Sustentabilidade

Agro pode liderar expansão de florestas no Brasil na próxima década

Estudo indica que o agronegócio pode ser o principal motor da restauração e expansão florestal no Brasil, combinando produção, mercado de carbono e metas climáticas.

03 de junho de 2026 4 min de leitura
Agro pode liderar expansão de florestas no Brasil na próxima década

Um estudo recente aponta que o agronegócio brasileiro pode se tornar um dos principais vetores de expansão de florestas no país nos próximos dez anos, combinando restauração ecológica, sistemas produtivos com árvores e mercado de carbono. O movimento é impulsionado por metas climáticas, pressão de compradores globais e pela necessidade de dar uso econômico a áreas hoje subutilizadas.

O que aconteceu

O levantamento, conduzido por uma consultoria especializada em clima e uso da terra, analisou cenários de restauração, reflorestamento comercial e adoção de sistemas agroflorestais e ILPF em diferentes biomas. A conclusão é que a expansão de florestas no Brasil tende a ocorrer principalmente em áreas já abertas, degradadas ou de baixa produtividade, muitas delas dentro da fronteira agrícola.

O estudo projeta milhões de hectares com potencial para receber árvores em propriedades rurais, seja para recuperação de áreas de preservação permanente e reserva legal, seja para florestas comerciais e sistemas integrados. A combinação de produtividade agrícola, crédito rural verde e demanda por remoção de carbono torna o agro o principal candidato a ocupar esse espaço.

Outro ponto central é a conexão com compromissos climáticos do Brasil, como a restauração de 12 milhões de hectares de florestas prevista na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) no Acordo de Paris. A maior parte desse esforço, segundo o estudo, dificilmente acontecerá sem forte participação do setor agropecuário, responsável pela gestão da maior parcela do território privado.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a expansão de florestas deixa de ser apenas custo ambiental e passa a ser oportunidade de renda e valorização do ativo terra. Sistemas com árvores podem gerar madeira, biomassa, frutas, castanhas e créditos de carbono, além de melhorar solo, água e microclima, reduzindo riscos produtivos no médio prazo.

Ao mesmo tempo, cadeias de soja, carne e fibras enfrentam exigências crescentes de desmatamento zero, rastreabilidade e redução de emissões. Quem conseguir combinar produtividade com restauração e conservação tende a preservar acesso a mercados premium, taxas melhores de financiamento e contratos com grandes tradings e indústrias.

Dados e contexto

Estudos de Embrapa e MapBiomas mostram que o Brasil tem dezenas de milhões de hectares de pastagens com baixa produtividade, com forte potencial para intensificação e integração com árvores.

A NDC brasileira prevê:

  • 12 milhões ha de restauração e reflorestamento
  • 5 milhões ha em sistemas integrados (ILPF)
Organismos como IPCC e FAO indicam que soluções baseadas na natureza, incluindo florestas e agroflorestas, respondem por parcela relevante e de baixo custo do potencial global de mitigação de gases de efeito estufa até 2050.

No mercado, o avanço de iniciativas privadas de descarbonização aumenta a demanda por projetos florestais confiáveis, com monitoramento robusto e benefícios sociais e ambientais. Isso abre espaço para cooperativas, associações e empresas do agro estruturarem carteiras de projetos em escala.

Em muitos estados, programas de regularização ambiental e de PSA (pagamento por serviços ambientais) começam a remunerar produtores que restauram APPs, reservas legais e áreas de recarga hídrica. A tendência é que esses instrumentos se somem ao crédito rural verde e a linhas específicas para sistemas florestais e integrados.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas que mapearem áreas degradadas, organizarem projetos florestais economicamente viáveis e se alinharem a programas de carbono e PSA devem sair na frente. O risco é ficar de fora por falta de regularização ambiental, baixa governança de dados ou projetos mal estruturados, enquanto compradores e financiadores passam a priorizar quem já integra árvores e restauração ao modelo de negócio.

Fontes

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