Manejo

Caso raro: bezerro nasce com três orelhas, uma delas nas costas

Bezerro com três orelhas, incluindo uma implantada nas costas, reacende debate sobre malformações congênitas em bovinos e manejo de vacas prenhes.

04 de agosto de 2026 4 min de leitura
Caso raro: bezerro nasce com três orelhas, uma delas nas costas

Um bezerro apresentado pelo Globo Rural nasceu com uma malformação incomum: três orelhas, sendo uma localizada nas costas. O animal chamou a atenção de produtores pela aparência e levantou dúvidas sobre causas, riscos e o que esse tipo de ocorrência sinaliza para o manejo reprodutivo e sanitário dos rebanhos.

O que aconteceu

O caso foi registrado em uma propriedade rural e ganhou destaque na programação do Globo Rural, que vem acompanhando situações de anomalias em bovinos em diferentes regiões do país.[11] A principal característica desse bezerro é a presença de uma terceira orelha bem formada, implantada na região dorsal, além das duas orelhas na posição habitual.

Relatos de campo indicam que, fora a alteração anatômica, o bezerro apresenta comportamento compatível com um recém-nascido normal, conseguindo mamar e se movimentar. Situações semelhantes de deformidades externas, como ausência de cauda ou orelhas exageradas, já foram mostradas pelo programa e, em parte dos casos, não comprometem a viabilidade do animal.[4][6]

Veterinários consultados por veículos de imprensa em episódios anteriores de malformação em bovinos reforçam que, na maioria desses casos, trata-se de anomalia congênita isolada, sem padrão hereditário claro.[3][4] A ocorrência costuma estar ligada a falhas no desenvolvimento embrionário nas primeiras semanas de gestação, fase crítica de formação de órgãos e estruturas corporais.[3][8]

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Por que importa para o agro

Embora chamativos, casos como o do bezerro de três orelhas servem de alerta técnico mais do que de preocupação imediata com o plantel. Malformações congênitas podem indicar interferências ambientais, de manejo ou de sanidade durante a gestação, como uso inadequado de medicamentos, vermífugos ou exposição a agentes infecciosos.[3][4][8]

Para o produtor, cada ocorrência é uma oportunidade de revisar protocolos de reprodução, calendário de tratamentos, uso de produtos químicos e acompanhamento nutricional e sanitário de vacas prenhes. Em sistemas intensivos, pequenos erros na fase inicial de gestação podem ter impacto econômico relevante se aumentarem perdas embrionárias, casos de distócia ou natalidade de animais inviáveis.

Dados e contexto

Casos de malformação externa em bovinos incluem:

  • Policefalia (duas cabeças), com ocorrência estimada em cerca de 1 para cada 400 milhões de bezerros, segundo especialistas ouvidos pelo g1 e por reportagens internacionais.[15][16]
  • Bezerros com duas cabeças, quatro olhos e três orelhas, como o registrado em Apicum-Açu (MA), frequentemente não sobrevivem ou têm vida muito curta.[3][8]
  • Alterações como ausência de cauda ou deformação craniana podem ser associadas ao uso de certos vermífugos no início da gestação ou a falhas no fechamento de ossos do crânio.[4][17]
De acordo com docentes da USP e veterinários consultores, a maioria das malformações relatadas em bovinos:
  • Não tem origem genética clássica nem padrão hereditário evidente.[3]
  • Surge nos primeiros 30–40 dias de gestação, quando há intensa divisão celular e formação inicial do embrião.[3]
  • Pode estar relacionada a infecções, protozoários, bactérias, radioatividade, medicamentos e outras interferências ambientais.[3][8]
Em vários casos mostrados pela imprensa, a carne de vacas que geraram fetos com anomalias não apresentou risco adicional à saúde humana, justamente por se tratar de ocorrência embrionária natural, sem vínculo comprovado com substâncias tóxicas ou carcinogênicas.[15]

O que observar daqui pra frente

Para quem trabalha com bovinocultura de corte ou leite, o recado é objetivo: registrar cada caso, acionar assistência veterinária e revisar o histórico de manejo das vacas gestantes, especialmente tratamentos nas primeiras semanas de prenhez. Monitorar a frequência dessas ocorrências, cruzar informações com nutricionistas e técnicos de sanidade, e ajustar protocolos ajuda a reduzir riscos reprodutivos e protege o desempenho econômico do rebanho.

Fontes

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