Gestão

Agro precisa apresentar propostas concretas para dialogar com Lula

Ademiro Vian defende que o agro organize prioridades e leve ao governo propostas objetivas sobre crédito, seguro, infraestrutura e competitividade.

27 de outubro de 2026 4 min de leitura
Agro precisa apresentar propostas concretas para dialogar com Lula

O agronegócio precisa substituir reclamações genéricas por uma agenda objetiva para negociar com o governo Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é de Ademiro Vian, que defende prioridades claras, metas possíveis e acompanhamento regular das medidas prometidas ao setor.

A estratégia pode influenciar decisões sobre crédito rural, seguro, infraestrutura, armazenagem e segurança jurídica. Para o produtor, o resultado do diálogo dependerá menos de discursos e mais da capacidade das entidades de apresentar soluções com custo, prazo e fonte de recursos definidos.

O que aconteceu

Ademiro Vian afirmou que o agro deve organizar suas principais demandas antes de procurar o governo. A proposta é separar problemas emergenciais, medidas de médio prazo e projetos estruturantes para os próximos anos.

Entre os temas prioritários estão a previsibilidade do crédito, o fortalecimento do seguro rural, a renegociação de dívidas e a melhoria da infraestrutura. O setor também precisa tratar de logística, armazenagem, conectividade e regras ambientais que afetam o acesso a mercados.

A defesa é por um relacionamento institucional contínuo. Em vez de buscar o governo apenas durante crises climáticas ou financeiras, as cadeias produtivas deveriam apresentar uma agenda e revisar o cumprimento das medidas em intervalos regulares.

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Por que importa para o agro

O produtor depende de políticas públicas para reduzir riscos que não controla, como estiagens, excesso de chuva, juros elevados e interrupções logísticas. Sem planejamento, problemas de caixa tendem a resultar em renegociações sucessivas, perda de renda e menor capacidade de investimento.

O diálogo também interessa ao governo. Propostas detalhadas ajudam a definir quais programas devem receber recursos e quais mudanças regulatórias podem melhorar o ambiente de negócios. Para funcionar, porém, a agenda precisa representar diferentes cadeias, regiões e perfis de produtores.

A interlocução não elimina divergências políticas. Ela cria um canal para discutir resultados práticos, como custo do financiamento, cobertura do seguro, prazo de obras e redução da burocracia. A prioridade deve ser transformar demandas setoriais em políticas mensuráveis.

Dados e contexto

O programa apresentado por Lula para o agro prevê ampliar o crédito rural, buscar juros compatíveis com a rentabilidade das atividades e diversificar as fontes de financiamento por meio do mercado de capitais e de títulos do agronegócio.[1]

Também aparecem propostas para máquinas, irrigação, agricultura de precisão, recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta, conectividade, biocombustíveis e fortalecimento da pesquisa agropecuária.[1]

  • Crédito: redução do custo financeiro e simplificação do acesso.
  • Seguro rural: maior previsibilidade para proteger a renda diante de eventos climáticos.
  • Infraestrutura: investimentos em estradas, ferrovias, portos, energia e armazenagem.
  • Sustentabilidade: rastreabilidade, recuperação de áreas degradadas e adaptação climática.
  • Governança: definição de responsáveis, prazos e indicadores para acompanhar resultados.
A Frente Parlamentar da Agropecuária também defende a retomada do diálogo com o governo e cita o seguro rural como uma das pautas que precisam avançar.[2]

O que observar daqui para frente

O principal indicador será a conversão das propostas em medidas com orçamento, cronograma e público definido. Entidades do agro devem apresentar uma agenda conjunta e acompanhar sua execução no Congresso e no Executivo. Para o produtor, será necessário observar as regras do Plano Safra, a disponibilidade de seguro e as condições para renegociação de dívidas.

Fontes

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