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Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina o sorgo

Pesquisa da Embrapa e UFC transforma resíduo do açaí em nanofertilizante que aumenta em até 164% o crescimento do sorgo.

22 de agosto de 2026 4 min de leitura
Caroço de açaí vira nanofertilizante e turbina o sorgo

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um nanofertilizante a partir do caroço de açaí capaz de aumentar em 164% o crescimento relativo do sorgo e em 24% o do milho em condições de semiárido. A tecnologia aproveita um resíduo abundante da indústria de açaí e aponta um novo insumo de alto valor para sistemas agrícolas de baixa chuva.

O que aconteceu

O estudo utilizou o pó da semente do açaí em um processo de síntese hidrotermal para produzir nanopartículas fluorescentes chamadas pontos quânticos de carbono, com cerca de quatro nanômetros de tamanho. Essas partículas, aplicadas em baixas doses na solução nutritiva das plantas (cerca de 10 mg/L), foram testadas em milho BRS Gorutuba e sorgo 2502, ambos indicados para o semiárido.

Nos ensaios, o nanofertilizante elevou o crescimento relativo das plantas em 24% no milho e 164% no sorgo, em comparação com controles sem tratamento. O volume de raízes também aumentou em 23% no milho e 59% no sorgo, ampliando a capacidade de exploração do solo, absorção de água e nutrientes e tolerância ao estresse hídrico.

Dentro da planta, as nanopartículas atuam de duas formas: entregam nutrientes minerais essenciais e funcionam como “antenas” que captam radiação ultravioleta e emitem luz azul, estimulando o sistema fotoquímico e tornando a fotossíntese mais eficiente. Os pesquisadores agora planejam testar o produto em outras culturas, como feijão, batata-doce, abóbora, hortaliças e mudas de açaizeiro.

Por que importa para o agro

Para o produtor do semiárido, o aumento do sistema radicular do sorgo e do milho é estratégico. Raízes mais profundas e volumosas significam maior acesso à água em camadas inferiores, melhor aproveitamento de fertilizantes convencionais e maior resiliência em anos de chuva irregular, comuns na região.

O uso do caroço de açaí também abre frente de economia circular na cadeia da fruta, hoje concentrada na Amazônia. Indústrias que tratam o caroço como resíduo passam a ter potencial insumo para empresas de fertilizantes especiais, conectando bioeconomia, redução de passivos ambientais e oferta de produtos de maior valor agregado para o agronegócio.

Dados e contexto

IndicadorResultado com nanofertilizante

| Crescimento relativo do milho | +24% | | Crescimento relativo do sorgo | +164% | | Volume de raízes do milho | +23% | | Volume de raízes do sorgo | +59% | | Dose utilizada | 10 mg/L |

Segundo a Embrapa, o caroço de açaí é um dos principais resíduos do processamento da fruta, gerado em grandes volumes em polos produtores da Amazônia e do Nordeste. Hoje, boa parte desse material é subutilizada ou descartada, o que gera problemas de manejo e custos de destinação.

O sorgo, de acordo com dados de produção acompanhados por instituições como Conab e IBGE, vem ganhando espaço como alternativa ao milho em regiões de maior risco climático, por sua tolerância à seca e menor exigência hídrica. Tecnologias que ampliem ainda mais a eficiência desse cereal podem melhorar a oferta de grãos para ração em sistemas de pecuária intensiva.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos serão testes em condições de campo, validação em outras culturas e avaliação econômica da produção em escala do nanofertilizante de caroço de açaí. Produtores e indústrias devem acompanhar estudos de segurança, registros junto ao MAPA e possíveis parcerias entre fabricantes de insumos e processadores de açaí, que podem criar novos modelos de negócio sustentáveis na fronteira entre agroindústria e nanotecnologia.

Fontes

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