Sustentabilidade

Agricultura regenerativa leva produtora de soja ao topo do Prêmio Mulheres do Agro

Sojicultora paulista vence Prêmio Mulheres do Agro ao apostar em agricultura regenerativa para enfrentar clima extremo e melhorar a saúde do solo.

30 de agosto de 2026 5 min de leitura
Agricultura regenerativa leva produtora de soja ao topo do Prêmio Mulheres do Agro

A produtora de soja Aline Vick, da Fazenda Estância em Pirassununga (SP), venceu o Prêmio Mulheres do Agro na categoria Grande Propriedade ao consolidar um modelo de agricultura regenerativa focado em saúde do solo e resiliência climática.[1][6] O reconhecimento, em iniciativa da Bayer com a Abag, reforça o peso das práticas regenerativas na competitividade da produção de grãos e na adaptação a extremos de clima.[1][6]

O que aconteceu

O Prêmio Mulheres do Agro selecionou dez protagonistas do setor, nove produtoras e uma pesquisadora, com base em critérios ambientais, sociais e de governança, incluindo uso racional de recursos naturais, saúde do solo e eficiência produtiva.[1][6] Nesse cenário, Aline Vick alcançou o primeiro lugar entre grandes propriedades ao estruturar um sistema de produção de soja, milho e outras culturas com forte ênfase em regeneração do solo.[1]

À frente da gestão da Fazenda Estância junto com a irmã, Aline ampliou práticas conservacionistas já existentes e transformou a agricultura regenerativa no eixo central do negócio.[1] O manejo integra plantas de cobertura em rotação de culturas, incremento de matéria orgânica e estratégias para aumentar infiltração e retenção de água no solo, reduzindo impactos de veranicos seguidos de chuvas intensas.[1]

Além do manejo físico e biológico do solo, a fazenda adotou bioinsumos para auxiliar as plantas em períodos de estresse, buscando maior eficiência no uso de insumos e melhor desempenho em cenários de alta variabilidade climática.[1] A produtora destaca que o foco é construir raízes mais profundas, solos vivos e maior capacidade de segurar água, reduzindo risco produtivo diante de eventos climáticos fora do controle do produtor.[1]

Por que importa para o agro

O caso da Fazenda Estância mostra que agricultura regenerativa deixou de ser nicho e entra no centro da estratégia de grandes propriedades de grãos, com impacto direto em produtividade, estabilidade de safra e acesso a mercados.[1][6][7] Critérios ligados a carbono, solo e governança já são considerados em premiações, certificações e, gradualmente, em exigências de traders e indústrias, o que tende a influenciar o valor da produção.

Para o produtor, o recado é claro: práticas como rotação de culturas, plantas de cobertura e uso racional de insumos se conectam a indicadores econômico-financeiros, como custo por hectare, risco de quebra de safra e potencial de remuneração em programas de carbono.[6][7] Em regiões com padrão crescente de extremos de chuva e períodos prolongados sem precipitação, investir em solo mais estruturado e com maior matéria orgânica vira ferramenta de seguro técnico, não apenas ação de marketing.[1]

Dados e contexto

A agricultura regenerativa reúne práticas que visam melhorar a função ecológica do solo, aumentar biodiversidade e capturar carbono, indo além da simples conservação.[7][13] Entre os pontos mais citados em casos premiados estão:

  • Plantio direto com plantas de cobertura em praticamente 100% da área agrícola.[7]
  • Rotação de culturas com soja, milho, trigo e outras espécies para diversificar raízes e ciclagem de nutrientes.[1][7][8]
  • Uso de bioinsumos e microrganismos adaptados para monitorar e melhorar a saúde do solo.[5]
  • Manejo voltado à retenção de água no perfil, reduzindo encharcamento e perdas por escorrimento em chuvas concentradas.[1]
No Brasil, iniciativas como o Pro Carbono da Bayer e programas de pesquisa da Embrapa avançam na quantificação de quanto essas práticas reduzem emissões e aumentam estoques de carbono no solo.[7] Estudos da Embrapa mostram que sistemas com rotação de culturas, plantio direto bem manejado e uso de plantas de cobertura podem elevar o estoque de carbono do solo em até 1 t/ha/ano em determinadas condições de clima e solo, melhorando estrutura física e capacidade de retenção de água.

Premiações como o Mulheres do Agro funcionam como vitrine de casos de sucesso e deixam claro que critérios ESG já fazem parte da avaliação técnica de propriedades.[6][14] Na edição mais recente, saúde do solo, eficiência no uso de recursos naturais e impacto social nas comunidades foram fatores decisivos na escolha das vencedoras.[6]

O que observar daqui pra frente

Para quem produz soja e outros grãos, a agenda de regeneração do solo tende a ganhar peso em três frentes: financiamento, certificação e mercado. Programas de crédito rural com juros menores para quem adota práticas de baixa emissão, iniciativas de remuneração por carbono e exigências de rastreabilidade em exportações podem favorecer propriedades com sistemas regenerativos consolidados. Vale acompanhar linhas específicas de crédito sustentável, protocolos de certificação ligados a solo e carbono, e oportunidades em contratos que valorizem produtores com manejo capaz de enfrentar eventos climáticos mais extremos com menor risco produtivo.

Fontes

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