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Câmara discute demandas dos trabalhadores rurais assalariados

Comissão da Câmara realiza audiência para ouvir demandas de assalariados rurais, com foco em salário, formalização, saúde e segurança no campo.

22 de maio de 2026 4 min de leitura
Câmara discute demandas dos trabalhadores rurais assalariados

A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para tratar das principais demandas dos trabalhadores rurais assalariados. A reunião reúne representantes de sindicatos, do governo e de entidades do agro para discutir salários, formalização de contratos, acesso à previdência e condições de saúde e segurança no campo, temas que afetam diretamente a competitividade e a imagem do agronegócio brasileiro.

O que aconteceu

Deputados membros da Comissão de Trabalho convocaram audiência para ouvir reivindicações de assalariados rurais de diferentes regiões do país. A pauta inclui atraso em negociações coletivas, precarização de vínculos sazonais, terceirização e dificuldades de fiscalização em fazendas de grande porte.

Organizações de trabalhadores rurais, como federações e confederações ligadas ao setor, foram chamadas a expor casos concretos de jornadas extensas, falta de equipamentos de proteção e ausência de registro em carteira, especialmente em atividades de safra intensiva, como corte de cana, colheita de frutas, café e hortaliças.

Representantes do governo federal foram convidados para detalhar ações de inspeção do trabalho, programas de qualificação e instrumentos de combate ao trabalho análogo à escravidão. Os parlamentares também pretendem avaliar se a legislação atual e a estrutura de fiscalização são suficientes para acompanhar a expansão do agro.

Por que importa para o agro

Condições de trabalho no campo estão cada vez mais ligadas ao acesso a mercados e à reputação do setor. Importadores europeus e grandes redes de varejo exigem rastreabilidade socioambiental e cláusulas de respeito a direitos trabalhistas em contratos de longo prazo. Denúncias de irregularidades ou trabalho degradante podem resultar em embargo de fazendas, cancelamento de contratos e dificuldade de financiamento.

Ao mesmo tempo, a falta de mão de obra qualificada está entre as principais queixas de produtores e cooperativas. Um ambiente de trabalho mais seguro, com remuneração previsível e regras claras, ajuda a atrair e reter trabalhadores em regiões rurais, reduzindo rotatividade e custos de treinamento. O debate na Câmara tende a orientar futuras mudanças regulatórias que impactarão diretamente folha de pagamento, gestão de pessoas e custos de conformidade nas propriedades.

Dados e contexto

Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 8,9 milhões de pessoas ocupadas em atividades agropecuárias, incluindo empregadores, conta-própria e assalariados. Uma parte relevante desses trabalhadores está em contratos temporários, sujeitos a grande oscilação de renda entre safras.

Dados do antigo Ministério do Trabalho e Previdência mostram que, historicamente, o meio rural concentra ações de fiscalização relacionadas a jornadas excessivas, informalidade e falta de equipamentos de proteção individual. Operações especiais também encontram, todos os anos, casos de trabalho análogo à escravidão, com maior incidência em frentes de expansão de produção e em atividades que exigem grande esforço físico.

O MAPA vem estimulando programas de certificação socioambiental, boas práticas trabalhistas e adequação a padrões internacionais. Em paralelo, iniciativas privadas, como programas de compliance em grandes grupos agrícolas, buscam reduzir riscos jurídicos e comerciais associados a passivos trabalhistas.

A Conab aponta que culturas como cana-de-açúcar, café, frutas e hortaliças demandam maior volume de mão de obra em períodos curtos, o que torna a gestão de contratos temporários um ponto sensível. A discussão na Câmara pode influenciar regras de contratação, transporte de trabalhadores, alojamento e fornecimento de equipamentos, elevando o nível de exigência, mas também trazendo mais segurança jurídica para quem cumpre a legislação.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e agroindústrias precisam acompanhar eventuais propostas de alteração na legislação trabalhista rural e nas normas de fiscalização que podem surgir após a audiência. A tendência é de maior pressão por formalização, registro adequado de jornadas, fornecimento de EPIs e atenção a alojamentos e transporte da mão de obra. Antecipar ajustes em gestão de pessoas e documentação fortalece a relação com compradores e reduz riscos de autuações, embargos e perda de mercados.

Fontes

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