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Contas públicas e custos do agro desafiam governo eleito em 2027

Miguel Daoud aponta pressão fiscal, insumos caros e combustíveis como prioridades para o próximo governo enfrentar já nos primeiros 100 dias.

24 de outubro de 2026 4 min de leitura
Contas públicas e custos do agro desafiam governo eleito em 2027

O presidente eleito em 2026 assumirá, em 2027, um cenário de forte pressão sobre as contas públicas e sobre os custos do agronegócio. Na avaliação do analista Miguel Daoud, a arrecadação deverá ficar próxima das despesas, reduzindo a margem de manobra do governo e encarecendo o financiamento da dívida. Para o campo, o risco está na combinação entre insumos caros, combustíveis pressionados e inflação.

O que aconteceu

Em análise publicada pelo Canal Rural, Daoud afirmou que o próximo governo precisará enfrentar uma situação fiscal que não comporta novos desequilíbrios. Com receitas praticamente comprometidas pelas despesas, o país poderá depender de empréstimos mais caros para cumprir obrigações e rolar a dívida.

O analista também apontou o agronegócio como um dos setores mais expostos aos efeitos desse quadro. A alta dos insumos reduz a margem do produtor, enquanto reajustes nos combustíveis aumentam o custo do transporte, da operação de máquinas e da distribuição de alimentos.

A recomendação apresentada é a construção de um pacto entre Executivo, Congresso, Judiciário e sociedade nos primeiros 100 dias de governo. O objetivo seria criar condições políticas para medidas de estabilização econômica e para uma agenda de longo prazo.

Por que importa para o agro

O produtor rural toma decisões com meses de antecedência e depende de crédito, preços de commodities, câmbio e custos logísticos. Uma política fiscal considerada frágil pode elevar os juros e dificultar o financiamento de custeio, investimento e comercialização. Pequenos e médios produtores tendem a sentir esse efeito com maior intensidade.

Combustíveis mais caros também atingem toda a cadeia. O impacto começa no preparo do solo e na colheita, passa pelo transporte até armazéns e portos e chega à indústria e ao consumidor. Se a inflação avançar, o Banco Central poderá manter uma política monetária restritiva por mais tempo, encarecendo ainda mais o capital.

Dados e contexto

A produção elevada não elimina os riscos econômicos. A Conab estima que a safra brasileira de grãos 2026/27 possa alcançar 366,6 milhões de toneladas, com avanço da área cultivada e aumento da oferta de soja e milho. Esse volume reforça a importância do setor, mas também exige infraestrutura, crédito e previsibilidade regulatória.

IndicadorProjeção ou cenário
Produção de grãos 2026/27366,6 milhões de toneladas, segundo a Conab
Produção de milho 2026/27Cerca de 148 milhões de toneladas, conforme projeção da Conab
Exportações de soja117,9 milhões de toneladas estimadas pela Conab
Exportações de milho46 milhões de toneladas estimadas pela Conab
Principal pressão apontadaContas públicas, insumos e combustíveis

A Conab também projeta maior consumo interno de milho para a produção de etanol. Isso pode ampliar a demanda pelo cereal, mas aumenta a necessidade de armazenagem e logística eficientes. No arroz, a expectativa é de queda na produção e nas exportações, mostrando que os efeitos variam entre cadeias.

O que observar daqui pra frente

O setor deverá acompanhar a equipe econômica, as medidas para controlar despesas e a condução da política de combustíveis. Para o produtor, será decisivo revisar custos, proteger o caixa, negociar crédito com antecedência e avaliar contratos de comercialização. A capacidade do novo governo de formar uma base política estável definirá o ritmo das reformas e o nível de previsibilidade para o agro.

Fontes

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