Sustentabilidade

Agave, planta da tequila, entra no radar da bioenergia no Brasil

Pesquisas com agave tequilana avançam no Semiárido e colocam a planta da tequila como nova aposta para etanol, ração e sequestro de carbono.

20 de junho de 2026 4 min de leitura
Agave, planta da tequila, entra no radar da bioenergia no Brasil

A Agave tequilana, famosa por dar origem à tequila no México, começa a ganhar espaço no Brasil como nova matéria-prima para etanol, ração animal e sequestro de carbono no Semiárido. Pesquisas de Embrapa, universidades e empresas de energia miram uma cultura resistente à seca, capaz de gerar biomassa em áreas hoje pouco produtivas.

O que aconteceu

Projetos públicos e privados avançam no Brasil para adaptar o cultivo de agave ao Semiárido, com foco em bioenergia e uso integral da planta.[4][5] A Embrapa Algodão, em parceria com a empresa Santa Anna Bioenergia, testa Agave tequilana Weber var. Azul na Bahia e na Paraíba para produção de etanol, ração para ruminantes e serviços ambientais, como fixação de carbono.[4][5]

As primeiras unidades de referência tecnológica foram instaladas em Jacobina (BA), Alagoinha (PB) e Monteiro (PB), com cerca de 1.800 mudas na fase inicial e horizonte de pesquisa de cinco anos.[1][5] O objetivo é ajustar espaçamento, manejo, adubação e avaliar a composição da biomassa, além de quantificar quanto carbono a cultura consegue estocar no campo.[1][5]

Em paralelo, programas como o Brave, parceria entre Shell e Unicamp, desenvolvem materiais genéticos mais produtivos e equipamentos específicos para plantio e colheita de agave, com foco em biocombustíveis e descarbonização da matriz energética.[2][7]

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Por que importa para o agro

O agave abre uma frente de negócio em áreas secas e de baixa produtividade, onde culturas tradicionais não performam bem. A planta suporta longos períodos de estiagem e ainda assim acumula biomassa, o que pode transformar o Semiárido em fornecedor relevante de matéria-prima para bioenergia.[3][5]

Para o produtor, a cultura representa diversificação de renda e uso econômico de áreas hoje subutilizadas, com potencial integração a cadeias de etanol, ração e fibras. Para a indústria, o agave complementa a cana em regiões onde a canavicultura não é competitiva, ajudando a garantir oferta de biomassa mesmo em períodos de seca severa.[3][6]

Dados e contexto

Hoje, o etanol brasileiro é produzido basicamente a partir da cana-de-açúcar, concentrada em áreas de maior disponibilidade hídrica.[3] O agave entra como alternativa em regiões semiáridas, com ganhos de resiliência climática e uso de terras hoje pouco exploradas.[3][6]

Estudos citados por pesquisadores indicam:

  • Ciclo produtivo do agave entre 3 e 5 anos, mais longo que o da cana, mas com alto acúmulo de biomassa.[3][1]
  • Potencial de mais de 500 t de biomassa por hectare, em condições adequadas.[3]
  • Produção anualizada estimada em cerca de 7.500 litros de etanol por hectare, segundo estudo de referência feito na Austrália.[3]
  • Com 3,3 milhões de hectares de agave, seria possível atingir algo próximo a 30 bilhões de litros de etanol por ano, equivalente à produção atual total de etanol no Brasil.[3]
Há estimativa de cerca de 85 milhões de hectares aptos ao cultivo de agave no Sertão, hoje ocupados majoritariamente por atividades agropecuárias com baixa produtividade devido a limitações de clima e solo.[3] Documentos do Ministério da Agricultura e do antigo Ministério da Integração apontam que o agave pode ter produtividade de etanol por hectare superior à da cana em condições de semiárido, justamente pela melhor adaptação hídrica.[6]

A Embrapa coordena estudos para consolidar sistemas de produção, manejo e aproveitamento industrial da planta, conectando bioenergia, alimentação animal e mitigação de emissões de gases de efeito estufa.[4][5]

O que observar daqui pra frente

Os próximos anos serão decisivos para validar a viabilidade econômica e operacional do agave em larga escala: produtividade real em campo, custos de plantio e colheita mecanizada, qualidade do etanol e da ração, além de modelos de contrato entre produtores e indústrias. Se os resultados de biomassa e etanol se confirmarem, o agave tende a entrar de vez na pauta de políticas públicas e investimentos privados para o Semiárido, com oportunidade concreta de transformar áreas hoje marginais em polos de bioenergia.

Fontes

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