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Bioinsumos avançam nas lavouras brasileiras e ampliam mercado

Uso de bioinsumos cresce no Brasil, impulsionado pelo manejo de pragas resistentes, pela busca por eficiência e pela pressão por uma agricultura mais sustentável.

26 de setembro de 2026 3 min de leitura
Bioinsumos avançam nas lavouras brasileiras e ampliam mercado

O uso de produtos biológicos ganhou escala no campo brasileiro. No primeiro semestre de 2026, a área tratada com bioinsumos chegou a 46 milhões de hectares, enquanto o mercado movimentou cerca de R$ 1,8 bilhão. O avanço reforça a busca do produtor por ferramentas para controlar pragas, reduzir riscos de resistência e aumentar a eficiência do manejo.

O que aconteceu

O crescimento envolve bioinseticidas, biofungicidas, inoculantes, nematicidas e outros produtos formulados a partir de microrganismos, extratos vegetais e compostos de origem biológica. Essas soluções passaram a integrar programas de manejo junto com defensivos químicos, e não apenas a substituí-los.

Segundo levantamento do CropData, da CropLife Brasil, a área tratada aumentou 18,3% em relação ao mesmo período de 2025. O faturamento avançou 9,6%, ritmo inferior ao crescimento da área. Isso indica maior disseminação dos produtos, mas também pressão sobre preços e necessidade de ampliar o valor entregue ao agricultor.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) registrou 162 bioinsumos em 2025, o maior número anual da série. Ao todo, foram concedidos 912 registros de defensivos e produtos biológicos no período, incluindo itens técnicos destinados à indústria.

Por que importa para o agro

Para o produtor, os bioinsumos ampliam as opções de manejo e podem ajudar a preservar a eficiência de moléculas químicas. O uso alternado ou combinado de diferentes mecanismos de ação reduz a pressão de seleção sobre pragas, doenças e nematoides resistentes.

A adoção também atende à demanda por sistemas com menor dependência de insumos sintéticos e maior eficiência ambiental. O resultado, porém, depende de qualidade, armazenamento adequado, aplicação no momento correto e compatibilidade entre produtos. Bioinsumo não corrige falhas de manejo ou condições inadequadas de campo.

Dados e contexto

IndicadorResultado
Área tratada no 1º semestre de 202646 milhões de hectares
Crescimento anual da área18,3%
Mercado no 1º semestre de 2026R$ 1,8 bilhão
Crescimento do mercado9,6%
Bioinsumos registrados em 2025 pelo Mapa162

A soja, o milho e a cana-de-açúcar concentram grande parte da utilização. Nessas culturas, os produtos biológicos são empregados no tratamento de sementes, na proteção foliar, no controle de nematoides e na melhoria da disponibilidade de nutrientes.

O Brasil tem condições favoráveis para o setor, como clima tropical, grande área cultivada e forte presença de pesquisa pública e privada. A Embrapa participa do desenvolvimento e da validação de tecnologias, enquanto o Mapa regula o registro e o uso comercial dos produtos.

O que observar daqui para frente

A expansão deve depender da comprovação de desempenho em diferentes regiões, da regularidade na qualidade dos produtos e da capacitação de técnicos e produtores. Também será necessário acompanhar custos por hectare, retorno econômico e integração com o manejo químico. Oportunidades maiores estão em soluções para resistência, saúde do solo e culturas com menor disponibilidade de ferramentas convencionais.

Fontes

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