Contas públicas e custos do agro desafiam governo eleito em 2027
Miguel Daoud aponta pressão fiscal, insumos caros e combustíveis como prioridades para o próximo governo enfrentar já nos primeiros 100 dias.

O presidente eleito em 2026 assumirá, em 2027, um cenário de forte pressão sobre as contas públicas e sobre os custos do agronegócio. Na avaliação do analista Miguel Daoud, a arrecadação deverá ficar próxima das despesas, reduzindo a margem de manobra do governo e encarecendo o financiamento da dívida. Para o campo, o risco está na combinação entre insumos caros, combustíveis pressionados e inflação.
O que aconteceu
Em análise publicada pelo Canal Rural, Daoud afirmou que o próximo governo precisará enfrentar uma situação fiscal que não comporta novos desequilíbrios. Com receitas praticamente comprometidas pelas despesas, o país poderá depender de empréstimos mais caros para cumprir obrigações e rolar a dívida.
O analista também apontou o agronegócio como um dos setores mais expostos aos efeitos desse quadro. A alta dos insumos reduz a margem do produtor, enquanto reajustes nos combustíveis aumentam o custo do transporte, da operação de máquinas e da distribuição de alimentos.
A recomendação apresentada é a construção de um pacto entre Executivo, Congresso, Judiciário e sociedade nos primeiros 100 dias de governo. O objetivo seria criar condições políticas para medidas de estabilização econômica e para uma agenda de longo prazo.
Por que importa para o agro
O produtor rural toma decisões com meses de antecedência e depende de crédito, preços de commodities, câmbio e custos logísticos. Uma política fiscal considerada frágil pode elevar os juros e dificultar o financiamento de custeio, investimento e comercialização. Pequenos e médios produtores tendem a sentir esse efeito com maior intensidade.
Combustíveis mais caros também atingem toda a cadeia. O impacto começa no preparo do solo e na colheita, passa pelo transporte até armazéns e portos e chega à indústria e ao consumidor. Se a inflação avançar, o Banco Central poderá manter uma política monetária restritiva por mais tempo, encarecendo ainda mais o capital.
Dados e contexto
A produção elevada não elimina os riscos econômicos. A Conab estima que a safra brasileira de grãos 2026/27 possa alcançar 366,6 milhões de toneladas, com avanço da área cultivada e aumento da oferta de soja e milho. Esse volume reforça a importância do setor, mas também exige infraestrutura, crédito e previsibilidade regulatória.
| Indicador | Projeção ou cenário |
|---|---|
| Produção de grãos 2026/27 | 366,6 milhões de toneladas, segundo a Conab |
| Produção de milho 2026/27 | Cerca de 148 milhões de toneladas, conforme projeção da Conab |
| Exportações de soja | 117,9 milhões de toneladas estimadas pela Conab |
| Exportações de milho | 46 milhões de toneladas estimadas pela Conab |
| Principal pressão apontada | Contas públicas, insumos e combustíveis |
A Conab também projeta maior consumo interno de milho para a produção de etanol. Isso pode ampliar a demanda pelo cereal, mas aumenta a necessidade de armazenagem e logística eficientes. No arroz, a expectativa é de queda na produção e nas exportações, mostrando que os efeitos variam entre cadeias.
O que observar daqui pra frente
O setor deverá acompanhar a equipe econômica, as medidas para controlar despesas e a condução da política de combustíveis. Para o produtor, será decisivo revisar custos, proteger o caixa, negociar crédito com antecedência e avaliar contratos de comercialização. A capacidade do novo governo de formar uma base política estável definirá o ritmo das reformas e o nível de previsibilidade para o agro.
Fontes
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