Sustentabilidade

Câmara debate impactos da lama de Mariana no sul da Bahia e pressiona Vale

Deputados vão discutir os efeitos do rejeito de Mariana em rios do sul da Bahia e possíveis caminhos de reparação para comunidades rurais e produção agropecuária.

08 de junho de 2026 4 min de leitura
Câmara debate impactos da lama de Mariana no sul da Bahia e pressiona Vale

Deputados federais marcaram audiência para discutir os impactos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), sobre rios e comunidades do sul da Bahia, incluindo efeitos sobre pesca, agricultura familiar, abastecimento de água e indenizações ainda pendentes. O debate volta a pressionar a Vale e demais responsáveis por reparação mais ampla, incluindo áreas rurais que ficaram fora dos primeiros acordos.

O que aconteceu

A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados agendou audiência pública para ouvir especialistas, representantes de comunidades atingidas, Ministério Público e órgãos ambientais sobre a contaminação de rios baianos pela lama de rejeitos da barragem de Fundão.

O foco são os danos em cursos d’água que recebem influência da bacia do Rio Doce e que, segundo moradores e pesquisadores, teriam sofrido alteração da qualidade da água, assoreamento e perda de biodiversidade, com reflexos diretos em atividades rurais.

Parlamentares baianos cobram que o sul do estado seja plenamente reconhecido como área impactada pelo desastre de Mariana, o que pode abrir caminho para novas ações de compensação e inclusão de mais famílias e produtores rurais em programas de reparação socioeconômica.

Por que importa para o agro

Para o agronegócio regional, a discussão é central porque envolve disponibilidade e qualidade da água para irrigação, dessedentação animal e pequenas agroindústrias, especialmente em municípios que dependem diretamente de rios afetados.

Caso a Câmara consiga ampliar o reconhecimento oficial dos impactos, produtores de leite, carne, cacau, café e hortifrutis do sul da Bahia podem ganhar acesso a indenizações, linhas de crédito específicas, programas de recuperação de áreas degradadas e investimentos em saneamento e infraestrutura hídrica.

Dados e contexto

O rompimento da barragem de Fundão, em 2015, liberou cerca de 40 a 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração ao longo da bacia do Rio Doce, atingindo centenas de quilômetros de rios entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Relatórios de órgãos ambientais apontam contaminação por metais e forte assoreamento em diversos trechos do rio, com impactos duradouros sobre pesca, abastecimento humano e uso agrícola da água.

No sul da Bahia, a agropecuária tem peso relevante na economia regional, com destaque para a cadeia do cacau, pecuária de corte e leite, além de culturas alimentares em áreas de várzea e beira de rio. Qualquer restrição ou piora na qualidade da água encarece a produção e aumenta o risco sanitário.

A reparação do desastre de Mariana já passou por diferentes acordos judiciais, bilionários, envolvendo governos estaduais, União, empresas e instituições de justiça. Comunidades baianas alegam que ficaram parcialmente de fora das definições iniciais e reivindicam inclusão plena em programas de compensação ambiental e social.

No debate em Brasília, devem entrar temas como: monitoramento contínuo da água, transparência nos dados ambientais, critérios para reconhecer novas áreas atingidas e financiamento de obras de recuperação de matas ciliares e nascentes.

O que observar daqui pra frente

Produtores rurais do sul da Bahia devem acompanhar o desdobramento dessa audiência, em especial eventuais recomendações da Comissão e do Ministério Público para rever acordos, ampliar o reconhecimento de áreas impactadas e destravar recursos para recuperação de bacias, infraestrutura hídrica e apoio financeiro a agricultores que comprovarem prejuízos ligados ao desastre de Mariana.

Fontes

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