo, mais disputas judiciais sobre limites, métodos e proporcionalidade das operações em campo.

Fontes

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