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Cooperativas do agro aceleram e faturam R$ 487,3 bilhões em 2025

Cooperativas agropecuárias voltam a crescer dois dígitos em 2025, faturam R$ 487,3 bilhões e reforçam papel de âncora de mercado para o produtor rural.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
Cooperativas do agro aceleram e faturam R$ 487,3 bilhões em 2025

As cooperativas agropecuárias brasileiras voltaram a crescer com força em 2025, movimentando R$ 487,3 bilhões em ingressos, alta de 11,2% sobre 2024, segundo levantamento do Sistema OCB[1][12]. O avanço veio após um período de expansão mais moderada e foi impulsionado pela recuperação dos preços de commodities e insumos, além da maior diversificação dos negócios[1]. Para o produtor, o desempenho reforça o papel das cooperativas como canais de comercialização, acesso a insumos, crédito e serviços em um cenário de mercado mais competitivo.

O que aconteceu

Depois de crescer apenas 1,9% em 2024, o faturamento das cooperativas agropecuárias ganhou tração em 2025, acompanhando a melhora dos preços de cadeias relevantes para o cooperativismo[1][11]. O movimento ocorreu em um contexto de ajuste de margens no campo, após um ciclo de custos elevados e pressão sobre a renda agrícola.

Segundo João José Prieto Flávio, gerente técnico e econômico do Sistema OCB, o desempenho reflete uma combinação de fatores: recuperação de preços em segmentos como café, aves e suínos, maior intensidade de negócios com insumos e expansão de operações industriais e de serviços[1][12]. A diversificação de portfólio ajudou as cooperativas a diluir riscos e capturar oportunidades em diferentes elos das cadeias.

O cooperativismo agropecuário também acompanhou o salto do sistema como um todo. Em 2025, todas as cooperativas brasileiras faturaram R$ 848 bilhões, crescimento de 12%, sendo o agro responsável por 57,4% dessa receita[2]. O número mostra que o ramo segue como principal motor econômico do cooperativismo nacional.

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, o avanço de dois dígitos nas cooperativas significa mais capacidade de investimento, crédito e serviços técnicos na ponta. O crescimento das receitas amplia o potencial de distribuição de sobras, melhora a estrutura de armazenagem e logística e fortalece a negociação conjunta de insumos e commodities, reduzindo a exposição individual a oscilações de preços[1][11][16].

O aumento da presença das cooperativas em cadeias como proteína animal, grãos, café e insumos também tende a reforçar a coordenação da produção e o acesso a mercados externos. Em momentos de volatilidade, estruturas consolidadas ajudam a travar preços, organizar contratos de integração e oferecer suporte em gestão e tecnologia, especialmente para pequenos e médios produtores.

Dados e contexto

Em 2024, o cooperativismo agropecuário havia movimentado cerca de R$ 438,3 bilhões, com crescimento de 3,6% no faturamento[11][16]. Em 2025, o salto para R$ 487,3 bilhões representou um avanço de R$ 49 bilhões em um único ano[1][11].

No sistema total de cooperativas brasileiras, os números também mostram aceleração:

Indicador (Sistema OCB)20242025
Receita total das cooperativas**R$ 757,9 bi**[11]**R$ 848 bi**[2]
Crescimento anual**9,5%**[11]**12%**[2]
Participação do agro na receita total**57,4%**[2]

O Anuário do Cooperativismo Brasileiro aponta ainda que, em 2024, as cooperativas agropecuárias distribuíram R$ 30,2 bilhões em sobras, alta de 47% sobre o ano anterior[11]. O dado indica maior retorno direto ao cooperado, tendência que tende a ser reforçada por um ciclo de faturamento mais robusto em 2025.

Entre as maiores cooperativas agroindustriais, levantamento do AgFeed mostra que as dez líderes somaram R$ 154,2 bilhões em receita em 2025, alta de 8,9% sobre 2024, com nove delas crescendo no período[4][6]. O grupo concentra uma fatia relevante da produção nacional e puxa investimentos em plantas industriais, armazenagem e serviços ao produtor.

O que observar daqui pra frente

Para os próximos anos, o ponto-chave será acompanhar se o ritmo de crescimento de dois dígitos se mantém em um ambiente de juros mais altos, custos ainda voláteis e possíveis ajustes nos preços de commodities. Produtores devem observar a estratégia de investimento das cooperativas em industrialização, digitalização de serviços e gestão de risco de mercado, avaliando como isso se traduz em melhores condições de comercialização, acesso a insumos, crédito e distribuição de sobras na base.

Fontes

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