Colheita de café no Brasil chega a 78% e segue atrasada
Safras & Mercado aponta avanço da colheita, mas o ritmo continua abaixo do ano passado e da média histórica.
A colheita de café no Brasil chegou a 78% da safra e ainda roda abaixo do ritmo observado no ano passado, segundo levantamento da Safras & Mercado. O atraso importa porque afeta a oferta disponível no curto prazo, o fluxo de vendas e a formação de preços no mercado interno e externo.
O que aconteceu
A consultoria informou que a colheita avançou 6 pontos percentuais na semana, mas segue atrasada frente ao mesmo período do ano passado e à média dos últimos anos. As chuvas isoladas em algumas regiões voltaram a interromper os trabalhos em campo e reduziram a velocidade da operação.[1]
No recorte por tipo de café, o canephora avançou mais rápido e chegou a 84% da produção. O arábica, que costuma concentrar parte relevante da safra brasileira, também andou, mas num ritmo mais lento, com 54% colhido, segundo a consultoria.[1]
A leitura do mercado é de que a colheita até evolui, mas ainda não normalizou completamente. Em geral, isso significa mais tempo entre o grão no pé e o produto disponível para beneficiamento, entrega e embarque.[1][6]
Por que importa para o agro
Quando a colheita atrasa, a oferta de café chega ao mercado de forma mais lenta. Isso pode segurar negócios, pressionar o planejamento das tradings e afetar cooperativas, exportadores e indústrias que dependem de volume regular para cumprir contratos.[1][4]
Também há efeito na qualidade. Reportagens recentes mostraram que o excesso de chuva em áreas produtoras pode atrasar a colheita e prejudicar a secagem e o beneficiamento, o que aumenta o risco de perda de padrão em parte dos lotes.[6][11]
Dados e contexto
| Indicador | Número |
|---|---|
| Colheita total do Brasil | **78%** |
| Avanço na semana | **+6 p.p.** |
| Mesmo período do ano passado | **77%** em levantamento anterior de 2026[1] |
| Média histórica de cinco anos | **70%**[1] |
| Canephora colhido | **84%**[1] |
| Arábica colhido | **54%**[1] |
A Conab projeta uma safra de 66,7 milhões de sacas beneficiadas em 2026, o que reforça a importância do ritmo da colheita para confirmar a disponibilidade física do grão ao longo dos próximos meses.[7]
O que observar daqui pra frente
O ponto central agora é o clima. Se as chuvas continuarem, a colheita pode seguir travada em algumas regiões e atrasar a entrada de café beneficiado no mercado. Se o tempo firmar, o ritmo tende a acelerar, principalmente nas áreas de canéfora e nas lavouras de arábica já mais maduras.[1][6]
Também vale acompanhar o efeito sobre preços, qualidade dos lotes e exportações. Qualquer atraso maior na operação pode apertar a oferta no curto prazo e mudar a estratégia de venda do produtor, especialmente em regiões mais dependentes de janela seca para colher e secar.[4][11]
Fontes
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