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Cotribá aprova liquidação para renegociar dívidas e manter operações

Cooperativa gaúcha aprova liquidação extrajudicial diante de dívidas superiores a R$ 1 bilhão e das derrotas na tentativa de recuperação judicial.

21 de outubro de 2026 4 min de leitura
Cotribá aprova liquidação para renegociar dívidas e manter operações

A Cotribá aprovou a dissolução da cooperativa e a abertura de um processo de liquidação extrajudicial. A medida busca reorganizar dívidas superiores a R$ 1 bilhão, preservar as atividades e criar uma saída para a crise financeira que se arrasta no Rio Grande do Sul. O caminho foi adotado após a Justiça rejeitar, em segunda instância, os pedidos de recuperação judicial apresentados pela entidade.

O que aconteceu

A decisão foi tomada em assembleia dos associados. O processo prevê a nomeação de um liquidante, que ficará responsável por conduzir a reorganização, negociar com credores, avaliar ativos e definir a continuidade das operações da cooperativa.

A liquidação extrajudicial é prevista na legislação do cooperativismo e permite negociações diretas com credores, sem a necessidade de homologação judicial de um plano de recuperação. Também pode suspender cobranças e dar prazo para a reorganização financeira, conforme as regras aplicáveis ao procedimento.

A Cotribá havia tentado duas vezes acessar a recuperação judicial, instrumento tradicionalmente destinado a empresas. As decisões favoráveis obtidas em primeira instância foram revertidas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Em julgamento recente, a 6ª Câmara Cível entendeu que a cooperativa não tinha legitimidade para pedir recuperação judicial.

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Por que importa para o agro

A Cotribá atua diretamente com produtores, fornecedores, instituições financeiras e compradores de produtos agropecuários. Uma paralisação desorganizada poderia afetar o recebimento da produção, o fornecimento de insumos e os pagamentos aos associados.

A liquidação aprovada não significa encerramento imediato das atividades. O objetivo é manter a operação enquanto o liquidante negocia passivos e busca recursos. Para o produtor, o ponto central será acompanhar os critérios de pagamento, a entrega de grãos, a liberação de créditos e a manutenção dos contratos de fornecimento.

O caso também amplia a atenção sobre a estrutura financeira das cooperativas agropecuárias. Diferentemente das empresas convencionais, elas seguem legislação própria, o que limita o uso de mecanismos previstos na Lei de Recuperação Judicial e pode tornar mais complexa a solução de crises de liquidez.

Dados e contexto

  • Dívidas: superiores a R$ 1 bilhão, segundo informações divulgadas pela cooperativa e pela imprensa especializada.
  • Recuperação judicial: os pedidos foram aceitos inicialmente em primeira instância, mas rejeitados em decisões posteriores do TJ-RS.
  • Bloqueios: em uma das decisões analisadas, a Cotribá relatou mais de R$ 8,7 milhões bloqueados em contas por credores.
  • Ativos: estimativas divulgadas anteriormente apontaram valor venal próximo de R$ 1 bilhão, sujeito a avaliação e eventual venda.
  • Referência no setor: a cooperativa Piá, também do Rio Grande do Sul, adotou liquidação extrajudicial após acumular cerca de R$ 249,2 milhões em dívidas.
O liquidante poderá negociar débitos, buscar novos recursos, vender ativos e reorganizar contratos. A prioridade tende a ser preservar caixa para manter as operações essenciais e reduzir o risco de interrupção no relacionamento com os produtores.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos serão a definição dos poderes do liquidante, a apresentação do diagnóstico financeiro e a proposta de negociação com bancos, fornecedores e associados. Produtores devem acompanhar comunicados oficiais, conferir saldos a receber e avaliar novos negócios com critérios de prazo e garantia. O principal risco é a liquidação não gerar caixa suficiente para sustentar a operação e os pagamentos.

Fontes

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