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Crise do agro gaúcho dá primeiros sinais de reação, aponta Farsul

Presidente da Farsul afirma que o pior da crise no campo já passou e vê melhora em mercado, biocombustíveis e pecuária.

07 de setembro de 2026 4 min de leitura
Crise do agro gaúcho dá primeiros sinais de reação, aponta Farsul

O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, avalia que o fundo do poço do agro gaúcho já passou e que o setor começa a sair da fase mais dura da crise. A análise foi feita no balanço da participação da entidade na Expointer 2026, com destaque para uma leve retomada dos mercados, valorização de commodities e melhor momento do ciclo pecuário, apesar do elevado endividamento no campo.

O que aconteceu

Ao final da Expointer 2026, Domingos Velho Lopes afirmou que os mercados começam a se alinhar e que há sinais de reação nas principais cadeias do agronegócio do Rio Grande do Sul. Segundo ele, a combinação de melhora de preços, avanço dos biocombustíveis e ciclo positivo da pecuária indica que o período mais crítico ficou para trás.

O dirigente destacou o papel do Brasil como grande player em biocombustíveis, em um cenário internacional pressionado por conflitos e riscos em rotas como o estreito de Ormuz. Para o agro gaúcho, isso abre espaço para maior demanda por oleaginosas, milho e outras matérias-primas ligadas à energia renovável.

Lopes também vinculou o discurso ao resultado econômico da própria Expointer, que registrou faturamento elevado em 2026, recuperando parte das perdas de 2025, embora ainda abaixo dos níveis de 2024. Para ele, os números da feira confirmam que a pior fase da crise já foi superada, mesmo que a situação financeira dos produtores continue frágil.

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Por que importa para o agro

A leitura da Farsul é relevante porque baliza a percepção de risco de bancos, indústrias e cooperativas em relação ao produtor gaúcho. A sinalização de que o momento mais agudo da crise passou ajuda a destravar negociações de crédito, alongamento de dívidas e novos investimentos, especialmente em tecnologia de manejo e intensificação da pecuária.

Ao mesmo tempo, a entidade reforça que a recuperação não será imediata. O setor ainda convive com alto endividamento, restrição de capital de giro e necessidade de recompor capacidade de pagamento, tema que vem sendo discutido com a bancada federal e na análise da MP que trata de dívidas do agro. A reação de preços e mercados, se consolidada, pode aliviar a pressão, mas exige gestão financeira mais rigorosa dentro da porteira.

Dados e contexto

O agro gaúcho saiu de uma sequência de anos de forte pressão:

  • Entre 2023 e 2025, várias cadeias sofreram com queda de preços de commodities, impacto de eventos climáticos e custo elevado de insumos.
  • A Expointer 2025 registrou desempenho fraco; em 2026, o faturamento chegou a cerca de R$ 6,18 bilhões, recuperando parte das perdas, mas ainda abaixo do patamar de 2024.
  • A Farsul, o MAPA e a Conab vêm apontando necessidade de renegociação ampla de dívidas e recomposição da renda agrícola, especialmente em grãos e pecuária.
No plano internacional, o avanço dos biocombustíveis reforça a posição do Brasil como fornecedor de biodiesel, etanol e matérias-primas energéticas. O USDA e a Agência Internacional de Energia têm indicado crescimento da demanda por óleos vegetais e etanol para reduzir dependência de rotas sensíveis como Ormuz.

Na pecuária, o ciclo atual é considerado mais favorável, com ajuste de oferta, valorização gradual do boi gordo e exportações em patamar firme. Dados da Conab e do IBGE mostram aumento da produção de carnes com ganho moderado de preços ao produtor, ajudando a compor a renda de sistemas integrados de grãos e pecuária.

Indicador-chaveSituação recente
Faturamento Expointer 2026**R$ 6,18 bilhões**, acima de 2025
Endividamento ruralElevado, em renegociação via MP federal
Mercados de commoditiesSinais de valorização após queda em 2023–2025
BiocombustíveisDemanda em alta, Brasil entre os principais fornecedores

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para consolidar a percepção de que o pior já passou. Produtores e lideranças devem acompanhar a tramitação da MP sobre dívidas, a evolução dos juros e o comportamento de preços de soja, milho, arroz e carne. Se a combinação de crédito, renegociação e melhora de mercado se confirmar, o agro gaúcho ganha espaço para retomar investimentos e recompor capital, reduzindo o risco de uma nova rodada de aperto financeiro.

Fontes

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