Gestão

Ex-goleiro troca os gramados pela produção de café e mira liderança no setor

Ex-goleiro profissional deixa o futebol, assume negócio familiar de café e transforma rotina na lavoura em marca e audiência nas redes.

06 de setembro de 2026 4 min de leitura
Ex-goleiro troca os gramados pela produção de café e mira liderança no setor

Aos 26 anos, um ex-goleiro profissional decidiu encerrar a carreira nos clubes e assumir o comando da produção de café da família. A mudança de rota virou oportunidade de negócio: a marca própria de cafés especiais, a gestão compartilhada com parentes e o uso intenso das redes sociais já atraem mais de 1 milhão de seguidores, aproximando o consumidor urbano da rotina no campo.

O que aconteceu

Depois de anos em categorias de base e clubes profissionais, o goleiro optou por sair dos gramados e voltar para a origem da família: a cafeicultura. Ele passou a trabalhar ao lado do avô e do tio na propriedade, cuidando de manejo, colheita e pós-colheita, mas também da gestão da marca e das vendas diretas ao consumidor.

A família lançou a marca Sítio Helena, focada em cafés arábica de maior valor agregado, com torra própria e posicionamento em qualidade. A irmã e o tio dividem a administração da marca, enquanto o ex-atleta participa da rotina da lavoura e aparece como rosto do negócio, conectando campo e consumidor.

Nas redes sociais, o produtor mostra o dia a dia da fazenda, treinos de triatlo e bastidores da produção. O conteúdo constante e visual, somado à história de mudança de carreira, criou uma comunidade digital que acompanha desde o plantio até a xícara. O resultado é aumento de audiência e de demanda pelos cafés da família.

Imagem

Por que importa para o agro

A história mostra como a sucessão familiar no campo pode ser uma alternativa real para jovens que saem de outras profissões. Ao assumir funções de gestão, comunicação e comercialização, o ex-goleiro ajuda a profissionalizar um negócio tradicional e a fortalecer a marca na cadeia do café.

O uso das redes sociais como vitrine da fazenda exemplifica uma tendência no agro: produtores se tornam criadores de conteúdo, explicam manejo, colheita e qualidade, e encurtam a distância entre campo e consumidor final. Essa estratégia pode ampliar margem, reduzir dependência de intermediários e reforçar a imagem do café brasileiro no mercado interno e externo.

Dados e contexto

Segundo a Conab, o Brasil é o maior produtor de café do mundo, com mais de 50 milhões de sacas na safra 2025/26, somando arábica e conilon. A maior parte vem de propriedades familiares, o que torna a sucessão e a gestão profissional pontos críticos para a sustentabilidade do setor.

A Embrapa Café destaca que o segmento de cafés especiais cresce acima da média, puxado por consumidores que buscam rastreabilidade, origem e história do produtor. Nessa faixa de mercado, marcas pequenas com forte identidade têm espaço para praticar preços superiores ao café commodity.

O caso da marca Sítio Helena se insere nesse movimento. A fazenda trabalha com dezenas de milhares de pés de arábica e foca em qualidade de bebida, seleção de lotes e torra cuidadosa, alinhada às recomendações técnicas para cafés especiais. O produtor aproveita a disciplina do esporte para organizar rotina, treinos e tarefas na lavoura.

A presença digital forte também segue uma tendência do agro brasileiro. Pesquisas de instituições ligadas ao setor mostram aumento do uso de redes sociais por agricultores para vender direto, fazer parcerias com cafeterias e influenciadores e educar o consumidor sobre diferenças entre tipos de café.

O que observar daqui pra frente

Para produtores de café, o exemplo sinaliza oportunidades em três frentes: sucessão familiar planejada, entrada em cafés especiais e construção de marca com apoio de redes sociais. Riscos como oscilação de preços, clima e custos de produção continuam, mas estratégias de diferenciação, venda direta e comunicação eficiente podem melhorar a rentabilidade e criar negócios mais resilientes, sobretudo para jovens que decidem permanecer ou retornar ao campo.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo