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Conab estima safra de café 2026 em 66,7 milhões de sacas

Conab projeta safra de café 2026 em 66,7 milhões de sacas, com recuperação do arábica e oferta confortável, mas pressão sobre preços internos.

21 de maio de 2026 4 min de leitura
Conab estima safra de café 2026 em 66,7 milhões de sacas

A safra brasileira de café 2026 foi projetada pela Conab em 66,7 milhões de sacas de 60 kg, somando arábica e robusta (conilon). O volume indica oferta sólida, com recuperação das lavouras de arábica pós-bienalidade negativa, e tende a manter o Brasil como principal fornecedor global, com reflexos diretos em preços, renda do produtor e planejamento de exportações.

O que aconteceu

O levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que o café arábica deve responder pela maior parte da produção em 2026, com crescimento em relação ao ciclo anterior. A melhora vem de lavouras que entraram em fase produtiva mais cheia, após podas, renovação de áreas e melhor manejo, principalmente em Minas Gerais e São Paulo.

O café robusta (conilon) deve manter patamar elevado, sustentado por ganhos de produtividade em estados como Espírito Santo, Rondônia e Bahia. A combinação de tecnologia, irrigação e material genético mais adaptado tem reduzido a oscilação da safra, garantindo regularidade de oferta para a indústria de café solúvel e para blends internos.

No agregado, o volume de 66,7 milhões de sacas coloca o Brasil em posição confortável para atender o mercado interno, que consome pouco mais de 21 milhões de sacas ao ano, e seguir abastecendo as exportações, que tradicionalmente superam 35 milhões de sacas, segundo dados do Cecafé e da própria Conab.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a estimativa sinaliza um mercado com oferta ampla. Em cenário de safra cheia, a tendência é de maior pressão sobre preços, especialmente em regiões com custo de produção mais alto. A gestão de custo, o travamento de parte da produção em momentos de alta e o uso de ferramentas de proteção de preço ganham importância.

Na cadeia, um volume próximo de 67 milhões de sacas garante previsibilidade para cooperativas, exportadores e indústria, favorecendo contratos de longo prazo e manutenção de mercados externos. Por outro lado, o ambiente de preços mais ajustados exige foco em qualidade, certificações e nichos de maior valor agregado para preservar margens.

Dados e contexto

  • Produção total estimada Conab 2026: 66,7 milhões de sacas de 60 kg.
  • Participação do café arábica: maioria do volume, puxada por Minas Gerais, São Paulo e Bahia.
  • Participação do café robusta (conilon): forte em Espírito Santo, Rondônia e Bahia.
  • Consumo interno brasileiro: em torno de 21–22 milhões de sacas/ano, segundo ABIC.
  • Exportações brasileiras: historicamente acima de 35 milhões de sacas por ano (Cecafé).
  • Brasil segue como maior produtor e exportador global, à frente do Vietnã, segundo USDA.
IndicadorSituação estimada 2026

| Produção total de café | 66,7 milhões de sacas | | Perfil da safra | Arábica em recuperação, robusta estável | | Oferta x demanda interna | Oferta confortável | | Impacto provável sobre preços | Pressão baixista no físico, maior seletividade por qualidade |

A Conab destaca que o resultado reflete combinação de área estável ou levemente maior com recuperação de produtividade, após anos de clima mais adverso em importantes polos do arábica. A entrada de novas áreas irrigadas de robusta ajuda a reduzir o impacto de veranicos e distribuir melhor a produção ao longo dos anos.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto clima até a colheita, custos de insumos, comportamento do dólar e cotações nas bolsas de Nova York (arábica) e Londres (robusta). Janela para fixação de preços, gestão de estoques, foco em qualidade e ampliação de canais de venda (cooperativas, exportadores, cafeterias e plataformas digitais) serão decisivos para transformar uma safra grande em margem positiva, evitando venda forçada em momentos de mercado mais fraco.

Fontes

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