Sustentabilidade

Controle biológico avança na pecuária para reduzir uso de químicos

Pesquisa testa controle biológico em sistemas pecuários para diminuir defensivos químicos, baixar custos e ampliar sustentabilidade na produção de carne e leite.

29 de junho de 2026 4 min de leitura
Controle biológico avança na pecuária para reduzir uso de químicos

A pesquisa brasileira vem testando controle biológico em sistemas pecuários para conter pragas e vetores, reduzir o uso de produtos químicos e aumentar a segurança ambiental da produção de carne e leite. A aposta é integrar inimigos naturais de parasitas e insetos ao manejo sanitário das fazendas, com foco em menos resíduos, menor impacto ambiental e custos mais previsíveis.

O que aconteceu

Pesquisadores ligados ao setor agropecuário iniciaram projetos que aplicam o conceito de controle biológico, já consolidado na agricultura, a desafios da pecuária, como parasitas externos, vetores de doenças e organismos que afetam bem-estar e desempenho dos animais.[1]

A estratégia consiste em utilizar inimigos naturais – microrganismos, parasitoides ou predadores – para reduzir populações de pragas em pastagens, instalações e ambientes onde circulam os rebanhos, diminuindo a necessidade de aplicações sucessivas de defensivos químicos.[1][4]

Os estudos incluem criação massal desses agentes em laboratório e liberação controlada nas áreas de produção, seguindo o modelo de controle biológico aplicado que já é usado em lavouras comerciais, com foco em resposta rápida e em manejo integrado.[2][5]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de carne e leite, a adoção de biológicos pode significar menor dependência de produtos químicos, redução de risco de resistência de parasitas e pragas e maior aceitação dos produtos em mercados exigentes em relação a resíduos e bem-estar animal.[4][5]

Além disso, o controle biológico tende a melhorar a sustentabilidade dos sistemas pecuários, ao reduzir a poluição ambiental, preservar recursos naturais e contribuir para imagem positiva da atividade junto ao consumidor urbano e às cadeias exportadoras.[1][9]

Dados e contexto

O controle biológico é definido pela Embrapa como o uso de inimigos naturais para controlar pragas agrícolas e vetores de doenças, com o objetivo de reduzir o emprego de pesticidas químicos e melhorar a qualidade dos produtos e a sustentabilidade dos agroecossistemas.[1]

Desde 2011, o mercado brasileiro de controle biológico cresce cerca de 15% ao ano, impulsionado principalmente pela agricultura, e já movimenta bilhões de dólares em soluções para diversas culturas.[4]

Em sistemas agrícolas, os principais benefícios registrados incluem:

  • redução do uso de defensivos químicos;[5]
  • menor impacto ambiental e maior preservação da biodiversidade;[5]
  • maior segurança para aplicadores e consumidores, pela menor exposição a moléculas tóxicas;[5]
  • maior estabilidade de controle quando usado em Manejo Integrado de Pragas (MIP).[3][4]
A lógica é a mesma que se busca levar à pecuária: integrar métodos biológicos e químicos, usar biológicos de forma preferencial e preventiva e reservar defensivos sintéticos para situações pontuais, com monitoramento constante e janelas adequadas de aplicação.[3]
AspectoControle químico tradicionalControle biológico

| Foco de ação | Eliminação rápida e ampla da praga | Redução gradual e específica | | Impacto ambiental | Maior, com risco a organismos não alvo | Menor, com preservação de inimigos naturais | | Risco de resistência | Elevado em uso repetido | Menor, com uso integrado e diversificado | | Imagem de mercado | Pressão por redução de resíduos | Alinhado a exigências de sustentabilidade |

Além do avanço técnico, todos os produtos biológicos precisam de registro junto ao MAPA (eficácia), Anvisa (saúde humana) e Ibama (impacto ambiental), o que garante padrão mínimo de segurança para uso também em ambientes ligados à pecuária.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a evolução dessas pesquisas e avaliar como integrar biológicos ao manejo sanitário, começando por monitoramento de pragas, capacitação de equipes e testes em áreas pilotos. Há oportunidade de reduzir custos com defensivos químicos, melhorar acesso a mercados que valorizam menor uso de insumos sintéticos e fortalecer protocolos de bem-estar animal, desde que as soluções cheguem ao campo com suporte técnico e modelos econômicos claros.

Fontes

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