Manejo

Como escolher a gramínea certa para turbinar a eficiência da fazenda

Especialista aponta como o ajuste entre solo, água, manejo e espécie de capim aumenta produtividade, reduz insumos e melhora o desempenho do rebanho.

21 de junho de 2026 4 min de leitura
Como escolher a gramínea certa para turbinar a eficiência da fazenda

A escolha da gramínea define quanto capim a fazenda produz, quanto adubo precisa, a lotação suportada e até a sanidade do rebanho. Um especialista em pastagens mostrou que, ao combinar espécie certa com solo, água e manejo adequado, o produtor consegue aumentar produtividade e reduzir custos com suplementação e correções.

O que aconteceu

Em entrevista ao Canal Rural, o zootecnista e consultor em pastagens explicou como selecionar a gramínea ideal para cada fazenda, indo além da “moda” de capins de alta produção.[4]

Segundo o especialista, a decisão deve partir de quatro pilares: tipo e correção do solo, disponibilidade de água, capacidade de manejo (adubação, rotação, controle de pragas) e objetivo de uso (cria, recria, engorda ou leite).[4]

Ele destacou que, quando a fazenda tem solo corrigido, boa oferta hídrica e manejo bem feito, os capins do gênero Panicum (Megathyrsus) se tornam praticamente imbatíveis em acúmulo de forragem e resposta à adubação.[4]

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Por que importa para o agro

Pastagem ainda é o principal insumo da pecuária de corte e leite no Brasil, respondendo por grande parte da alimentação do rebanho nacional, estimado em mais de 230 milhões de cabeças de bovinos, segundo o IBGE. Uma escolha errada de gramínea compromete desempenho, taxa de lotação e margem por hectare.

Ao ajustar espécie e manejo, o produtor reduz necessidade de suplementação concentrada, evita degradação de pastagens e melhora o uso da área, o que impacta diretamente em arrobas/ha/ano e litros/ha/ano, além de contribuir com metas de intensificação sustentável defendidas por Embrapa e MAPA.

Dados e contexto

O especialista separa a escolha das gramíneas em grandes grupos de uso:[4]

Situação da fazendaGramínea mais indicada (exemplos citados)
Solo corrigido, boa água, manejo intensivoCapins **Panicum (Megathyrsus)**, com alta produção e forte resposta à adubação
Solo mais fraco ou manejo limitadoCapins **Brachiaria/Urochloa**, mais rústicos e tolerantes a falhas de manejo
Áreas com risco de encharcamentoEspécies mais tolerantes à umidade, evitando perdas por morte de touceiras

Ele reforça que gramíneas de alta produção exigem contrapartida em fertilidade de solo, adubação e lotação compatível. Sem isso, a área degrada rápido e o produtor perde o potencial do material.[4]

Estudos da Embrapa indicam que pastagens bem manejadas podem multiplicar a produtividade de carne por hectare em 2 a 3 vezes em relação a áreas degradadas, com impacto direto na emissão de metano por quilo de produto.

No Brasil, estima-se mais de 150 milhões de hectares de pastagens, parte ainda com algum grau de degradação. A escolha de gramínea adaptada, combinada com correção e manejo rotacionado, é um dos caminhos mais baratos para recuperar essas áreas, segundo pesquisas em sistemas de ILP e ILPF da Embrapa Gado de Corte.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, o próximo passo é diagnosticar a fazenda: analisar solo, mapear disponibilidade de água, definir metas de produtividade e avaliar a própria capacidade de investimento em manejo. A partir daí, escolher a gramínea que caiba na realidade da propriedade, iniciar correções graduais e ajustar lotação. A atenção deve estar em evitar “capim da moda” sem estrutura para manejar, priorizando sistemas que entreguem constância de oferta de forragem e segurança econômica no longo prazo.

Fontes

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