Restos de carne viram ração e reduzem desperdício no ES
Empresas no ES transformam restos de carne, gordura e ossos em ração, cortam custos e evitam impacto ambiental.
Em frigoríficos e açougues do Espírito Santo, sobras de carne, gordura e ossos que antes acabavam no lixo estão sendo coletadas e encaminhadas para indústrias de reciclagem animal. Essas empresas processam o material e o transformam em farinhas e gorduras usadas na formulação de ração para suínos, aves, peixes e pets, gerando receita extra para o setor e reduzindo o impacto ambiental.
O que aconteceu
A matéria do G1 mostra que estabelecimentos de abate e processamento de carne no estado firmaram parceria com uma fábrica de ração que compra os resíduos, como aparas de carne, sebo e ossos. O material é coletado em caminhões próprios, segue para processamento com trituração e cozimento em alta temperatura e resulta em farinha de carne e osso e produtos gordurosos de origem animal.
Segundo a reportagem, o que antes era custo de descarte virou fonte de renda para os participantes da cadeia. Frigoríficos e açougues reduzem despesas com transporte e destinação de resíduos, enquanto a fábrica de ração garante matéria-prima mais barata e abundante para abastecer granjas e criatórios da região.
O processo segue normas sanitárias específicas, com controle de temperatura, esterilização e segregação de materiais. O objetivo é evitar contaminação do solo, água e ar, ao mesmo tempo em que se transforma um passivo ambiental em insumo para o agro.
Por que importa para o agro
Para o produtor, essa reciclagem ajuda a segurar custo de alimentação, um dos itens que mais pesa na planilha de suinocultura, avicultura e piscicultura. Farinha de carne e osso e gorduras animais são fontes concentradas de proteína e energia, o que permite formular rações mais eficientes em sistemas intensivos.
Na cadeia da carne, o modelo aumenta a rentabilidade do abate, pois praticamente todo o animal passa a ter uso comercial. A experiência do ES segue tendência nacional: associações de reciclagem animal e indústrias do setor já movimentam bilhões ao ano com o aproveitamento de subprodutos de bovinos, suínos e aves, reforçando a imagem de um agronegócio mais sustentável.
Dados e contexto
Estudos e entidades do setor mostram que entre 25% e 30% do peso dos animais abatidos vira subproduto, como ossos, vísceras, sangue, couro, penas e gordura, que pode ser processado em farinhas e óleos.
No Brasil, a indústria de reciclagem animal transforma milhões de toneladas de resíduos por ano em insumos para ração, biodiesel, cosméticos e outros produtos, evitando que esse volume vá para aterros.
A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) destaca que vísceras, sangue e ossos podem ser vendidos para indústrias especializadas, que produzem farinha de carne, farinha de osso, farinha de sangue, gordura e sebo, usados na alimentação de aves, suínos, peixes e pets.
A Embrapa e o MAPA tratam o aproveitamento de subprodutos como eixo da sustentabilidade na pecuária, desde que obedecidas normas sanitárias e restrições específicas para ruminantes. Em rações para aves, suínos e piscicultura, o uso de farinhas de origem animal é prática consolidada, com boa relação custo-benefício.
| Indicador | Situação no Brasil |
|---|---|
| Participação de subprodutos no peso do animal | ~30% do peso pode ser reaproveitado |
| Destino tradicional desses resíduos | Farinhas de carne, osso, sangue e gorduras para ração | | Impacto ambiental do descarte inadequado | Risco de contaminação de solo, água e proliferação de pragas |
O que observar daqui pra frente
Para o agro capixaba, o avanço desse modelo depende de escala, logística e rigor sanitário. Há espaço para ampliar a coleta em pequenos e médios abatedouros, integrar cooperativas e reduzir ainda mais o desperdício. Ao produtor, interessa acompanhar a oferta e o preço dessas farinhas, as regras sanitárias e eventuais mudanças regulatórias, avaliando como a inclusão de ingredientes de origem animal na ração pode reduzir custos sem comprometer desempenho ou acesso a mercados mais exigentes.
Fontes
- G1 – Agronegócios no Espírito Santo
- Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA)
- Embrapa – Aproveitamento de subprodutos de origem animal
- economia.uol.com.br
- fasa.ind.br
- fasa.ind.br
- celitron.com
- interligados.canalrural.com.br
- infoteca.cnptia.embrapa.br
- pmc.ncbi.nlm.nih.gov
- gauchazh.clicrbs.com.br
- tnh1.com.br
- gov.br
- g1.globo.com
- g1.globo.com
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