Sustentabilidade

Calor extremo avança mais de 3 ºC na Amazônia em 42 anos e pressiona o agro

Pesquisa mostra aumento superior a 3 ºC nas temperaturas extremas da Amazônia em quatro décadas, elevando riscos para produção agropecuária e recursos hídricos.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Calor extremo avança mais de 3 ºC na Amazônia em 42 anos e pressiona o agro

A temperatura máxima durante a estação seca na Amazônia aumentou mais de 3 ºC em cerca de quatro décadas, segundo pesquisa publicada em revista científica internacional. O estudo mostra que o calor extremo está avançando mais rápido que a média global e já atinge áreas preservadas, com impacto direto sobre água, biodiversidade e produção agropecuária.

O que aconteceu

Pesquisadores analisaram dados climáticos da Amazônia entre 1981 e 2023 e constataram que as temperaturas extremas na estação seca sobem, em média, cerca de 0,5 ºC por década em grande parte do bioma. Em uma faixa de aproximadamente 10% da bacia amazônica, o aquecimento chega a 0,77 ºC por década, acumulando mais de 3 ºC de alta nas máximas em pouco mais de 40 anos.

Enquanto a temperatura média anual da região cresce em torno de 0,21 ºC por década, o calor mais intenso avança em ritmo mais que duas vezes superior. Isso significa que o número de dias muito quentes aumenta e os picos de temperatura ficam mais severos justamente no período de maior estresse hídrico.

Os dados indicam ainda que áreas com maior perda de vegetação apresentam aquecimento de até 3 ºC na estação seca e redução de até 25% nas chuvas, em comparação com regiões de alta cobertura florestal. O fenômeno está ligado tanto ao aquecimento global quanto ao desmatamento e à mudança no uso do solo.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o avanço do calor extremo na Amazônia significa mais risco de estresse hídrico, queda de produtividade e custos maiores com irrigação e manejo. Culturas sensíveis ao calor, pastagens e sistemas integrados podem sofrer com maior mortalidade de plantas, perda de peso de animais e aumento de doenças.

O aquecimento também afeta o regime de chuvas que abastece outras regiões produtoras do país, já que a Amazônia atua como grande reguladora climática. Menos floresta e mais calor extremo tendem a reduzir a umidade transportada para áreas de soja, milho e pecuária no Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, pressionando margens e ampliando a volatilidade de safra.

Dados e contexto

IndicadorValor aproximado
Alta nas temperaturas extremas da Amazônia**0,5 ºC por década**
Aquecimento em 10% da bacia (período seco)**0,77 ºC por década**
Aumento acumulado nas máximas extremas**> 3 ºC em ~42 anos**
Crescimento da temperatura média anual**0,21 ºC por década**
Redução de chuvas em áreas desmatadas**até 25%**
Alta média de temperatura em áreas desmatadas**cerca de 3 ºC na estação seca**

Instituições como WWF-Brasil e Agência Fapesp divulgam resultados semelhantes, apontando aquecimento rápido na Amazônia e aumento de eventos climáticos extremos. Estudos de clima no Brasil indicam tendência de alta nas temperaturas máximas diárias, com mais dias acima de 35 ºC em diferentes regiões.

Pesquisas publicadas em revistas como Communications Earth & Environment mostram que o desmatamento responde por parcela relevante da redução das chuvas e do aumento da temperatura de superfície no bioma. Em cenário de continuidade das emissões e da perda florestal, modelos projetam aquecimento de 3 ºC a 5 ºC na Amazônia até o fim do século, ampliando o risco de savanização.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto a evolução dos extremos de temperatura e da disponibilidade hídrica na Amazônia e áreas de influência. Ganham relevância o planejamento climático de safra, investimentos em manejo adaptativo, recuperação de áreas degradadas e políticas de combate ao desmatamento, que reduzem o risco de quebra ampla de produção e de instabilidade em cadeias como grãos, carne e fibras.

Fontes

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