Agro cobra crédito, seguro e infraestrutura do próximo presidente
Setor aponta endividamento, eventos climáticos, insumos importados e imagem negativa como prioridades para o próximo governo.

O agronegócio brasileiro espera que o próximo presidente enfrente gargalos que limitam investimentos e aumentam o risco da atividade. Entre as prioridades estão o endividamento rural, o seguro agrícola, os eventos climáticos extremos, a dependência de fertilizantes importados e a imagem negativa do setor.
O que aconteceu
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que os problemas não serão resolvidos em apenas um mandato. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) reuniu cinco frentes de políticas públicas, incluindo financiamento, infraestrutura, insumos, clima e abertura de mercados.
O crédito está entre os principais pontos de pressão. Segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, juros elevados, aumento dos pedidos de recuperação judicial e maior percepção de risco fizeram os bancos ficarem mais seletivos.
Esse movimento reduz a capacidade de investimento antes do plantio. O produtor endividado pode cortar a área cultivada, adiar a compra de máquinas ou usar menos tecnologia, comprometendo a produtividade das próximas safras.
Por que importa para o agro
A cobertura de seguro rural ainda é restrita. Apenas 3% da produção agropecuária está protegida, segundo Serigati. Com eventos climáticos mais severos, a baixa cobertura transfere grande parte do risco para o produtor, as tradings, os bancos e o governo.
A dependência externa de fertilizantes também deixa os custos vulneráveis a guerras, oscilações cambiais e problemas logísticos. A redução no uso de adubos pode afetar produtividade, renda no campo e preços de alimentos, especialmente em culturas de maior exigência nutricional.
Dados e contexto
- A FGV Agro aponta juros altos e endividamento como fatores que encarecem e restringem o crédito rural.
- Apenas 3% da produção agropecuária conta com seguro, conforme estimativa apresentada na reportagem.
- A Abag defende políticas para financiamento, seguro, infraestrutura, insumos e mercados externos.
- A agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior, segundo o IBGE.
- A dependência de fertilizantes importados continua entre os principais riscos estruturais do setor.
O que observar daqui para frente
O próximo governo deverá ser avaliado pela capacidade de ampliar o seguro rural, reorganizar dívidas sem estimular inadimplência, melhorar estradas e armazenagem e reduzir a vulnerabilidade dos insumos importados. Também será necessário acompanhar a política de juros, o comportamento do clima e a abertura de novos mercados. Medidas pontuais terão efeito limitado se não vierem acompanhadas de planejamento de longo prazo.
Fontes
- G1 – Do endividamento à imagem ruim: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente
- IBGE – Contas Nacionais Trimestrais
- MAPA – Seguro Rural
- g1.globo.com
- g1.globo.com
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