Autofagia eleitoral e o Brasil real fora da propaganda
Coluna critica o uso da máquina pública na disputa eleitoral e alerta para o distanciamento entre o Brasil da propaganda e o país real que produz e sustenta a economia.
A coluna do Canal Rural aponta que o Brasil vive uma espécie de autofagia eleitoral: governo e oposição gastam energia para destruir adversários, enquanto o país real enfrenta juros altos, insegurança jurídica, carga tributária pesada e falta de infraestrutura. Esse descolamento entre o Brasil da propaganda e o Brasil produtivo atinge em cheio o agronegócio, que depende de previsibilidade, crédito e logística funcional.
O que aconteceu
O artigo critica a temporada eleitoral em que programas de TV e rádio vendem um país cenográfico, com promessas fáceis e pouco debate sobre reformas estruturais. Enquanto partidos trocam acusações e disputam narrativas, temas como reforma tributária completa, revisão do gasto público e modernização do Estado seguem empacados.
A coluna descreve esse processo como autofagia política: instituições e lideranças consomem tempo e capital político em guerras internas, em vez de construir consensos mínimos para destravar investimentos, melhorar o ambiente de negócios e enfrentar gargalos históricos de produtividade.
O texto também destaca que a disputa eleitoral ocorre sobre um cenário de economia fragilizada, com endividamento elevado, juros ainda altos e percepção crescente de insegurança para quem investe e gera riqueza. Nesse quadro, o país que aparece na propaganda eleitoral não representa o cotidiano de quem produz.
Por que importa para o agro
O agronegócio depende de estabilidade institucional, crédito acessível e infraestrutura mínima para escoar safras. Quando a política entra em modo autofágico, reformas travam, decisões regulatórias atrasam e programas essenciais, como o Plano Safra, ficam mais sujeitos a disputas de curto prazo do que a uma visão de longo prazo.
Em ano eleitoral, Congresso e governo tendem a priorizar pautas de apelo imediato, deixando em segundo plano marcos regulatórios que afetam logística, licenciamento ambiental, concessões de ferrovias, energia e saneamento. Para o produtor, isso se traduz em custo maior, risco jurídico e dificuldade de planejamento de investimentos em tecnologia e expansão de área.
Dados e contexto
Segundo a Conab, o Brasil colheu cerca de 310 a 320 milhões de toneladas de grãos nas últimas safras, consolidando o país entre os maiores exportadores globais de soja, milho e carne.
De acordo com o IBGE, o agronegócio responde, direta e indiretamente, por quase 25% do PIB brasileiro, considerando toda a cadeia de insumos, produção, indústria e serviços.
O USDA projeta o Brasil como líder mundial em exportação de soja e um dos dois maiores exportadores de milho na próxima década, o que coloca o país no centro da segurança alimentar global.
O MAPA destaca que o crédito rural oficial supera R$ 400 bilhões por safra, com forte participação de recursos equalizados e linhas que dependem de orçamento público e de previsibilidade de política agrícola.
A Embrapa mostra que ganhos de produtividade explicam grande parte do crescimento da produção, mas alerta que gargalos logísticos e insegurança regulatória reduzem a competitividade e encarecem o custo-Brasil.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Participação do agro no PIB (IBGE) | ~25% da economia |
| Produção de grãos (Conab) | 310–320 mi t/safra | | Crédito rural/ano (MAPA) | > R$ 400 bi | | Posição em soja (USDA) | 1º exportador mundial |
O que observar daqui pra frente
Para o produtor rural e para toda a cadeia do agro, o ponto-chave é acompanhar se, passado o período de propaganda, haverá disposição real de governo e Congresso para enfrentar reformas estruturais, reduzir o custo-Brasil e oferecer segurança jurídica. Se prevalecer a lógica da autofagia eleitoral, o Brasil produtivo seguirá fazendo seu papel apesar do Estado; se houver mudança de rota, abre-se espaço para novos investimentos, maior competitividade e consolidação do país como potência agroalimentar de forma sustentável.
Fontes
Continue lendo
Mais opções de crédito dão fôlego ao produtor na safra 2026/27
Com mais alternativas de financiamento, o produtor ganha margem para planejar o caixa, travar custos e decidir melhor o ritmo dos investimentos.
Sucessão familiar fortalece granja de suínos e amplia produção no RS
Família gaúcha supera endividamento, expande granja de suínos e já prepara terceira geração para assumir o negócio.
Ex-goleiro troca os gramados pela produção de café e mira liderança no setor
Ex-goleiro profissional deixa o futebol, assume negócio familiar de café e transforma rotina na lavoura em marca e audiência nas redes.