Gestão

BNDES e Conab fecham parceria para mapear gargalos do abastecimento de alimentos

Acordo entre BNDES e Conab vai financiar estudos para modernizar o abastecimento alimentar no país, com foco em logística, estoques e segurança alimentar.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
BNDES e Conab fecham parceria para mapear gargalos do abastecimento de alimentos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram um acordo de cooperação para financiar estudos sobre o sistema de abastecimento alimentar no Brasil. A ideia é mapear gargalos de logística, armazenagem e distribuição, apoiar políticas públicas e orientar investimentos privados, com impacto direto em preços, estoques e segurança alimentar.

O que aconteceu

O acordo prevê que o BNDES financie estudos técnicos, diagnósticos regionais e propostas de modernização da infraestrutura ligada ao abastecimento de alimentos. A Conab entra com dados, estrutura técnica e capilaridade nas regiões produtoras e consumidoras.

Os trabalhos devem envolver análise da rede de armazéns públicos e privados, custos logísticos, funcionamento de centrais de abastecimento e mecanismos de formação de estoques. O foco é identificar onde o sistema falha e como melhorar eficiência, reduzir perdas e diminuir a volatilidade de preços ao longo do ano.

O plano também inclui avaliação de políticas já existentes, como estoques reguladores, compras públicas e programas de apoio à agricultura familiar. Com isso, o governo busca calibrar melhor o uso de recursos e atrair o setor privado para ampliar investimentos em armazenagem, transporte e distribuição.

Por que importa para o agro

Para o produtor, um sistema de abastecimento mais eficiente significa menos perdas, menor custo logístico e maior previsibilidade de escoamento da safra. Melhora a fluidez entre campo, indústria, atacado e varejo, reduzindo a dependência de “corridas de última hora” para vender produção em períodos de pico.

Se BNDES e Conab desenharem bem os projetos, podem surgir novas linhas de crédito e modelos de parceria para modernização de armazéns, silos, câmaras frias e centros de distribuição. Isso interessa especialmente a cooperativas, agroindústrias e produtores médios e grandes, mas também abre espaço para integrar melhor a agricultura familiar às cadeias organizadas.

Dados e contexto

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas ainda sofre com gargalos logísticos e de armazenagem que encarecem o custo total da cadeia.

  • Segundo a Conab, a capacidade estática de armazenagem do país gira em torno do mesmo volume da safra de grãos, o que gera pressão na colheita e aumenta fretes.
  • O custo logístico (transporte, armazenagem e perdas) pode representar 20% a 30% do valor final de alguns alimentos, dependendo da região e do produto.
  • Em países com logística mais consolidada, a capacidade de armazenagem costuma superar com folga a produção anual, permitindo maior flexibilidade de venda e gestão de estoques.
A Conab já é responsável por levantamentos de safra, acompanhamento de estoques e execução de políticas como Aquisições do Governo Federal (AGF) e apoio à formação de estoques. O BNDES, por sua vez, é um dos principais financiadores de infraestrutura, logística e agroindústria.

Com a parceria, a intenção é integrar o conhecimento da Conab sobre produção e mercado interno com a capacidade do BNDES de estruturar projetos financiáveis. O resultado esperado é um plano mais claro de investimentos prioritários em corredores logísticos, armazenagem regional e modernização de centrais de abastecimento, alinhado à política agrícola federal.

O que observar daqui pra frente

O ponto chave será como os estudos vão se traduzir em ações concretas: editais de financiamento, programas específicos para cooperativas e agroindústrias, requalificação de armazéns da Conab e possível redesenho de políticas de estoques públicos. Produtores e empresas devem acompanhar oportunidades de crédito e projetos regionais que possam reduzir custos logísticos, melhorar acesso a mercados e dar mais estabilidade a preços e contratos ao longo do ano.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo