Cotribá aprova liquidação extrajudicial após acumular dívida de R$ 1,4 bilhão
Cooperativa gaúcha abandona a expectativa de uma solução milagrosa e inicia liquidação extrajudicial para reorganizar as finanças sem interromper as operações.
A Cotribá aprovou o início de uma liquidação extrajudicial continuada depois de acumular passivo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão e fracassar nas tentativas de recuperação judicial. A medida não significa o encerramento imediato das atividades, mas abre uma nova etapa de reorganização financeira para a cooperativa gaúcha.
A decisão importa porque afeta produtores, fornecedores, funcionários, instituições financeiras e fundos de investimento ligados à operação. A continuidade da cooperativa dependerá da capacidade de gerar caixa, negociar débitos e preservar as atividades comerciais.
O que aconteceu
A aprovação ocorreu em assembleia geral extraordinária realizada em 20 de outubro, com participação de 375 associados. A proposta foi aprovada por unanimidade e prevê a dissolução voluntária da cooperativa, seguida pela liquidação extrajudicial.
A Cotribá havia apresentado pedidos de recuperação judicial desde 2025. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul rejeitou a solicitação mais recente ao entender que a cooperativa, constituída como sociedade simples, não se enquadraria nas regras da Lei nº 11.101/2005, usada na recuperação de empresas.
Sem acesso ao mecanismo judicial, a cooperativa decidiu buscar uma solução fora da Justiça. O processo permite organizar patrimônio, contratos e negociações com credores, mantendo o recebimento e a comercialização de grãos enquanto houver condições financeiras para operar.
Por que importa para o agro
A crise amplia o risco para produtores que entregam grãos, compram insumos ou mantêm créditos a receber da cooperativa. Em casos de liquidação, o fluxo de pagamentos passa a depender da disponibilidade de caixa e dos acordos firmados com credores.
Para o mercado regional, a continuidade das operações evita uma interrupção imediata na originação, armazenagem e comercialização agrícola. Porém, a redução de crédito, a necessidade de vender ativos e eventuais atrasos podem limitar a capacidade de atendimento aos associados durante as próximas safras.
O caso também expõe a vulnerabilidade de cooperativas com forte dependência de capital de terceiros, margens estreitas e exposição a oscilações de preços, clima, juros e inadimplência. A governança financeira e o controle sobre garantias passam a ser decisivos.
Dados e contexto
- Passivo estimado: cerca de R$ 1,4 bilhão.
- Prejuízo projetado para 2026: aproximadamente R$ 164 milhões.
- Faturamento projetado para 2026: cerca de R$ 313 milhões.
- Patrimônio estimado: aproximadamente R$ 800 milhões, com cerca de 90% comprometidos por garantias e penhoras judiciais.
- Fundação: 1911, em Ibirubá, no Rio Grande do Sul.
- Associados na assembleia: 375.
O que observar daqui pra frente
Os principais pontos serão a geração de caixa, a manutenção do recebimento de grãos, a venda de ativos e a capacidade de negociar com bancos, fundos, fornecedores e produtores. Também será necessário acompanhar decisões judiciais, eventuais mudanças na estrutura patrimonial e os impactos sobre crédito e comercialização na região. Sem melhora operacional, a liquidação poderá avançar para medidas mais severas.
Fontes
- AgFeed – Cotribá aprova liquidação em nova tentativa de recuperação
- Agência Estado – Cooperativa Cotribá aprova liquidação com dívida de R$ 1,4 bilhão
- GZH – Liquidação da Cotribá e os próximos passos
- agfeed.com.br
- globorural.globo.com
- jornaldealagoas.com.br
- agrolink.com.br
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- gauchazh.clicrbs.com.br
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