Sustentabilidade

Belterra busca R$ 800 milhões para transformar pasto em agroflorestas de cacau

Belterra quer captar R$ 800 milhões para converter pastagens degradadas em 15 mil ha de agroflorestas de cacau, conectando investidores ao produtor da Amazônia.

24 de maio de 2026 4 min de leitura
Belterra busca R$ 800 milhões para transformar pasto em agroflorestas de cacau

A Belterra Agroflorestas quer captar cerca de R$ 800 milhões para ampliar em 15 mil hectares sua área de sistemas agroflorestais com cacau na Amazônia, convertendo pastagens degradadas em áreas produtivas. O modelo conecta investidores a pequenos e médios produtores e promete gerar renda com cacau, madeira e créditos ligados a serviços ambientais.

O que aconteceu

A empresa, liderada por Valmir Ortega, já opera projetos agroflorestais com cacau e espécies madeireiras em áreas antes ocupadas por pasto. Agora, prepara uma nova rodada de captação para acelerar a implantação de novos módulos de agrofloresta em diferentes regiões da Amazônia brasileira.

O plano é estruturar veículos de investimento que combinem capital de impacto, recursos climáticos e financiamento tradicional, em parceria com bancos públicos e privados. A Belterra já atraiu instituições como BNDES e fundos especializados em sustentabilidade e quer escalar o modelo para alcançar milhares de produtores.

Segundo a companhia, os projetos envolvem contratos de longo prazo com agricultores, que cedem ou integram áreas de pastagem degradada e passam a receber assistência técnica, insumos e manejo. A Belterra entra com o desenho do sistema agroflorestal, a gestão e a ponte com o capital.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o modelo abre uma alternativa de renda em áreas de baixa produtividade, sem depender apenas de boi em pasto degradado. Agroflorestas com cacau oferecem receita recorrente, diversificação com madeira legal e potencial de remuneração por serviços ambientais, como carbono e conservação de biodiversidade.

Para a cadeia do cacau e de alimentos, a expansão de sistemas agroflorestais ajuda a suprir a demanda por cacau rastreável e de baixo impacto, tema cada vez mais cobrado por indústrias e redes varejistas. Também responde à pressão internacional sobre desmatamento, especialmente na Amazônia, onde a conversão de pasto para árvores melhora a imagem do produto brasileiro.

Dados e contexto

O Brasil é hoje o 7º maior produtor de cacau do mundo, segundo dados recentes da ICCO (International Cocoa Organization), com produção em torno de 230 mil toneladas ao ano, concentrada na Bahia e no Pará. O Pará já disputa a liderança nacional, puxado justamente por sistemas agroflorestais.

Estudos da Embrapa Amazônia Oriental indicam que sistemas de cacau sob floresta ou em agrofloresta podem estocar mais carbono que pastagens degradadas e reduzir erosão e assoreamento. Em muitos casos, a renda anual combinada de cacau, madeira de manejo e outros produtos supera a da pecuária extensiva em mesma área.

A Belterra atua nesse nicho de conversão de pastagens com foco em:

  • Pequenos e médios produtores na Amazônia
  • Áreas degradadas ou subutilizadas
  • Sistemas com cacau, espécies madeireiras e frutíferas
  • Geração de créditos ambientais e acesso a mercados ESG
O movimento dialoga com metas climáticas brasileiras. O
Plano ABC+, do Ministério da Agricultura (MAPA), prevê ampliar a recuperação de pastagens degradadas e sistemas integrados até 2030, com forte peso para tecnologias que aumentem estoque de carbono no solo e na vegetação.

Em projetos desse tipo, a remuneração ao produtor costuma combinar:

Fonte de receitaDescrição rápida

| Cacau em grão | Venda para indústrias e chocolaterias | | Madeira de manejo legal | Corte seletivo, com planos de manejo | | Produtos florestais | Frutas, óleos, serviços ecossistêmicos | | Créditos de carbono/ESG | Projetos climáticos e de biodiversidade |

O que observar daqui pra frente

Para o agro, o ponto-chave será ver se o modelo escala com governança, produtividade e repartição clara dos resultados entre investidores e produtores. A viabilidade depende de boa assistência técnica, contratos bem estruturados, medição confiável de carbono e acesso a compradores dispostos a pagar por cacau e madeira com selo socioambiental**, o que pode abrir novas janelas de renda na Amazônia e reposicionar o produtor que hoje vive só do boi em pasto fraco.

Fontes

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