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Brasil e China avançam em protocolo para exportação de miúdos suínos

Brasil e China acertam revisão de protocolo sanitário que inclui miúdos suínos, abrindo espaço para ampliar o valor das exportações da suinocultura.

20 de maio de 2026 4 min de leitura
Brasil e China avançam em protocolo para exportação de miúdos suínos

O Brasil e a China avançaram em um entendimento técnico para revisar o protocolo sanitário que rege o comércio de carne suína entre os dois países, com a inclusão de miúdos suínos na lista de produtos habilitados. O acordo, ainda pendente de formalização, tende a aumentar a receita da suinocultura brasileira ao agregar valor à carcaça e ampliar o mix de itens embarcados ao principal cliente do setor.

O que aconteceu

Em reunião em Pequim, técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) ajustaram os termos de um protocolo sanitário revisado para carne suína brasileira. O novo texto inclui miúdos suínos, que hoje têm saída limitada no mercado doméstico, mas forte demanda no mercado chinês.

Segundo o governo brasileiro, o entendimento é resultado de missão oficial que busca ampliar o acesso de produtos agropecuários à China. Após o acerto técnico, o protocolo ainda precisa passar por trâmites internos nos dois países antes da assinatura e entrada em vigor. Só então os frigoríficos habilitados poderão começar a enviar miúdos.

Atualmente, o Brasil já vende à China carne suína in natura e industrializada, mas parte relevante dos miúdos acaba tendo destino de menor valor agregado. Com a revisão, a tendência é que esses cortes, pouco valorizados no Brasil, sejam direcionados ao mercado chinês, onde o consumo é tradicional.

Por que importa para o agro

Para o produtor e para a indústria, a inclusão de miúdos no protocolo significa melhor aproveitamento econômico da carcaça. Ao monetizar vísceras, cabeça, pés e outros cortes de baixo consumo interno, o frigorífico aumenta a receita por animal abatido, o que pode melhorar a remuneração ao suinocultor no médio prazo.

A China é o maior consumidor mundial de carne suína e um dos principais destinos das exportações brasileiras. Ampliar o portfólio de produtos enviados ao país reduz a dependência de poucos cortes, diversifica a pauta e ajuda a diluir riscos de mercado, especialmente em um cenário de forte competição com União Europeia, Estados Unidos e outros grandes exportadores.

Dados e contexto

A Secex (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostra que, em um dos últimos meses divulgados, o Brasil exportou cerca de 6,8 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos) para a China, somando milhões de dólares em receita. Mesmo assim, o potencial para miúdos ainda está pouco explorado.

De acordo com a ABPA, a China figura há anos entre os maiores compradores individuais de carne suína do Brasil, ao lado de Hong Kong, Chile e Filipinas. A participação chinesa no total exportado varia conforme o ano, mas costuma responder por fatia relevante do volume embarcado.

A demanda chinesa por miúdos é historicamente alta. Em acordos anteriores com outros países, como Estados Unidos e membros da União Europeia, a China já incluía subprodutos de maior valor para esses mercados, como miúdos, gorduras e embutidos. O movimento atual alinha o Brasil a esse padrão, permitindo maior captura de valor ao longo da cadeia.

A Embrapa Suínos e Aves destaca em estudos que o aproveitamento integral da carcaça é um dos pilares para aumentar competitividade da suinocultura, sobretudo em mercados exportadores. Diferenciar destinos por tipo de corte, direcionando produtos premium ou pouco valorizados internamente para países com maior disposição a pagar, melhora margem e reduz desperdícios.

IndicadorSituação recente aproximada
Exportação total de carne suína do Brasil (2023, ABPA)~1,2 milhão t

| Principais destinos | China, Hong Kong, Chile, Filipinas | | Volume recente à China (mês, Secex) | ~6,8 mil t (carne e miúdos) |

O que observar daqui pra frente

O próximo passo é a formalização do protocolo revisado e a publicação das regras para habilitação de plantas para miúdos, o que definirá a velocidade de entrada desse produto no mercado chinês. Produtores e indústrias devem acompanhar possíveis exigências adicionais de rastreabilidade, bem-estar animal e controles sanitários, além dos efeitos nos preços pagos pelo suíno vivo e nas margens de frigoríficos, que podem abrir espaço para novos investimentos e contratos de longo prazo com integrados.

Fontes

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