Gestão

Cotribá troca presidente em meio a passivo superior a R$ 1,4 bilhão

Sergio Strentske assume a presidência da Cotribá após a renúncia de Carlos Diehl, em meio à crise financeira da cooperativa gaúcha.

25 de setembro de 2026 3 min de leitura
Cotribá troca presidente em meio a passivo superior a R$ 1,4 bilhão

A Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), de Ibirubá (RS), mudou novamente de comando em meio a uma crise financeira. Sergio Strentske assumiu a presidência após a renúncia de Carlos Diehl, que permaneceu pouco mais de seis meses no cargo. A cooperativa acumula passivo superior a R$ 1,4 bilhão, e o processo de recuperação judicial foi suspenso.

O que aconteceu

Carlos Diehl renunciou à presidência da Cotribá em 24 de setembro de 2026. O cargo passou a ser ocupado pelo então vice-presidente, Sergio Strentske, escolhido pelo Conselho de Administração para conduzir a próxima etapa da cooperativa.

Para a vice-presidência, o conselho indicou Paulo Prediger. A troca ocorre poucos meses depois de outra mudança no comando: Enio Cezar Moura do Nascimento havia presidido a Cotribá por cinco meses antes de Diehl assumir a função.

Segundo informações divulgadas pela cooperativa, a nova administração terá como prioridades a recuperação e a reorganização financeira, a continuidade das operações e a criação de condições para o fortalecimento da instituição. A Cotribá tem 115 anos de história e mantém atividades ligadas ao recebimento e à comercialização de grãos, produção de rações e fornecimento de insumos.

Por que importa para o agro

A estabilidade de uma cooperativa afeta diretamente produtores associados, fornecedores, funcionários, instituições financeiras e compradores de commodities. Mudanças frequentes na presidência podem dificultar a execução de um plano de recuperação e aumentar a incerteza sobre pagamentos, contratos, crédito e recebimento da produção.

Para os produtores, o principal ponto de atenção é a capacidade da Cotribá de manter serviços e honrar compromissos durante a reorganização. Uma cooperativa com problemas financeiros pode reduzir limites de custeio, alterar políticas de compra de grãos e renegociar dívidas com associados e parceiros comerciais.

Dados e contexto

  • Passivo: superior a R$ 1,4 bilhão.
  • Presidência em 2026: duas trocas no comando, com a saída de Enio Cezar Moura do Nascimento e, posteriormente, de Carlos Diehl.
  • Novo presidente: Sergio Strentske, ex-vice-presidente da cooperativa.
  • Novo vice-presidente: Paulo Prediger.
  • Sede: Ibirubá, no Rio Grande do Sul.
  • Recuperação judicial: o pedido apresentado pela cooperativa teve o processo suspenso.
A crise ocorre em um ambiente de pressão sobre o agronegócio gaúcho. As perdas provocadas por eventos climáticos, a queda de margens em algumas cadeias, o custo elevado do crédito e a volatilidade dos preços de grãos aumentam o risco financeiro de produtores e empresas que operam com grande volume de capital de giro.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos serão a apresentação de um plano financeiro viável, a definição do tratamento dado às dívidas e a manutenção das operações com produtores e fornecedores. Também será necessário acompanhar decisões judiciais, eventuais renegociações com credores e a capacidade da nova gestão de recuperar a confiança dos associados. Para os produtores, a prioridade prática é revisar contratos, prazos de pagamento, limites de crédito e alternativas de comercialização.

Fontes

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