Sustentabilidade

Brasil sedia pela primeira vez grande fórum global de agricultura regenerativa

Piracicaba (SP) recebe em junho um dos principais fóruns globais de agricultura regenerativa, reunindo produtores, cientistas e investidores para acelerar a transição de sistemas produtivos.

21 de junho de 2026 4 min de leitura
Brasil sedia pela primeira vez grande fórum global de agricultura regenerativa

O Brasil será sede, pela primeira vez, de um dos principais fóruns internacionais de agricultura regenerativa, reunindo produtores, pesquisadores, empresas e investidores em Piracicaba (SP). O encontro coloca o país no centro das discussões sobre como produzir mais, com menor impacto ambiental, em um momento em que mercado, clima e políticas públicas pressionam por sistemas agrícolas de baixo carbono.

O que aconteceu

Em 23 de junho, Piracicaba (SP) recebe a edição brasileira do Fórum de Agricultura Regenerativa, evento global voltado à transformação dos sistemas alimentares e produtivos.[1][2] O encontro será híbrido, com programação presencial e on-line ao longo de todo o dia.[1][2]

O fórum é organizado em parceria com instituições nacionais e internacionais ligadas a clima, uso da terra e cadeias agroalimentares.[2][7] Estão previstas discussões sobre manejo de solo, restauração de paisagens, mercados de carbono, políticas públicas e financiamento de práticas regenerativas.[1][4] A ideia é conectar experiências de campo com investidores e formuladores de políticas.

A escolha do Brasil e de Piracicaba não é por acaso: o país é potência agrícola, tem grande área de agricultura tropical e concentra polos de inovação em tecnologia para o campo, incluindo universidades e centros de pesquisa.[1][4] O fórum busca aproveitar esse ambiente para acelerar a adoção de práticas regenerativas em larga escala.

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Por que importa para o agro

A agricultura regenerativa ganha espaço na agenda de compradores internacionais, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que já exigem comprovação de redução de emissões, conservação de solo e biodiversidade na origem dos alimentos.[1][7] Ter um fórum global no Brasil ajuda o produtor a entender quais práticas tendem a ser valorizadas e financiar a transição em cadeias como soja, milho, carne e cana.

Para o agronegócio brasileiro, o tema não é apenas ambiental, mas de competitividade. Acesso a crédito verde, prêmios de preço, contratos de longo prazo e a manutenção de mercados dependerão cada vez mais de métricas de solo saudável, sequestro de carbono e uso racional de insumos.[1][4][7] O fórum funciona como vitrine para mostrar casos de sucesso e também para colocar pressão por métricas claras e auditáveis.

Dados e contexto

A agricultura regenerativa reúne práticas como plantio direto bem manejado, rotação e consórcios de culturas, integração lavoura-pecuária-floresta, aumento de matéria orgânica do solo e redução de dependência de insumos sintéticos.[5][9]

Segundo o Censo Agro 2017 do IBGE, o Brasil já tinha milhões de hectares em plantio direto, mas com grande variação na qualidade do manejo, o que abre espaço para evolução rumo a sistemas de fato regenerativos.[5] Em paralelo, a Embrapa aponta que solos bem manejados podem sequestrar carbono e contribuir para as metas climáticas assumidas pelo país.

O interesse do mercado é crescente: eventos focados em agricultura regenerativa, como fóruns nacionais e internacionais, vêm se multiplicando nos últimos anos, reunindo grupos de produtores, empresas de bioinsumos, indústrias de alimentos e redes varejistas.[3][8][9] No campo financeiro, bancos e fundos de investimento já oferecem linhas específicas para projetos de baixo carbono e restauração de áreas produtivas degradadas.

Alguns pontos relevantes do contexto:

  • O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de grãos, carne e açúcar, com forte exposição a exigências socioambientais de importadores.
  • A Conab e o USDA projetam crescimento constante da produção brasileira, o que aumenta a pressão sobre solo, água e florestas se não houver mudança de manejo.
  • Programas públicos ligados ao Plano ABC+ e a políticas climáticas nacionais incentivam sistemas conservacionistas e integração produtiva.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, o foco passa a ser resultado no campo: aumento de produtividade com menor custo de insumos, estabilidade em anos de clima extremo e acesso a mercados que paguem melhor por produtos com comprovação de práticas regenerativas. A partir desse fórum, vale acompanhar quais cadeias vão estabelecer metas claras, quais métricas de solo e carbono serão exigidas e como bancos, indústrias e governos vão transformar o discurso em contratos, crédito e remuneração efetiva para quem muda o manejo.

Fontes

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