Gestão

Brasil cria banco de antígenos para resposta à febre aftosa

Estrutura poderá viabilizar a produção emergencial de até 10 milhões de doses de vacina contra a febre aftosa.

23 de setembro de 2026 4 min de leitura
Brasil cria banco de antígenos para resposta à febre aftosa

O Brasil passou a contar com um banco de antígenos congelados para apoiar a produção emergencial de vacinas contra a febre aftosa. A estrutura poderá fornecer insumos para até 10 milhões de doses em caso de foco da doença. A iniciativa amplia a capacidade de resposta do país e reforça a defesa sanitária da pecuária.

O que aconteceu

O banco está instalado em um laboratório da Biogénesis Bagó, em Garín, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. A estrutura foi criada por meio de uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina.

O acordo não prevê o armazenamento de vacinas prontas para aplicação. O estoque é formado por antígenos virais concentrados e congelados. Se houver uma emergência sanitária, o material será descongelado e usado na formulação dos imunizantes, conforme os sorotipos necessários.

A medida integra os planos oficiais de contingência para uma eventual reintrodução da febre aftosa no território nacional. O banco é a primeira estrutura de antígenos de propriedade do Brasil voltada a essa finalidade.

Por que importa para o agro

A febre aftosa tem alto potencial de disseminação entre bovinos, suínos, ovinos, caprinos e outros animais de casco dividido. Um foco pode provocar bloqueios de trânsito, abates sanitários, restrições comerciais e perda de mercados compradores.

Com um estoque estratégico, o país reduz a dependência de decisões tomadas apenas depois da confirmação de um foco. A disponibilidade prévia dos antígenos pode acelerar a fabricação de vacinas e permitir uma resposta mais coordenada entre governo, indústria e serviços estaduais de defesa agropecuária.

Para o produtor, a estrutura funciona como uma camada adicional de proteção. Ela não substitui a vigilância, o controle de trânsito, a comunicação imediata de suspeitas ou as medidas previstas nos protocolos do MAPA.

Dados e contexto

  • Capacidade estimada: produção de até 10 milhões de doses em uma resposta emergencial.
  • Local do armazenamento: Garín, na Argentina.
  • Participantes: MAPA, Tecpar e Biogénesis Bagó.
  • Formato do estoque: antígenos congelados, não vacinas prontas.
  • Uso previsto: formulação rápida de vacinas após a identificação de uma emergência sanitária.
  • Referência regional: a Organização Pan-Americana da Saúde coordena discussões sobre o Banco Regional de Antígenos e Vacinas, conhecido como BANVACO.
O Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa prevê a vacinação de emergência como uma das estratégias possíveis para conter focos, conforme avaliação do MAPA. A decisão depende da situação epidemiológica, dos sorotipos envolvidos e das medidas definidas no plano de contingência.

O Brasil também avançou no reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação. Esse status amplia a relevância de mecanismos de resposta que preservem a credibilidade sanitária e reduzam o risco de interrupções nas exportações.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será a manutenção da qualidade, da rastreabilidade e da disponibilidade dos antígenos armazenados. Também será necessário definir os protocolos de acionamento, formulação, distribuição e aplicação das vacinas. Produtores devem acompanhar as orientações do MAPA e dos órgãos estaduais, manter o cadastro e o trânsito animal regulares e comunicar imediatamente sinais compatíveis com a doença.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo