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Agro vê avanço de Flávio e cobra interlocução com a campanha

Setor considera positiva a liderança de Flávio no primeiro turno, mas cobra um interlocutor formal para discutir propostas e prioridades do agro.

05 de outubro de 2026 4 min de leitura
Agro vê avanço de Flávio e cobra interlocução com a campanha

O agronegócio recebeu de forma positiva a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Para o setor, o resultado reduz incertezas políticas, mas não encerra a necessidade de diálogo com as campanhas.

A principal cobrança é pela indicação de um interlocutor formal para tratar das demandas do agro. O representante teria a função de organizar propostas, encaminhar prioridades e manter uma ponte permanente entre produtores, entidades e os candidatos.

O que aconteceu

Segundo Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, o avanço de Flávio foi interpretado como um alívio por parte de lideranças rurais. A avaliação reflete a preferência de segmentos do setor por uma agenda mais alinhada à oposição ao governo atual.

A liderança, porém, não significa apoio automático a qualquer proposta. O agro espera clareza sobre temas como crédito rural, seguro, endividamento, infraestrutura, comércio exterior, segurança no campo e regras ambientais.

Cogo afirmou que a definição de um nome para conversar com o setor pode ganhar velocidade no segundo turno. A interlocução também será necessária caso Flávio vença a eleição, para transformar compromissos de campanha em medidas de governo.

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Por que importa para o agro

A ausência de um canal definido aumenta o risco de que as demandas do campo sejam tratadas apenas de forma pontual durante a campanha. Produtores e empresas precisam acompanhar propostas com impacto direto sobre custos, investimentos, exportações e acesso a financiamento.

O setor também busca previsibilidade. Decisões sobre tarifas, políticas ambientais, licenciamento, infraestrutura logística e relações comerciais podem alterar margens e competitividade. Um interlocutor com poder de articulação facilita a negociação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ministérios e órgãos reguladores.

A expectativa mencionada por Cogo é de continuidade do modelo de interlocução adotado entre 2019 e 2022. Naquele período, a FPA teve participação relevante na articulação de pautas do setor e na escolha de representantes para o Ministério da Agricultura.

Dados e contexto

  • Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, mas os dois candidatos avançaram para a segunda etapa da eleição.
  • Com a apuração avançada, Flávio registrava cerca de 47,5% dos votos válidos, contra aproximadamente 44,7% de Lula, segundo os resultados divulgados após a votação.
  • O segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026.
  • A FPA reúne parlamentares ligados às principais cadeias produtivas do país e costuma atuar em temas como crédito, defesa agropecuária, legislação ambiental e comércio.
  • A Cogo Inteligência em Agronegócio acompanha indicadores e tendências econômicas das cadeias agrícolas e pecuárias.
O resultado eleitoral ainda não define a política agrícola do próximo governo. A execução dependerá da composição do Congresso, da equipe ministerial e da capacidade de transformar promessas em orçamento, regulamentação e programas operacionais.

O que observar daqui pra frente

O agro deve acompanhar a escolha dos interlocutores, o conteúdo dos programas de governo e as alianças formadas para o segundo turno. Também será necessário verificar se as campanhas apresentarão medidas concretas para renda, crédito, seguro rural, logística e defesa sanitária. Para o produtor, a oportunidade está em pressionar por compromissos objetivos; o risco é a pauta setorial ficar restrita ao discurso eleitoral.

Fontes

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