Biocombustíveis nos EUA turbinam projeções de lucro da ADM para 2026
Clareza regulatória em biocombustíveis nos EUA leva a ADM a elevar projeção de lucro por ação em 2026, com impacto direto em demanda por soja e milho.

A Archer-Daniels-Midland (ADM) elevou sua projeção de lucro para 2026, apoiada em margens fortes no esmagamento de oleaginosas e em um cenário mais previsível para os mandatos de mistura de biocombustíveis nos Estados Unidos.[1][5] A mudança sinaliza mais demanda por soja, milho e óleo vegetal, tema central para produtores e indústrias ligadas ao agro brasileiro.[1][5]
O que aconteceu
A ADM revisou para cima a previsão de lucro por ação para 2026, agora estimada entre US$ 4,15 e US$ 4,70, acima da faixa anterior de US$ 3,60 a US$ 4,25.[1][5] O ajuste vem após o governo americano definir de forma mais clara as regras de mistura de combustíveis renováveis aos fósseis, reduzindo incertezas regulatórias.[1][5]
No primeiro trimestre, o lucro da companhia ficou praticamente estável, em US$ 298 milhões, ante US$ 295 milhões no mesmo período de 2025, mas com melhora no lucro operacional, que subiu 2,2%, de US$ 747 milhões para US$ 764 milhões.[1] O resultado trimestral superou a média das estimativas de analistas, com lucro ajustado de US$ 0,71 por ação, acima dos US$ 0,66 projetados.[5]
Segundo a empresa, a melhora esperada em 2026 virá principalmente dos negócios de esmagamento de grãos e de etanol, beneficiados pela conclusão das obrigações de volume renovável para 2026 e 2027 nos EUA.[1][5]
Por que importa para o agro
A revisão positiva da ADM indica que a demanda por soja e milho para produção de óleo e etanol tende a seguir firme, o que sustenta o uso industrial desses grãos em um momento de margens mais apertadas no campo.[1][5] Para o produtor, isso ajuda a dar alguma sustentação às cotações e ao uso da capacidade de esmagamento, mesmo em cenários de preço internacional mais volátil.
Para o Brasil, grande exportador de soja em grão e de farelo, uma ADM mais otimista com biocombustíveis significa potencial de maior competição por matéria-prima e, ao mesmo tempo, estímulo a investimentos em esmagamento e em cadeias de biodiesel e etanol de milho. Esse movimento já aparece em projetos de usinas e biorrefinarias no país, com novos investimentos em etanol de milho e óleos vegetais.[8][9][16]
Dados e contexto
A aposta da ADM em biocombustíveis acontece em um cenário de expansão global da bioenergia, com políticas públicas mais ativas nos EUA e no Brasil.
| Indicador / Movimento | Detalhe |
|---|---|
| Projeção de lucro por ação ADM 2026 | **US$ 4,15 a US$ 4,70**, acima dos **US$ 3,60 a US$ 4,25** anteriores[1][5] |
| Lucro ajustado por ação (1T) | **US$ 0,71** vs. estimativa de **US$ 0,66** (LSEG)[5] |
| Lucro líquido 1T ADM | **US$ 298 milhões**, praticamente estável ante **US$ 295 milhões** em 2025[1] |
| Lucro operacional 1T ADM | Alta de 2,2%, de **US$ 747 milhões** para **US$ 764 milhões**[1] |
| Foco de alta de lucros | Negócios de **esmagamento** e **etanol** com mandatos de mistura definidos para 2026–2027[1][5] |
No Brasil, a expansão da indústria de óleos vegetais e biocombustíveis acompanha essa tendência. A Abiove projeta R$ 5,9 bilhões em novos investimentos na indústria de soja em 2026, com aumento de capacidade de esmagamento de 18.850 toneladas/dia.[8] Ao mesmo tempo, projetos como o da Alvorada Bioenergia, que investe cerca de R$ 640 milhões em uma usina de etanol de milho em Mato Grosso, reforçam o avanço da bioenergia na fronteira agrícola.[9]
O crédito também acompanha o movimento: o Itaú BBA prevê carteira agro de R$ 148 bilhões em 2026, com biocombustíveis (etanol de milho, biodiesel) entre os principais vetores de demanda por financiamento.[16]
O que observar daqui pra frente
Produtores e indústrias devem acompanhar de perto a política de combustíveis renováveis nos EUA e no Brasil, já que mudanças em mandatos de mistura impactam diretamente margens de esmagamento, demanda por óleo e etanol e, em última instância, preços de soja e milho.[1][5] Para quem está planejando investir em processamento ou bioenergia, o recado da ADM é claro: cadeias ligadas a biocombustíveis seguem no radar dos grandes players, mas exigem gestão fina de custos, volatilidade de preços e risco regulatório.
Fontes
- AgFeed – Com biocombustíveis em expansão nos EUA, ADM aumenta projeção de lucros em 2026
- MoneyTimes – ADM eleva previsão de lucro com margens fortes de esmagamento e demanda por biocombustíveis
- AgFeed – Indústria de soja deve ter investimentos de R$ 5,9 bilhões em 2026
- AgFeed – Biorrefinaria gera “combustível” à Agrícola Alvorada antes mesmo de entrar em operação
- AgFeed – Com seletividade dando o tom, Itaú BBA projeta crescer carteira agro em 10% de olho em biocombustíveis
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