Brasil deve colher safra recorde de café em 2026, projeta Conab
Conab projeta safra recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, com alta de 18% e impacto direto em preços, renda do produtor e logística.

A safra brasileira de café deve chegar a 66,7 milhões de sacas de 60 kg em 2026, segundo projeção da Conab, o que representa alta de cerca de 18% sobre o ciclo anterior e o maior volume da série histórica.[1][3] O aumento é puxado pela recuperação do arábica, pelo ciclo de bienalidade positiva e por ganhos de produtividade, com impacto direto na renda do produtor, nos preços internos e na posição do Brasil no mercado global.[1][3]
O que aconteceu
A Conab divulgou seu segundo levantamento da safra de café projetando que o Brasil pode alcançar 66,7 milhões de sacas em 2026.[1][3] Se confirmada, a colheita supera em 5,7% o recorde anterior registrado em 2020, de 63,08 milhões de sacas.[1] Trata-se da maior safra já estimada pela estatal para o café brasileiro.
O avanço esperado é resultado combinado de área estável a levemente maior e forte ganho de produtividade média, estimada em 34,4 sacas por hectare, crescimento de cerca de 13% frente à temporada passada.[3] No café arábica, a Conab projeta 45,77 milhões de sacas, com recuperação importante após anos de clima adverso e bienalidade negativa.[3]
No café canephora (robusta/conilon), a produção também deve seguir em patamar elevado, sustentada por investimentos recentes em tecnologia, irrigação e materiais genéticos mais produtivos.[3] Assim, o Brasil consolida a combinação de grande volume com crescente eficiência por hectare.
Por que importa para o agro
Para o produtor, uma safra maior tende a pressionar preços internos, mas também dilui custos fixos por saca e melhora a margem para quem conseguir elevar produtividade.[1][3] Em regiões tecnificadas, o aumento de rendimento por hectare pode compensar eventuais quedas de preço, desde que o manejo, a colheita e a pós-colheita sejam bem ajustados.
No mercado, um volume recorde reforça o Brasil como principal fornecedor global, com reflexos nas cotações internacionais e na disputa por mercado com outros players, como Vietnã e Colômbia.[1] A oferta mais folgada pode favorecer a indústria e exportadores, mas exige atenção à logística, armazenagem e crédito para financiar estoques em um cenário de maior produção.
Dados e contexto
| Indicador | Valor / Variação |
|---|
| Produção total estimada (2026) | 66,7 milhões de sacas de 60 kg[1][3] | | Crescimento sobre safra anterior | +18%[1] | | Recorde anterior (2020) | 63,08 milhões de sacas[1] | | Diferença para o recorde de 2020 | +5,7%[1] | | Produtividade média estimada | 34,4 sacas/ha (+13%)[3] | | Produção estimada de arábica | 45,77 milhões de sacas[3] |
A projeção da Conab dialoga com cenários já apontados por analistas de mercado e por levantamentos de institutos e cooperativas que monitoram a recuperação dos cafezais após secas e geadas de anos anteriores.[1][3] A combinação de clima mais favorável, manejo mais tecnificado e renovação de lavouras sustenta a expectativa de salto de produtividade, especialmente no arábica.
Historicamente, a bienalidade do café arábica provoca alternância entre safras cheias e menores, mas a adoção de tecnologia, poda planejada, nutrição equilibrada e irrigação vem reduzindo essa oscilação em algumas regiões. Ainda assim, o ciclo 2026 é considerado de bienalidade positiva, o que reforça o potencial produtivo em estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia.[3]
O que observar daqui pra frente
Produtores e agentes da cadeia devem acompanhar de perto o comportamento do clima até a florada, possíveis revisões da Conab, a evolução dos preços na Bolsa e a disponibilidade de crédito e armazenagem para uma safra maior. A gestão de risco com travas de preço, planejamento de colheita e pós-colheita e atenção à qualidade serão decisivas para transformar o volume recorde projetado em melhor rentabilidade em um cenário de oferta mais abundante.
Fontes
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