Manejo

Boitéis ganham espaço na pecuária para acelerar a engorda do gado

Pecuaristas ampliam o uso de boitéis para engorda intensiva na entressafra, liberam pastagens e buscam maior giro e previsibilidade no caixa.

17 de junho de 2026 4 min de leitura
Boitéis ganham espaço na pecuária para acelerar a engorda do gado

Pecuaristas de corte estão ampliando o uso de boitéis para terceirizar a engorda intensiva, especialmente na entressafra, quando o pasto perde qualidade e o ganho de peso cai.[1][2] A estratégia permite manter o fluxo de animais terminados, liberar áreas de pastagem e garantir mais previsibilidade de escala e de caixa.

O que aconteceu

O programa Giro do Boi mostrou que cresce a adesão de produtores ao modelo de boitéis, estruturas privadas que recebem animais, fornecem dieta, manejo e acompanhamento técnico, cobrando por cabeça/dia ou por quilo produzido.[1] A tendência é mais forte em regiões onde o custo de formação de pasto está alto ou onde o produtor foca em cria e recria, deixando a terminação para terceiros.[1][2]

Segundo especialistas ouvidos pelo programa, os boitéis são usados principalmente na entressafra, quando a oferta de pasto cai e a competição por alimento aumenta.[1][2] Nesse período, o boitéis ajudam a manter o ritmo de abate com dietas de alto desempenho, encurtando o ciclo de engorda e melhorando a padronização dos lotes.

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Por que importa para o agro

Para o pecuarista, o uso de boitéis reduz a necessidade de investir em estruturas próprias de confinamento, fábricas de ração e equipe especializada, o que diminui o capital imobilizado e o risco operacional.[1] O produtor pode concentrar recursos na fase em que é mais eficiente, seja na cria, na recria ou na compra estratégica de boi magro.

Para a indústria e o mercado, a terceirização da terminação tende a aumentar a regularidade de oferta de animais bem acabados, o que melhora planejamento de abates e contratos com frigoríficos. Em cenário de margens apertadas e custo elevado de insumos, modelos mais intensivos e previsíveis de engorda ganham relevância para manter competitividade da carne bovina brasileira no mercado interno e externo.

Dados e contexto

  • O confinamento e semiconfinamento já respondem por parcela relevante da terminação no Brasil, sobretudo no Centro-Oeste, segundo diagnósticos da Embrapa Gado de Corte.
  • Boitéis operam, em geral, com períodos de 70 a 120 dias de cocho, dependendo do peso de entrada e do nível de dieta.[1][2]
  • A entressafra de boi gordo costuma ocorrer entre o fim da seca e o início das chuvas, quando o pasto perde qualidade; o uso de confinamento aumenta nesse período, de acordo com análises de mercado da Conab e do MAPA.
  • A Embrapa aponta que sistemas intensivos de engorda podem elevar a produtividade de arrobas por hectare/ano e liberar área para integração lavoura-pecuária ou recuperação de pastagens degradadas.
FatorImpacto do uso de boitéis
Capital investido em estruturaReduzido, com terceirização da terminação

| Giro de capital | Acelerado, ciclo de engorda mais curto | | Uso de pastagens | Menor pressão na entressafra | | Padronização de carcaças | Maior, com dieta controlada |

O que observar daqui pra frente

Pecuaristas devem acompanhar de perto o custo por arroba produzida no boitéis, comparando com o desempenho no pasto ou no confinamento próprio, além de analisar contratos, riscos sanitários e logística. A tendência é que o modelo avance onde o boi magro estiver disponível, a relação de troca com o milho for favorável e a indústria demandar lotes padronizados, abrindo espaço para parcerias de longo prazo entre produtores, boitéis e frigoríficos.

Fontes

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