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Consumo de energia elétrica sobe 3,8% em abril e acompanha alta da atividade econômica

Demanda de energia cresceu 3,8% em abril, puxada por comércio, serviços e indústria, com impacto direto em custos e competitividade do agro.

05 de junho de 2026 4 min de leitura
Consumo de energia elétrica sobe 3,8% em abril e acompanha alta da atividade econômica

O consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 3,8% em abril na comparação anual, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O avanço foi impulsionado por comércio, serviços e indústria, indicando atividade econômica mais aquecida e custos maiores para cadeias intensivas em eletricidade, como agroindústrias, armazenagem e beneficiamento.

O que aconteceu

Segundo a EPE, a demanda nacional de energia seguiu em trajetória de alta em abril, repetindo o movimento observado desde o início do ano. O crescimento foi disseminado, com expansão no mercado cativo das distribuidoras e também no mercado livre, onde grandes consumidores compram energia diretamente de geradores ou comercializadores.

Os setores de comércio e serviços foram destaque, refletindo maior circulação de pessoas, consumo presencial e uso mais intenso de climatização e iluminação. Na indústria, o aumento do uso de energia acompanhou a retomada de segmentos como alimentos e bebidas, química e metalurgia, que operam com alto consumo elétrico em processos contínuos.

O comportamento regional também foi desigual, com estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste concentrando boa parte da expansão, alinhada ao peso da indústria, da agroindústria e de grandes centros urbanos nessas áreas. A EPE aponta ainda influência de fatores climáticos, como temperaturas mais elevadas em algumas regiões, o que elevou o uso de aparelhos de refrigeração.

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural e para a agroindústria, a alta do consumo nacional é um termômetro da atividade econômica, mas também um sinal de atenção para custos de energia, item relevante em irrigação, armazenamento refrigerado, secagem de grãos, ordenha mecanizada e processamento de carnes, leite e grãos. Em um cenário de demanda crescente, a tendência é de maior sensibilidade do sistema elétrico e possíveis pressões tarifárias nos próximos reajustes regulados pela Aneel.

A elevação do uso de energia também reforça a importância de gestão de consumo no campo, adoção de tecnologias mais eficientes e, quando viável, investimento em geração própria, como solar fotovoltaica em propriedades rurais e em unidades de processamento. Isso ajuda a reduzir exposição a tarifas mais altas e aumenta previsibilidade de custos em cadeias com margens apertadas.

Dados e contexto

A EPE é o órgão do governo federal responsável por estudos sobre o setor energético e elabora o Balanço Energético Nacional, referência para acompanhamento do consumo por fonte e por setor econômico. Em relatórios recentes, a instituição mostra que a demanda elétrica brasileira cresce em linha com a retomada da atividade após os anos mais críticos da pandemia.[6]

Nos últimos anos, o agro ganhou peso na matriz elétrica, tanto pelo lado do consumo quanto da oferta, com biomassa (especialmente da cana-de-açúcar) e geração distribuída solar em propriedades rurais. Estudos indicam que a biomassa já responde por parcela relevante da energia renovável no país, complementando a geração hidrelétrica em períodos secos.[3][7]

A combinação de crescimento da carga, variabilidade hidrológica e necessidade de expansão da oferta mantém o debate sobre diversificação da matriz, expansão de fontes renováveis e modernização da infraestrutura de transmissão. Para o agronegócio, isso se traduz em atenção redobrada à qualidade do fornecimento em áreas rurais, onde ainda há gargalos de rede e quedas de tensão que afetam sistemas de irrigação, resfriamento de leite e operação de máquinas.

Em paralelo, o avanço do mercado livre de energia e de soluções de gestão de demanda abre espaço para que cooperativas, frigoríficos, usinas e grandes agroindústrias negociem contratos mais competitivos. Já pequenos e médios produtores seguem mais expostos às tarifas das distribuidoras locais, com espaço para ganho por meio de eficiência e projetos coletivos de geração distribuída.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agroindústrias devem acompanhar as próximas leituras mensais da EPE para entender se o crescimento do consumo se mantém e como isso dialoga com decisões da Aneel sobre tarifas, bandeiras e leilões de energia. A trajetória da demanda, combinada com condições hidrológicas e expansão de novas fontes, vai definir o nível de pressão sobre custos elétricos no campo e na indústria de alimentos, abrindo oportunidades para quem antecipar investimentos em eficiência energética e geração própria.

Fontes

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