Sustentabilidade

Bagaço de uva vira biofertilizante e turbina antioxidantes em flor comestível

Pesquisa da Unicamp e UFPR transforma bagaço de uva em biofertilizante que aumenta em mais de 250% o betacaroteno em calêndula comestível.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Bagaço de uva vira biofertilizante e turbina antioxidantes em flor comestível

Pesquisadores da Unicamp e da UFPR desenvolveram um biofertilizante líquido à base de bagaço de uva que aumenta em mais de 250% a concentração de betacaroteno em flores de calêndula pôr do sol (Calendula officinalis L.). O insumo, obtido por digestão anaeróbia do resíduo da vinificação, melhora o desenvolvimento das plantas e eleva o teor de compostos antioxidantes, abrindo caminho para agregar valor ao bagaço de uva e ao mercado de flores comestíveis.

O que aconteceu

O estudo aproveitou o bagaço de uva, principal resíduo da produção de vinho, como matéria-prima para produzir um digestato, biofertilizante líquido rico em nutrientes. Esse material foi aplicado em cultivos de calêndula pôr do sol em diferentes épocas do ano, comparando o desempenho com o manejo convencional sem uso do resíduo.

Nos ensaios de verão, o uso do biofertilizante elevou drasticamente a concentração de betacaroteno nas flores liofilizadas, alcançando até 80,9 mg por 100 g de flor. O aumento passou de 250% em relação às plantas conduzidas sem o digestato. Além do betacaroteno, houve incremento nos níveis de compostos fenólicos totais e na atividade antioxidante, indicando flores mais ricas em substâncias bioativas.

Os pesquisadores destacam que o bagaço de uva ainda é pouco aproveitado na cadeia da vitivinicultura, apesar de concentrar fibras, açúcares, compostos fenólicos, antioxidantes e pigmentos naturais. Ao transformá-lo em biofertilizante, o estudo mostra uma rota de uso com foco em nutrição de plantas e geração de alimentos funcionais.

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Por que importa para o agro

Para o produtor de uva, o resultado aponta uma alternativa concreta para valorizar resíduos da vinificação, reduzindo custos com descarte e criando novos produtos. Em vez de ser apenas um passivo ambiental, o bagaço passa a ser insumo para biofertilizantes, com potencial de uso em flores comestíveis, hortaliças e outras culturas de nicho.

Para o mercado, flores comestíveis enriquecidas com betacaroteno e compostos antioxidantes ganham apelo em gastronomia, nutrição e indústria de alimentos funcionais. Isso abre espaço para contratos entre vinícolas, agricultores familiares e restaurantes, além de estimular cadeias curtas e sistemas integrados de produção.

Dados e contexto

O bagaço de uva é gerado em grandes volumes pela cadeia de suco e vinho. Estudos brasileiros já mostram seu alto potencial antioxidante e presença relevante de compostos fenólicos, reforçando a viabilidade de uso em alimentos e insumos de alto valor agregado.

No experimento com calêndula pôr do sol, o digestato à base de bagaço de uva apresentou:

  • Até 80,9 mg de betacaroteno / 100 g de flor liofilizada.
  • Aumento superior a 250% no betacaroteno em comparação ao cultivo sem o biofertilizante.
  • Maior atividade antioxidante e crescimento mais vigoroso das plantas.
Pesquisas de instituições como Embrapa já investigam o aproveitamento de subprodutos da uva para extração de compostos bioativos e formulação de insumos agrícolas, indicando uma tendência de uso integral da matéria-prima na vitivinicultura. O avanço dos biofertilizantes se soma a políticas de agricultura de baixo carbono e à pressão por redução de resíduos em cadeias agroindustriais.
Indicador da calêndula pôr do solResultado com biofertilizante de bagaço de uva
Betacaroteno nas floresaté **80,9 mg / 100 g**
Variação vs. cultivo convencional**>250%** de aumento
Perfil antioxidantemais elevado, com mais compostos fenólicos

O que observar daqui pra frente

O próximo passo é testar esse biofertilizante em outras culturas, ajustar doses e manejo e avaliar custo de produção em escala comercial. Para o setor, vale acompanhar ensaios de campo, regulamentação de insumos orgânicos pelo MAPA e possíveis parcerias entre vinícolas, cooperativas e produtores de flores comestíveis, já que o modelo pode transformar um resíduo abundante em fonte de renda adicional e insumo estratégico para sistemas de produção mais sustentáveis.

Fontes

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