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Cotribá convoca assembleia para decidir liquidação com continuidade das atividades

Cooperados da Cotribá votarão a dissolução voluntária e a liquidação da cooperativa, que poderá continuar operando durante o processo.

11 de outubro de 2026 4 min de leitura
Cotribá convoca assembleia para decidir liquidação com continuidade das atividades

A Cotribá convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para decidir sobre a dissolução voluntária da cooperativa e o início de um processo de liquidação. A reunião está marcada para 20 de outubro, em Ijuí (RS), e ocorre após a Justiça gaúcha rejeitar a possibilidade de recuperação judicial da instituição.

A proposta não significa, necessariamente, a interrupção imediata das operações. Os cooperados também deverão autorizar a continuidade das atividades durante a liquidação, em uma tentativa de preservar negócios, ativos e atendimento a produtores, clientes e fornecedores.

O que aconteceu

O edital prevê que os associados deliberem sobre a dissolução voluntária da Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., conhecida como Cotribá. Caso aprovada, a razão social deverá incorporar a expressão “em liquidação”.

A assembleia também deverá escolher o liquidante, responsável por conduzir o processo, e nomear o conselho fiscal. Entre as autorizações previstas estão a manutenção das atividades sociais, a renegociação de dívidas e a contratação de empréstimos ou financiamentos.

A decisão ocorre em meio a uma crise financeira que levou a cooperativa a acumular passivo superior a R$ 1,4 bilhão. A Cotribá havia buscado recuperação judicial, mas o pedido foi suspenso após contestação do Banco Votorantim. Em setembro, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul entendeu que a cooperativa não tinha legitimidade para utilizar esse mecanismo.

Por que importa para o agro

A Cotribá reúne cerca de 11,7 mil produtores rurais e mantém negócios ligados à comercialização de grãos, fornecimento de insumos e prestação de serviços. Uma liquidação com continuidade operacional pode evitar uma paralisação imediata, mas não elimina os riscos para cooperados, credores e parceiros comerciais.

Para o produtor, os principais pontos são o recebimento de valores por produtos entregues, o acesso a insumos e a continuidade dos contratos. A forma como o liquidante organizará o caixa e priorizará pagamentos será decisiva para reduzir perdas e preservar a operação nas regiões atendidas.

Dados e contexto

  • Data da assembleia: 20 de outubro de 2026.
  • Local: Associação dos Funcionários da Cotribá, em Ijuí (RS), a partir das 12h.
  • Dívida estimada: mais de R$ 1,4 bilhão.
  • Cooperados: aproximadamente 11,7 mil produtores rurais.
  • Pauta: dissolução voluntária, início da liquidação, escolha do liquidante e nomeação do conselho fiscal.
  • Continuidade operacional: o liquidante poderá manter as atividades e buscar empréstimos, financiamentos e renegociações.
A liquidação é um mecanismo previsto no regime jurídico das cooperativas e tem dinâmica diferente da recuperação judicial. Segundo decisões judiciais citadas no caso, cooperativas agropecuárias possuem regras próprias para enfrentar crises, com destaque para os procedimentos de dissolução e liquidação previstos na legislação cooperativista.

A situação financeira também revela o descompasso entre a escala histórica da Cotribá e sua capacidade atual de geração de caixa. O faturamento, que já chegou a cerca de R$ 4 bilhões, foi projetado em aproximadamente R$ 1 bilhão para 2026, segundo informações divulgadas anteriormente pela imprensa especializada.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos dependem do resultado da assembleia e da escolha do liquidante. Produtores e credores deverão acompanhar as regras de pagamento, a eventual venda de ativos, a manutenção das unidades e os contratos de entrega e fornecimento. A continuidade das operações pode preservar valor, mas exigirá caixa, transparência e um plano claro de reorganização.

Fontes

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