Crime organizado amplia riscos para o agronegócio brasileiro
Estudo do Insper aponta infiltração de facções em várias etapas do agro, com ameaça à logística, às exportações e à reputação do produto brasileiro.
O crime organizado deixou de atuar apenas no roubo e no transporte de cargas e passou a ocupar diferentes pontos do agronegócio. Estudo do Insper Agro Global aponta infiltração em terras, insumos, armazenagem, transporte e comércio exterior. O avanço cria riscos para a segurança no campo, a logística e a reputação dos produtos brasileiros.
O que aconteceu
O levantamento foi apresentado no debate “O Ilícito no Agronegócio Brasileiro”, promovido pelo Insper. A análise identifica o uso de atividades rurais como apoio logístico para o tráfico internacional de drogas e para operações de lavagem de dinheiro.
Segundo o estudo, organizações como o PCC adotam uma estrutura mais empresarial. Entre as práticas citadas estão a compra de fazendas de fachada, o investimento em caminhões bitrens e o uso de pistas de pouso em propriedades rurais. Também há conexões com países vizinhos, como Paraguai e Bolívia.
Uma das ameaças ao comércio exterior é a contaminação de cargas legais com drogas. O método, conhecido como rip-on/rip-off, consiste na inserção de entorpecentes em contêineres ou carregamentos regulares, sem participação direta do exportador na operação criminosa.
Por que importa para o agro
A infiltração aumenta o risco de inspeções, retenções e atrasos em portos e fronteiras. Também pode elevar custos de seguro, segurança privada, rastreamento e conformidade para empresas que operam de forma legal.
O impacto não se limita às grandes tradings. Produtores, transportadoras, armazéns, cooperativas e revendas podem ser afetados por roubos de cargas, falsificação de defensivos, desvio de insumos e uso de empresas de fachada. Uma ocorrência vinculada a uma cadeia exportadora pode gerar danos à imagem de todo o setor.
Dados e contexto
O estudo do Insper indica que os ilícitos estão distribuídos por vários elos da cadeia produtiva, e não concentrados em uma única atividade. O cenário combina fronteiras extensas, rotas logísticas complexas e cadeias comerciais com diferentes níveis de rastreabilidade.
Entre os principais riscos apontados estão:
- Compra de terras e propriedades usadas para lavagem de dinheiro.
- Uso de caminhões, armazéns e pistas de pouso em operações criminosas.
- Contaminação de cargas de grãos e carnes destinadas à exportação.
- Contrabando e falsificação de defensivos agrícolas.
- Roubo de insumos e cargas durante o transporte.
- Crimes fundiários, ambientais e exploração de trabalho ilegal.
O que observar daqui para frente
Empresas e cooperativas devem ampliar a checagem de fornecedores, transportadores, compradores e parceiros logísticos. Também será necessário integrar dados entre órgãos de segurança, Receita Federal, fiscalização aduaneira e instituições do setor. Para o produtor, contratos claros, documentação regular e registro da origem dos insumos ajudam a reduzir a exposição a operações fraudulentas.
Fontes
- AgFeed — Crime organizado tem porteira aberta no agro e já ameaça comércio exterior, diz Insper
- Insper Agro Global — Crime organizado avança sobre o agronegócio brasileiro e amplia riscos
- Insper Agro Global — Novos desafios do comércio agrícola internacional
- paracaturural.com
- tribunaribeirao.com.br
- jota.info
- ocuiaba.com.br
- ocindex.net
- blogdopedlowski.com
- ohoje.com
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