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Corte no seguro rural aumenta risco e incerteza no campo

Redução de recursos para o seguro rural limita cobertura, expõe produtores a perdas climáticas e fragiliza política de gestão de risco no agro.

10 de junho de 2026 4 min de leitura
Corte no seguro rural aumenta risco e incerteza no campo

O corte no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) reduz a área coberta e deixa o produtor mais exposto a perdas climáticas num momento de maior volatilidade no campo. A limitação de recursos encarece o prêmio, afasta pequenos e médios agricultores e fragiliza a gestão de risco, em um setor que responde por cerca de 25% do PIB brasileiro quando considerada toda a cadeia do agronegócio.

O que aconteceu

O governo reduziu os recursos destinados à subvenção do seguro rural, limitando a contratação de apólices subsidiadas e encolhendo a proteção disponível ao produtor. As seguradoras e entidades do setor alertam que o orçamento atual é insuficiente para atender a demanda mínima de cobertura, especialmente em culturas de maior risco climático.

Na prática, o PSR passa a cobrir uma fatia ainda menor da área plantada do país, em um cenário em que eventos extremos como seca, excesso de chuva e geadas se tornaram mais frequentes. Especialistas defendem que o seguro rural seja tratado como política de Estado, com previsibilidade plurianual, e não como gasto sujeito a cortes anuais.

O contraste com outros grandes produtores agrícolas é evidente: enquanto países concorrentes ampliam instrumentos de mitigação de risco, o Brasil mantém um sistema de seguro rural considerado um dos mais vulneráveis entre os líderes globais em produção de grãos.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, menos subvenção significa prêmio mais caro ou simplesmente a impossibilidade de contratar seguro. Isso aumenta a exposição a perdas totais em caso de quebra de safra e compromete a capacidade de honrar financiamentos, investir em tecnologia e planejar a sucessão da atividade.

Para o mercado, a redução da cobertura eleva a volatilidade da produção e da renda agrícola, amplia o risco de inadimplência no crédito rural e pode pressionar pedidos de renegociação e socorro pontual. Em vez de uma política preventiva, o país tende a depender de medidas emergenciais, mais caras e menos eficientes para o orçamento público.

Dados e contexto

  • O seguro rural hoje cobre menos de 15% da área plantada no Brasil, segundo especialistas do setor.
  • Em diversas safras recentes, o orçamento do PSR foi contingenciado ou liberado de forma tardia, travando a contratação de apólices justamente no período de plantio.
  • Em anos de maior oferta de recursos, o programa chegou a atender cerca de 100 mil produtores em todo o país, número que cai quando há corte orçamentário.
  • A Embrapa e o MAPA vêm apontando a gestão de risco, incluindo seguro rural, como pilar para a sustentabilidade econômica do agro em um ambiente de clima mais instável.
  • A Conab mostra que quebras de safra recentes, como as provocadas por La Niña e ondas de calor, geraram perdas bilionárias em lavouras de soja, milho e trigo, evidenciando a importância de instrumentos de proteção.
Uma visão comparativa ajuda a dimensionar o desafio:
IndicadorSituação no Brasil (aprox.)
Área agrícola coberta por seguro< 15% da área plantada

| Modelo de apoio | Subvenção ao prêmio (PSR), com orçamento anual e sujeito a corte |

O diagnóstico recorrente em estudos da CNA, seguradoras e economistas agrícolas é de que a falta de continuidade no PSR reduz o interesse das companhias em expandir produtos e dificulta a precificação de longo prazo.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas precisam acompanhar a definição do orçamento do PSR nos próximos ciclos do Plano Safra, o andamento de propostas para um novo marco legal do seguro rural e eventuais mecanismos complementares de gestão de risco, como fundos de catástrofe ou parcerias público-privadas. A atenção deve se voltar também à oferta de produtos privados, à exigência de seguro atrelado ao crédito rural e à capacidade de o governo transformar o seguro rural em política estável, reduzindo a dependência de socorros emergenciais a cada crise climática.

Fontes

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