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Cotribá aprova liquidação extrajudicial após acumular dívida de R$ 1,4 bilhão

Cooperativa gaúcha abandona a expectativa de uma solução milagrosa e inicia liquidação extrajudicial para reorganizar as finanças sem interromper as operações.

22 de outubro de 2026 4 min de leitura
Cotribá aprova liquidação extrajudicial após acumular dívida de R$ 1,4 bilhão

A Cotribá aprovou o início de uma liquidação extrajudicial continuada depois de acumular passivo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão e fracassar nas tentativas de recuperação judicial. A medida não significa o encerramento imediato das atividades, mas abre uma nova etapa de reorganização financeira para a cooperativa gaúcha.

A decisão importa porque afeta produtores, fornecedores, funcionários, instituições financeiras e fundos de investimento ligados à operação. A continuidade da cooperativa dependerá da capacidade de gerar caixa, negociar débitos e preservar as atividades comerciais.

O que aconteceu

A aprovação ocorreu em assembleia geral extraordinária realizada em 20 de outubro, com participação de 375 associados. A proposta foi aprovada por unanimidade e prevê a dissolução voluntária da cooperativa, seguida pela liquidação extrajudicial.

A Cotribá havia apresentado pedidos de recuperação judicial desde 2025. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul rejeitou a solicitação mais recente ao entender que a cooperativa, constituída como sociedade simples, não se enquadraria nas regras da Lei nº 11.101/2005, usada na recuperação de empresas.

Sem acesso ao mecanismo judicial, a cooperativa decidiu buscar uma solução fora da Justiça. O processo permite organizar patrimônio, contratos e negociações com credores, mantendo o recebimento e a comercialização de grãos enquanto houver condições financeiras para operar.

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Por que importa para o agro

A crise amplia o risco para produtores que entregam grãos, compram insumos ou mantêm créditos a receber da cooperativa. Em casos de liquidação, o fluxo de pagamentos passa a depender da disponibilidade de caixa e dos acordos firmados com credores.

Para o mercado regional, a continuidade das operações evita uma interrupção imediata na originação, armazenagem e comercialização agrícola. Porém, a redução de crédito, a necessidade de vender ativos e eventuais atrasos podem limitar a capacidade de atendimento aos associados durante as próximas safras.

O caso também expõe a vulnerabilidade de cooperativas com forte dependência de capital de terceiros, margens estreitas e exposição a oscilações de preços, clima, juros e inadimplência. A governança financeira e o controle sobre garantias passam a ser decisivos.

Dados e contexto

  • Passivo estimado: cerca de R$ 1,4 bilhão.
  • Prejuízo projetado para 2026: aproximadamente R$ 164 milhões.
  • Faturamento projetado para 2026: cerca de R$ 313 milhões.
  • Patrimônio estimado: aproximadamente R$ 800 milhões, com cerca de 90% comprometidos por garantias e penhoras judiciais.
  • Fundação: 1911, em Ibirubá, no Rio Grande do Sul.
  • Associados na assembleia: 375.
A liquidação extrajudicial continuada funciona como uma tentativa de reestruturação com preservação da operação. A cobrança de dívidas e os pagamentos não desaparecem automaticamente; dependem do plano aprovado, das negociações e dos recursos gerados pela própria atividade.

O que observar daqui pra frente

Os principais pontos serão a geração de caixa, a manutenção do recebimento de grãos, a venda de ativos e a capacidade de negociar com bancos, fundos, fornecedores e produtores. Também será necessário acompanhar decisões judiciais, eventuais mudanças na estrutura patrimonial e os impactos sobre crédito e comercialização na região. Sem melhora operacional, a liquidação poderá avançar para medidas mais severas.

Fontes

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