Calor extremo e incêndios na Europa voltam a pressionar o mercado de azeite
Nova onda de calor e incêndios no sul da Europa ameaça olivais, recupera alta dos custos e reacende risco de novo salto nos preços do azeite no mundo e no Brasil.

A aparente trégua no preço do azeite pode durar pouco. Uma nova sequência de ondas de calor acima de 40 ºC, seca prolongada e incêndios florestais no sul da Europa volta a pressionar os olivais e reacende o risco de cortes de oferta e alta de preços no mercado mundial, com impacto direto sobre consumidores e importadores como o Brasil.[1][2]
O que aconteceu
Em junho e julho, a Europa enfrentou uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas superiores a 40 ºC em países como França, Alemanha, Dinamarca e República Tcheca.[1] No eixo mediterrâneo, a combinação de calor extremo, falta de chuva e vento aumentou o número de dias críticos para incêndios e colocou olivais sob forte estresse hídrico.[1][2]
Produtores do sul da Europa relatam queda de produtividade, perda de qualidade dos frutos e aumento de custos de irrigação e manejo, em especial na Espanha, Itália, Portugal e Grécia, responsáveis pela maior parte da oferta mundial de azeite.[2][10] Após uma safra já afetada por seca histórica, a nova onda de calor e os incêndios florestais ampliam o risco de mais uma colheita ruim.
Estudos climáticos citados por veículos europeus apontam que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de incêndios dobrou desde 1981, reforçando a vulnerabilidade estrutural das culturas mediterrâneas, incluindo oliveiras.[1][2] Em alguns anos recentes, a Europa já registrou a pior seca em 500 anos, segundo o Observatório Global da Seca.[2]
Por que importa para o agro
Para o setor de azeite, o cenário significa mais pressão sobre custos e margens. Menos frutos por hectare e maior gasto com irrigação, seguro e recuperação de áreas queimadas reduzem a rentabilidade dos olivicultores europeus e incentivam aumento de preços ao produtor, com repasse ao varejo global.[2][10] Em momentos de escassez, países podem adotar medidas adicionais, como restrição temporária de exportações, a exemplo da Turquia em anos anteriores.[12]
Para o agro brasileiro, a maior parte do azeite consumido é importada do sul da Europa. A combinação de oferta menor, preços em euros mais altos e câmbio volátil eleva o custo das indústrias e do varejo nacional.[3][9][13] A alta pesa na cesta de alimentos, pressiona a inflação de itens processados e abre espaço competitivo para outros óleos vegetais produzidos no país, como soja, girassol e canola.
Dados e contexto
- Espanha responde por mais de 40% da produção global de azeite.[12]
- Pesquisas apontam que partes da Península Ibérica enfrentam a pior seca em 1.200 anos.[2]
- A Europa viveu sua pior seca em 500 anos, segundo o Observatório Global da Seca.[2]
- Em 12 meses, o preço do azeite no Brasil já chegou a subir 33,82%, influenciado por seca e guerra na Ucrânia.[3]
- Na Andaluzia, o preço ao produtor já alcançou 8,20 euros/kg, mais que o dobro (+116%) do valor de 2022.[12]
- Em 2024, a redução da oferta fez os preços subirem até 70% em partes da Europa.[9]
- Relatórios europeus indicam expectativa de queda na produção de azeite, diante de desafios climáticos e custos de produção em alta.[4]
| Indicador | Situação recente na Europa |
|---|
| Temperaturas de verão | Acima de 40 ºC em vários países[1] | | Tendência de dias propensos a incêndios | Dobrou desde 1981[1][2] | | Seca histórica | Pior em 500 anos[2] | | Variação de preço ao produtor (Andaluzia) | +116% entre 2022 e 2023[12] |
O que observar daqui pra frente
Os próximos meses serão decisivos para a nova safra europeia de azeite. Se o calor extremo e a seca persistirem, a oferta pode voltar a cair, mantendo preços elevados e volatilidade no mercado internacional.[1][2][10] Importadores brasileiros devem acompanhar clima na Península Ibérica, projeções de produção da União Europeia e movimentos cambiais para ajustar contratos e estoques, enquanto produtores locais de outras oleaginosas podem aproveitar nichos de mercado abertos pela valorização do azeite.
Fontes
- G1 Agro – Azeite volta a ser ameaçado por calor extremo e incêndios na Europa
- BBC News Brasil – A seca histórica que pode fazer preço do azeite subir ainda mais
- BBC News Brasil – Por que preço do azeite de oliva é recorde – e não deve cair
- Jornal Hoje – Preço do azeite sobe 33,82% em 12 meses
- Projeto Colabora – Seca e calor na Europa fazem preço do azeite disparar no Brasil
- Agrolink – Crise climática e inflação na Europa disparam o preço do azeite
- globoplay.globo.com
- noticiasaominuto.com
- terra.com.br
- g1.globo.com
- projetocolabora.com.br
- istoedinheiro.com.br
- oglobo.globo.com
- ndmais.com.br
- gov.br
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