Cotribá convoca assembleia para decidir liquidação com continuidade das atividades
Cooperados da Cotribá votarão a dissolução voluntária e a liquidação da cooperativa, que poderá continuar operando durante o processo.
A Cotribá convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para decidir sobre a dissolução voluntária da cooperativa e o início de um processo de liquidação. A reunião está marcada para 20 de outubro, em Ijuí (RS), e ocorre após a Justiça gaúcha rejeitar a possibilidade de recuperação judicial da instituição.
A proposta não significa, necessariamente, a interrupção imediata das operações. Os cooperados também deverão autorizar a continuidade das atividades durante a liquidação, em uma tentativa de preservar negócios, ativos e atendimento a produtores, clientes e fornecedores.
O que aconteceu
O edital prevê que os associados deliberem sobre a dissolução voluntária da Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., conhecida como Cotribá. Caso aprovada, a razão social deverá incorporar a expressão “em liquidação”.
A assembleia também deverá escolher o liquidante, responsável por conduzir o processo, e nomear o conselho fiscal. Entre as autorizações previstas estão a manutenção das atividades sociais, a renegociação de dívidas e a contratação de empréstimos ou financiamentos.
A decisão ocorre em meio a uma crise financeira que levou a cooperativa a acumular passivo superior a R$ 1,4 bilhão. A Cotribá havia buscado recuperação judicial, mas o pedido foi suspenso após contestação do Banco Votorantim. Em setembro, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul entendeu que a cooperativa não tinha legitimidade para utilizar esse mecanismo.
Por que importa para o agro
A Cotribá reúne cerca de 11,7 mil produtores rurais e mantém negócios ligados à comercialização de grãos, fornecimento de insumos e prestação de serviços. Uma liquidação com continuidade operacional pode evitar uma paralisação imediata, mas não elimina os riscos para cooperados, credores e parceiros comerciais.
Para o produtor, os principais pontos são o recebimento de valores por produtos entregues, o acesso a insumos e a continuidade dos contratos. A forma como o liquidante organizará o caixa e priorizará pagamentos será decisiva para reduzir perdas e preservar a operação nas regiões atendidas.
Dados e contexto
- Data da assembleia: 20 de outubro de 2026.
- Local: Associação dos Funcionários da Cotribá, em Ijuí (RS), a partir das 12h.
- Dívida estimada: mais de R$ 1,4 bilhão.
- Cooperados: aproximadamente 11,7 mil produtores rurais.
- Pauta: dissolução voluntária, início da liquidação, escolha do liquidante e nomeação do conselho fiscal.
- Continuidade operacional: o liquidante poderá manter as atividades e buscar empréstimos, financiamentos e renegociações.
A situação financeira também revela o descompasso entre a escala histórica da Cotribá e sua capacidade atual de geração de caixa. O faturamento, que já chegou a cerca de R$ 4 bilhões, foi projetado em aproximadamente R$ 1 bilhão para 2026, segundo informações divulgadas anteriormente pela imprensa especializada.
O que observar daqui para frente
Os próximos passos dependem do resultado da assembleia e da escolha do liquidante. Produtores e credores deverão acompanhar as regras de pagamento, a eventual venda de ativos, a manutenção das unidades e os contratos de entrega e fornecimento. A continuidade das operações pode preservar valor, mas exigirá caixa, transparência e um plano claro de reorganização.
Fontes
- AgFeed – Cotribá convoca assembleia para decidir se entra em liquidação, com continuidade de atividades
- GZH – Cotribá convoca assembleia para decidir sobre dissolução
- Globo Rural – Presidente da Cotribá renuncia ao cargo; cooperativa acumula dívidas superiores a R$ 1,4 bilhão
- agfeed.com.br
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- boca.com.br
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- jusrural.com.br
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