Sustentabilidade

Brasil projeta reduzir em até 92,6% as emissões da pecuária até 2050

Estudo indica que a pecuária de corte brasileira pode reduzir em até 92,6% a intensidade de emissões até 2050 com tecnologias já disponíveis e maior eficiência produtiva.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Brasil projeta reduzir em até 92,6% as emissões da pecuária até 2050

O Brasil apresentou na FAO um estudo que projeta queda de até 92,6% na intensidade de emissões da pecuária de corte até 2050, mantendo o país entre os maiores exportadores de carne bovina.[9][1] A redução viria do ganho de eficiência por hectare, da adoção de tecnologias de baixa emissão e da expansão de sistemas integrados, com potencial para conciliar sustentabilidade, produção e competitividade.[9][4]

O que aconteceu

O estudo "Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil" foi elaborado pela FGV Agro em parceria com a ABIEC e apresentado na sede da FAO, em Roma.[4][1] A pesquisa traça cenários de mitigação de emissões até 2050, focando na intensidade de carbono por quilo de carne produzida.

Nos cenários mais ambiciosos, a intensidade de emissões pode cair até 92,6%, com forte adoção de tecnologias de mitigação e ampliação do Plano ABC+.[4][8] Mesmo no cenário de referência, sem grandes mudanças regulatórias, a projeção é de redução de até 60% nas emissões totais e queda de cerca de 80% na intensidade de carbono da carne bovina.[1]

O estudo também indica aumento da produção de carne bovina para 18,2 milhões de toneladas de carcaça em 2050, com menor uso de área e maior produtividade, sobretudo em pastagens recuperadas e sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta (ILPF).[9][8]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o recado é claro: eficiência produtiva e tecnologia serão decisivas para manter acesso a mercados exigentes e prêmios por carne de menor pegada de carbono. Países importadores, especialmente na Europa, já colocam pressão por rastreabilidade e metas de descarbonização na cadeia de proteínas animais.[1]

A projeção também reforça o papel da pecuária brasileira na agenda climática. Ao reduzir a intensidade de emissões e usar melhor a área já aberta, o setor pode responder a críticas ambientais, reduzir risco de barreiras verdes e se posicionar como fornecedor de carne com baixa emissão, ganhando vantagem competitiva frente a concorrentes como EUA e Austrália.[1][4]

Dados e contexto

IndicadorSituação atual (aprox.)Projeção 2050 (cenário ambicioso)
Intensidade de emissões da carne bovina**~80 kg CO₂e/kg de carne**[1]**~5 kg CO₂e/kg de carne**[1]
Redução na intensidade de emissões**até 92,6%**[4][8]
Redução de emissões totais (cenário referência)**até 60%** até 2050[1]
Produção de carne bovinacrescente**18,2 milhões t de carcaça**[9]

As projeções consideram principalmente:

  • Recuperação de pastagens degradadas e aumento da lotação por hectare.[4]
  • Expansão de ILPF e confinamento sustentável, que elevam produtividade e reduzem emissões por quilo de carne.[4][8]
  • Adoção de práticas do Plano ABC+, como integração, manejo de dejetos, plantio direto e melhor genética animal.[4]
Segundo a FGV Agro e a ABIEC, o avanço depende de crédito direcionado, assistência técnica e previsibilidade regulatória para estimular investimentos em tecnologias de baixa emissão ao longo da cadeia.[4][5]

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústria devem acompanhar de perto políticas ligadas ao Plano ABC+, exigências de mercados internacionais e linhas de crédito verdes, que podem acelerar ou travar a adoção das tecnologias previstas no estudo.[4] A disputa por mercado será cada vez mais ligada à pegada de carbono; quem investir cedo em eficiência, ILPF, recuperação de pastagens e gestão de emissões tende a capturar melhores preços, acesso a novos compradores e menor risco de barreiras ambientais.

Fontes

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