Gestão

Agropocket Grande Oeste coloca mulheres no centro do debate do agro

Evento em Chapecó destaca histórias e liderança de mulheres no agronegócio e reforça espaço feminino em decisões no campo.

27 de agosto de 2026 4 min de leitura
Agropocket Grande Oeste coloca mulheres no centro do debate do agro

O Agropocket Grande Oeste, realizado em Chapecó, em Santa Catarina, dedicou sua segunda edição ao tema “Mulheres do Agro”, reunindo produtoras, gestoras e profissionais da cadeia do agronegócio. O encontro colocou em evidência histórias reais, desafios de gestão e caminhos para ampliar a presença feminina nas decisões dentro e fora da porteira.

O que aconteceu

O evento ocorreu no Pollen Parque Científico e Tecnológico, em Chapecó, com foco em liderança, gestão e protagonismo feminino no agronegócio. A proposta foi reunir cerca de 50 mulheres de diferentes elos da cadeia, da produção à indústria e serviços, para troca direta de experiências e networking.

A programação incluiu a palestra “Mulheres que transformam”, com reflexões sobre autoliderança, tomada de decisão e construção de carreira no campo. Casos práticos mostraram como produtoras assumiram a gestão das propriedades, modernizaram processos e passaram a negociar insumos, crédito e venda de produção de forma mais profissional.

Também houve espaço para debates sobre sucessão familiar, conciliação entre rotina no campo e família, além do uso de tecnologia e capacitação como alavancas para consolidar a presença feminina em cargos estratégicos nas fazendas e empresas do agro.

Por que importa para o agro

A ampliação do protagonismo feminino no agro tem impacto direto em gestão, produtividade e governança das propriedades. Estudos citados por iniciativas do setor mostram que mais de um milhão de mulheres administram fazendas no Brasil, representando cerca de 19% das propriedades rurais, segundo o IBGE, e participam de decisões que influenciam investimento, crédito e adoção de tecnologia.

Eventos como o Agropocket Grande Oeste ajudam a acelerar esse movimento ao criar rede de apoio, formação e visibilidade. Para o produtor, isso significa maior profissionalização da gestão, diversificação de liderança dentro da família e maior capacidade de leitura de mercado, pontos críticos em um cenário de custos elevados, margens pressionadas e necessidade de planejamento mais fino.

Dados e contexto

Nos últimos anos, pesquisas e iniciativas de mercado mostram avanço constante na presença feminina no agronegócio:

  • Segundo o IBGE, mulheres já são responsáveis por cerca de 19% das propriedades rurais brasileiras.
  • Levantamentos setoriais indicam que mais de 1 milhão de mulheres administram mais de 30 milhões de hectares, algo em torno de 8% a 9% da área produtiva nacional.
  • Estudos de consultorias e entidades apontam crescimento de quase 80% no número de mulheres em cargos de liderança no agro em cerca de sete anos, com participação aproximada de um terço das posições de chefia e coordenação em empresas do setor.
  • Em rankings recentes de melhores empresas para trabalhar no agronegócio, a participação feminina em cargos de média liderança já se aproxima de 30%, mesmo com quadro geral ainda majoritariamente masculino.
Esses números mostram uma mudança estrutural: a mulher deixa de atuar apenas em funções de apoio e passa a ocupar gestão financeira, planejamento, compras, comercialização e governança das propriedades, além de posições em cooperativas, tradings, revendas e indústrias de insumos.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor e para toda a cadeia, a tendência é de fortalecimento de redes de mulheres do agro, programas de capacitação específicos e ampliação da presença feminina em conselhos, cooperativas e associações. Quem envolver mais mulheres em decisões estratégicas na fazenda tende a ganhar em organização, controle de custos, visão de longo prazo e acesso a novas oportunidades de mercado, especialmente em temas ligados a ESG, crédito rural e certificações.

Fontes

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