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Caiado chama arcabouço fiscal de ‘piada’ e promete Plano Safra plurianual

Ronaldo Caiado critica a política fiscal do governo Lula e defende um Plano Safra plurianual para dar previsibilidade ao produtor rural.

29 de agosto de 2026 5 min de leitura
Caiado chama arcabouço fiscal de ‘piada’ e promete Plano Safra plurianual

Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD e ex-governador de Goiás, voltou a atacar a política fiscal do governo Lula, classificando o atual arcabouço como uma “piada” e defendendo um Plano Safra plurianual para dar previsibilidade ao produtor rural.[1][5][8] A proposta mira planejamento de médio prazo, seguro rural mais robusto e nova arquitetura de financiamento para o agro, em reação à percepção de instabilidade nas regras fiscais.[1][3][6]

O que aconteceu

Em entrevista exibida nesta sexta (28), Caiado afirmou que o arcabouço fiscal é fraudado sempre que o governo deseja criar benefícios politiqueiros, dizendo que a regra não é cumprida e que foi “revogada” na prática no primeiro ano de vigência.[1][5][8] Para ele, sair do antigo teto de gastos para o arcabouço representou uma perda de credibilidade na condução das contas públicas.[5][8]

O candidato sustentou que a política fiscal atual é um “desastre”, com mudança recorrente de metas e uso de inflação alta para sustentar arrecadação.[5][8][11] Nesse diagnóstico, o ambiente de incerteza fiscal se transfere para o campo, afetando decisões de investimento em tecnologia, armazenagem e irrigação.

Como resposta, Caiado incluiu em seu plano de governo um Plano Safra plurianual, com horizonte de três a cinco anos, acoplado a uma estratégia fiscal de médio prazo para estabilizar a dívida e recuperar superávits primários, sem aumento permanente da carga tributária.[2][3][14] Ele também promete fortalecer o seguro rural e ampliar o uso de instrumentos de mercado de capitais, como CRA, Fiagro e debêntures, no financiamento do agro.[4][6][14]

Por que importa para o agro

Para o produtor, a crítica ao arcabouço e a defesa de um Plano Safra plurianual tocam no coração do negócio: previsibilidade de crédito, juros e seguro por mais de uma safra. Hoje, o Plano Safra é revisto ano a ano, o que dificulta contratos de longo prazo em irrigação, armazenagem, recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta.[4][12][14]

Um plano plurianual, combinado com seguro rural mais estável, pode reduzir o risco de ruptura de linhas subsidiadas e contingenciamento de recursos, algo recorrente em programas atuais.[1][4][6] Para cooperativas, tradings e agroindústrias, a proposta de maior participação do mercado de capitais tende a ampliar o acesso a funding, com títulos lastreados em produção e infraestrutura.

Dados e contexto

O Plano Safra 2024/25 anunciado pelo governo federal prevê cerca de R$ 364 bilhões em financiamento à agricultura e pecuária, somando linhas com e sem subsídio.[15] Apesar do volume recorde, a crítica de Caiado é à lógica anual do programa, não ao montante em si.[1][12]

Segundo a Conab, a produção brasileira de grãos deve girar em torno de 320–330 milhões de toneladas na safra recente, sustentada por forte uso de tecnologia, crédito rural e expansão de áreas integradas.[Conab] Em paralelo, dados do USDA indicam o Brasil como maior exportador mundial de soja e grande player em milho e carnes.[USDA]

O plano de governo de Caiado fala em:

EixoProposta
FiscalEstratégia plurianual para estabilizar dívida e recuperar superávits, sem aumento permanente de impostos[2][14]
Crédito ruralPlano Safra plurianual de 3–5 anos, com foco em irrigação, armazenagem e inovação[2][4][6]
SeguroSeguro rural mais robusto, com participação pública e privada e vínculo ao crédito[1][4][6][14]
FinanciamentoExpansão de CRA, Fiagro e debêntures como fontes para o agro[4][6][14]

Embrapa e IBGE mostram que ganhos de produtividade têm vindo de tecnologia, manejo e investimento em infraestrutura, o que exige financiamento estável em ciclos mais longos que um ano-safra.[Embrapa][IBGE] Isso reforça o argumento de que políticas plurianuais podem alinhar crédito e seguro ao tempo real dos projetos agroindustriais.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar se a discussão eleitoral sobre Plano Safra plurianual avança para propostas concretas de lei, com regras claras de financiamento, seguro e governança fiscal. A chave será ver se há compromisso de manter o crédito rural focado em produtividade, inovação e gestão de risco, evitando rupturas anuais de programas e garantindo previsibilidade para investimentos de médio prazo em toda a cadeia.

Fontes

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