Gestão

Agro precisa trocar egossistemas por ecolideranças

Articulação entre produtores, empresas, governo, ciência e cooperativas será decisiva para ampliar a competitividade e a sustentabilidade do agro brasileiro.

07 de novembro de 2026 4 min de leitura
Agro precisa trocar egossistemas por ecolideranças

O agronegócio brasileiro precisa substituir ações isoladas por uma estratégia coordenada entre produtores, empresas, governo, cooperativas, ciência e educação. A tese apresentada pelo especialista José Luiz Tejon diferencia as ecolideranças, capazes de integrar cadeias e interesses, das “egolideranças”, que priorizam projetos próprios. A mudança importa porque competitividade, segurança alimentar e sustentabilidade já dependem de cooperação.

O que aconteceu

A análise defende que o agro não pode continuar funcionando como um conjunto de setores desconectados. Produção, indústria, comércio, serviços, logística, pesquisa e representação precisam atuar como partes de um mesmo ecossistema. O desempenho individual de empresas ou entidades não garante, sozinho, força para disputar mercados globais.

O conceito de ecoliderança propõe uma liderança voltada à coordenação. Isso inclui construir planos de Estado, alinhar políticas públicas e privadas e participar das decisões internacionais sobre segurança alimentar, sustentabilidade e responsabilidade social.

A crítica às egolideranças não é dirigida apenas ao setor público. O setor privado também precisa assumir responsabilidades, apresentar soluções e deixar de esperar respostas exclusivamente dos governos. A proposta é formar uma agenda comum para elevar o valor das cadeias agropecuárias brasileiras, estimado no artigo em cerca de US$ 600 bilhões, com potencial de superar US$ 1 trilhão.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a falta de coordenação aparece em problemas práticos: dificuldade de acesso a crédito, assistência técnica fragmentada, baixa conexão com mercados, desperdícios logísticos e exigências ambientais tratadas sem padrão. Uma atuação integrada pode reduzir custos, acelerar a adoção de tecnologia e melhorar a previsibilidade das decisões.

A sustentabilidade também exige cooperação. O Plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, prevê a expansão de práticas de adaptação climática e baixa emissão de carbono até 2030. A execução depende de pesquisa, financiamento, capacitação, monitoramento e adesão dos produtores. Sem integração, metas nacionais se tornam iniciativas dispersas.

Dados e contexto

  • O Plano ABC+ tem como referência a disseminação de tecnologias de baixa emissão em 72 milhões de hectares até 2030, com aumento da produtividade em áreas já consolidadas.
  • Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta ocupavam cerca de 17 milhões de hectares, segundo informações divulgadas pela Embrapa.
  • A Embrapa relaciona a descarbonização do agro a tecnologias como plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, bioinsumos, controle biológico e integração de atividades.
  • O Brasil pode ampliar a produção por três caminhos: ganho de produtividade, uso mais eficiente das áreas e adoção de sistemas produtivos integrados.
DesafioResposta coordenada
Mudanças climáticasTecnologias de baixa emissão e adaptação
Exigências de mercadoRastreabilidade, padrões e comprovação
Baixa produtividadePesquisa, assistência técnica e gestão
Fragmentação institucionalMetas compartilhadas e governança

A participação de cooperativas, federações, confederações, universidades e órgãos de pesquisa é decisiva para transformar conhecimento em resultado no campo. A liderança precisa conectar essas estruturas às necessidades reais das propriedades.

O que observar daqui para frente

O avanço das ecolideranças será medido por entregas concretas: programas conjuntos, crédito direcionado, métricas ambientais confiáveis, integração de dados e acesso mais simples à tecnologia. O principal risco é manter discursos de união sem governança, metas e responsabilidades definidas. A oportunidade está em transformar coordenação em produtividade, valor agregado e maior credibilidade internacional para o agro brasileiro.

Fontes

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