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Boehringer leva modelo de uso racional de antiparasitário à pecuária de corte

Modelo da Boehringer reduz aplicações de antiparasitário sem perder desempenho e agora mira rebanhos de corte.

17 de setembro de 2026 4 min de leitura
Boehringer leva modelo de uso racional de antiparasitário à pecuária de corte

A Boehringer Ingelheim desenvolveu um modelo de manejo sanitário que reduz o número de aplicações de antiparasitários sem perda de desempenho do rebanho. A solução, já testada em sistemas leiteiros, agora será adaptada para a pecuária de corte, com foco em controlar parasitas de forma mais eficiente, diminuir custos e mitigar o risco de resistência.

O que aconteceu

A empresa estruturou um programa baseado em diagnóstico mais preciso da carga parasitária e em protocolos de tratamento seletivo e estratégico, substituindo o uso indiscriminado de vermífugos e ectoparasiticidas por intervenções pontuais em momentos-chave do ciclo produtivo.

O modelo parte de dados de campo coletados em fazendas parceiras e de estudos que mostram que a simples intensificação de tratamentos não garante melhor desempenho quando a resistência parasitária já está instalada. Em vez de aumentar doses e frequência, o foco passa a ser escolher o produto certo, na hora certa e apenas para os animais que realmente precisam.

Na pecuária de corte, a Boehringer planeja aplicar o mesmo raciocínio em protocolos que combinem antiparasitários internos, como ivermectinas, com ectoparasiticidas de ação específica contra carrapatos, bernes e mosca-dos-chifres, usando menos aplicações ao longo do ano, mas com maior eficácia por tratamento.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o modelo significa reduzir custo com medicamentos e mão de obra, sem perder ganho de peso ou desempenho reprodutivo. Uma agenda de aplicações mais enxuta diminui estresse dos animais, risco de erros de dosagem e tempo de manejo, pontos críticos em propriedades de médio e grande porte.

No longo prazo, o uso racional de antiparasitários ajuda a conter a evolução da resistência de helmintos e ectoparasitas, problema já descrito em pesquisas brasileiras. Ao preservar a eficácia dos produtos, o sistema protege o investimento em tecnologias consagradas, evita que o produtor fique sem opções de controle e contribui para uma pecuária mais sustentável.

Dados e contexto

Estudos com gado de corte no Brasil mostram que, após instalada a resistência parasitária, esquemas de tratamento supressivo frequente deixam de melhorar parâmetros produtivos, mesmo com maior uso de anti-helmínticos.[4]

A Embrapa recomenda programas de controle estratégico da verminose em bovinos de corte, com base em epidemiologia dos nematódeos e na concentração de tratamentos em épocas de maior desafio parasitário, em vez de aplicações contínuas ao longo do ano.[12]

Pesquisas em bovinos leiteiros indicam que o controle adequado de verminoses pode adicionar de 0,4 a 0,8 kg de leite por vaca/dia, reforçando que sanidade bem manejada impacta diretamente produtividade.[10][13]

Ao mesmo tempo, levantamentos mostram que acaricidas e demais ectoparasiticidas ainda são usados como única ferramenta contra carrapatos em muitos sistemas, sem integração com manejo de pastagem, rotação de princípios ativos ou seleção genética de animais mais resistentes.[8]

Nesse cenário, soluções que combinam monitoramento, escolha criteriosa de produto e redução de aplicações se alinham às diretrizes de MAPA e Embrapa para uso mais racional de medicamentos veterinários, com foco em segurança alimentar, bem-estar animal e menor risco ambiental.

TemaSituação atual
Uso de antiparasitáriosAlta frequência em muitos rebanhos, com risco de resistência
Diretriz técnica (Embrapa)Tratamento estratégico, baseado em epidemiologia e carga parasitária
Impacto produtivoGanho de peso e produção de leite aumentam com controle eficaz
TendênciaProgramas integrados de controle, com menos aplicações e mais diagnóstico

O que observar daqui pra frente

Produtores de corte devem acompanhar como o modelo será traduzido em protocolos práticos: número de aplicações por ano, critérios de seleção de animais a tratar, integração com manejo de pastagens e genética. A adoção dependerá de suporte técnico, leitura correta dos indicadores de desempenho e da capacidade de medir o retorno econômico da redução de aplicações, tanto em peso de carcaça quanto em sanidade e longevidade do rebanho.

Fontes

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