Sustentabilidade

O futuro do Brasil passa por usar melhor a terra

Com a fronteira agrícola se esgotando, o crescimento do Brasil depende de produzir mais nas áreas já abertas, conciliando agro forte e conservação.

04 de setembro de 2026 4 min de leitura
O futuro do Brasil passa por usar melhor a terra

O Brasil entra em uma fase em que não será possível crescer apenas abrindo novas áreas agrícolas. O país terá de produzir mais nas terras já desmatadas, recuperar áreas degradadas e combinar agro e florestas em uma estratégia única de desenvolvimento. Isso define o futuro da economia, da competitividade do agro e da posição do país nas negociações globais de clima.

O que aconteceu

Depois de décadas expandindo a fronteira agrícola, analistas indicam que o avanço horizontal começa a perder força. Em vez de buscar “terra fácil”, o foco passa a ser produtividade, recuperação de pastagens degradadas e uso mais inteligente de cada hectare.

O debate de uso da terra deixa de ser só tema ambiental e entra no centro da estratégia econômica. O desafio é integrar produção, conservação e restauração, com políticas públicas e investimentos privados mirando o mesmo objetivo: mais valor por área, com menos impacto.

Ao mesmo tempo, o mundo pressiona por desmatamento zero e por cadeias produtivas de baixa emissão. Para o Brasil, que concentra boa parte das emissões ligadas a uso da terra, isso significa que o modelo de crescimento terá de ser redesenhado rapidamente.

Por que importa para o agro

Para o produtor, a mensagem é direta: o ganho de renda virá menos da abertura de novas áreas e mais de gestão, tecnologia e eficiência nas propriedades. Quem conseguir produzir mais em áreas consolidadas, com melhor manejo de solo, água e pastagens, estará à frente.

Cadeias de grãos, carne, fibras e bioenergia passam a depender de projetos que conciliem intensificação produtiva e restauração. Isso abre espaço para integração lavoura-pecuária-floresta, sistemas regenerativos, florestas plantadas e créditos atrelados a boas práticas de uso da terra.

Dados e contexto

  • No Brasil, cerca de 75% das emissões estão ligadas ao uso da terra, somando desmatamento e agropecuária.
  • Programas como o ABC+, coordenados pelo MAPA e Embrapa, estimulam integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens e manejo conservacionista.
  • Estudos indicam que a produtividade das pastagens cultivadas está bem abaixo do potencial sustentável, o que permitiria produzir mais carne e, ao mesmo tempo, liberar área para grãos, florestas e biocombustíveis sem novo desmatamento.
  • A Conab e o USDA apontam que o Brasil já é líder em soja e outros grãos, mas a continuidade desse papel exige ganhos de produtividade e redução de riscos climáticos.
  • O IBGE mostra que o agro responde por parcela relevante do PIB, reforçando que qualquer estratégia de desenvolvimento passa pelo campo.
Fator-chaveDesafio / Oportunidade
Produtividade em áreas já abertasAumentar produção sem expandir desmatamento
Pastagens degradadasTransformar em áreas produtivas ou florestas
Integração lavoura-pecuária-florestaDiversificar renda e reduzir risco climático
Pressão internacional por climaUsar boas práticas para ganhar mercados

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e empresas devem acompanhar de perto políticas para desmatamento zero, incentivos à recuperação de áreas degradadas e ferramentas de financiamento verde. As melhores oportunidades devem surgir para quem provar, com dados e rastreabilidade, que consegue produzir mais usando melhor a terra, integrando agro, florestas e tecnologia em uma mesma estratégia de negócio.

Fontes

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